19º domingo do Tempo Comum – Ano C – Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 32“Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o reino. 33Vendei vossos bens e dai esmolas. Fazei bolsas que não se estragam, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói. 34Porque, onde está vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. 35Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. 36Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento para lhe abrirem, imediatamente, a porta logo que ele chegar e bater. 37Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo, ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá. 38E, caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão se assim os encontrar! 39Mas ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. 40Vós também, ficai preparados! Porque o Filho do homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”. – Palavra da salvação.
“Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o reino”. Jesus se dirige aos discípulos com essas palavras expressando o imenso carinho que Ele tinha por todos os que o seguiam. Chama-os de “pequenino rebanho”, porque ainda constituem um grupo de poucas pessoas. De fato, esse grupo acompanhava Jesus por todos os lugares e vivia preocupado com o que comer e onde dormir. Jesus os fortalece dizendo-lhes que “foi do agrado do Pai dar a vós o reino”. Diz-lhes mais, que não devem se preocupar com os bens terrenos, porque estes estão sujeitos ao roubo dos ladrões e a serem corroídos pelas traças. Os únicos bens que permanecem são as boas ações, como as esmolas, que formam “um tesouro no céu”. Este sim, nunca se acaba nem é roubado ou destruído.
Os seguidores de Jesus não devem se preocupar porque o Pai que alimenta as aves do céu e veste os lírios dos campos (v. 24.27) também cuidará deles. Essas palavras de Jesus eram dirigidas a seus discípulos naquela época e hoje estão sendo dirigidas a todos que se dedicam à evangelização dentro das pastorais da Igreja. Todas as pessoas que consomem seu tempo no trabalho missionário legado por Jesus fazem parte desse pequenino rebanho. Embora a Igreja esteja presente no mundo inteiro, é um pequenino rebanho que realmente se dedica ao serviço pastoral, em cada comunidade. Cristo não se esquece deles e o Pai os provê.
“Onde está vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. O bem que se faz e o serviço missionário que se executa devem formar o tesouro espiritual que se prepara para a vida eterna. Esse tesouro é formado por toda boa ação feita diariamente no cumprimento dos deveres de cada um. Estudando, trabalhando, viajando ou no lazer, sempre se pode fazer boas ações, mas para isso é preciso estar alerta e vigiando. Na segunda parte do evangelho, Jesus vem alertar para esta prontidão, na parábola do senhor que vai a uma festa de casamento.
O cristão é aquele que está preparado e em prontidão para atender ao chamado do Senhor e assumir o serviço pastoral em sua Igreja. Por isso, precisa ficar alerta, vigiando e com os rins cingidos, isto é, vestido e calçado para poder sair imediatamente quando convocado. Aqui é necessário fazer distinção entre dois tipos de chamado: o do religioso, que deve deixar tudo – bens e familiares – para dedicar-se apenas ao Reino e o do leigo que, tendo de cuidar de sua família, deve, contudo, dedicar-se ao Reino, como diz o primeiro mandamento da Lei: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo teu coração” (Mc 12,30). O trabalho maior é o do leigo. O desapego maior é o do religioso. Assim fica-se preparado para a vinda do Senhor que virá “na hora em que menos esperardes”. O trabalho é grande, mas Deus proverá todas as necessidades.
Paulo Trujillo Moreno é professor licenciado pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, formado em Teologia para leigos pela Diocese de Bragança Paulista e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica da Paróquia São Benedito.
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