29º domingo do Tempo Comum – Ano C – Naquele tempo, 1Jesus contou aos discípulos uma parábola para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre e nunca desistir, dizendo: 2“Numa cidade, havia um juiz que não temia a Deus e não respeitava homem algum. 3Na mesma cidade, havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário!’ 4Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: ‘Eu não temo a Deus e não respeito homem algum. 5Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me!’”. 6E o Senhor acrescentou: “Escutai o que diz este juiz injusto. 7E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? 8Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando, vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” – Palavra da salvação.
“Jesus contou aos discípulos uma parábola para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre e nunca desistir”. Jesus tem a preocupação de preparar seus discípulos para a oração constante, “rezar sempre”, e persistente, “nunca desistir”. Assim também deve ser a oração dos discípulos de hoje. Ela nos ajuda a encontrar o caminho, Jesus, que nos conduz ao Pai. A oração pode ser feita durante qualquer parte do dia, mas também em alguns momentos certos, como ao levantar-nos, agradecendo a noite que tivemos e pedindo as bênçãos para o dia que vamos enfrentar. Outro momento oportuno é antes e depois de cada refeição, agradecendo o alimento que temos e pedindo que ele nunca falte em nossa mesa nem na mesa de nossos irmãos. Momento favorável também é ao nos deitar, agradecendo o dia que passamos e pedindo proteção para nossa noite de sono reparador, quando recobramos as forças para um novo dia de trabalho.
A oração deve estar presente em todos os momentos de nossa vida, sobretudo, nas dificuldades e necessidades, na doença, na angústia e aflição, no abandono e solidão. Entretanto, é na santa missa o momento mais importante de nossa oração. Ali, nos reunimos com toda a assembleia de irmãos para louvar e adorar nosso Deus cheio de amor com cantos e orações, pedir sua ajuda em nossa vida, agradecer as bênçãos recebidas todos os dias e entrar em comunhão com Jesus Cristo na hora da consagração e da partilha do pão. Após a comunhão, quando nos tornamos um sacrário vivo, é o momento mais apropriado para conversar com Deus. Contar-lhe nossas necessidades e fazer os pedidos de que precisamos na certeza de que o Senhor ouvirá nossa prece que se elevará ao céu num gesto de plena união com Jesus Cristo Salvador. Orante e Mediador se confundirão numa única intercessão e o Pai não deixará de atender aos filhos.
A oração em comunidade fortalece cada participante na fé daquele que o acompanha, não permitindo que o desânimo e o cansaço venham fazê-lo desistir. Por isso, devemos pedir aos parentes, amigos e a toda comunidade que ore conosco na mesma intenção. Em Rafidim, enquanto Moisés orava sobre o monte com os braços erguidos ao céu, Israel, conduzido por Josué, vencia seus inimigos. Quando os braços de Moisés se tornavam pesados pelo cansaço e abaixavam, o inimigo vencia. Então Aarão e Hur, enquanto Moisés orava, seguraram-lhe os braços erguidos para o céu, até o pôr do sol e Israel venceu seus inimigos (Ex 17, 8-13). Nossa oração deve ser constante e persistente e quanto mais pessoas orarem na mesma intenção, maior será a certeza de sermos atendidos porque Deus ouve nossa oração: “Eu vi a aflição de meu povo (...), e ouvi os seus clamores... (Ex 3, 7). Jesus disse aos discípulos: “Até agora não pedistes nada em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa (Jo 16, 24). O clamor, pessoal ou comunitário, elevado a Deus não será esquecido, pois como afirma Jesus “Deus lhes fará justiça bem depressa”.
Elevemos sempre nossas orações a Deus, sem nunca desanimar, com fé e confiança.
Paulo Trujillo Moreno é professor licenciado pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, formado em Teologia para leigos pela Diocese de Bragança Paulista e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica da Paróquia São Benedito.
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