Na linha de frente da pandemia, coletores Leonardo Andreatti e Valter da Silva compartilharam suas experiências
Neste sábado, 16, comemora-se o Dia do Gari e dos Trabalhadores de Asseio e Conservação, data celebrada para lembrar à sociedade sobre a importância desses profissionais essenciais, que hoje, atuam na linha de frente para manter o município em condições sanitárias adequadas. A reportagem do Jornal Em Dia entrevistou dois coletores da Empresa Bragantina de Varrição e Coleta de Lixo (Em-bralixo), que compartilharam um pouco de sua rotina profissional.
Na manhã de sexta-feira, 15, os cerca de 70 profissionais do turno da manhã ainda chegavam para iniciar os trabalhos às 7h. Eles foram recebidos por voluntários do projeto Rendar, em parceria com o grupo Ação Entre Amigos, para a entrega de kits com duas máscaras feitas à mão e um frasco de sabonete líquido. Na mesma semana, os kits foram entregues às 80 margaridas, contendo shampoo, condicionador e desodorante.

Leonardo Andreatti, de 55 anos, é coletor há três décadas e não sabia sobre o Dia do Gari. Com a pandemia do novo coronavírus, ele espera que “Deus dê saúde a todos para continuarem executando os serviços”.
O profissional conta que gosta do agito da rotina, pois o dia passa rápido e mantém a mente saudável. “É gostoso trabalhar, eu gosto dos companheiros de serviço e, quando vejo, o dia passou rápido”, descreve.
Mesmo com máscara, Leonardo mostrou que é uma pessoa que sorri com os olhos e disse que tem muito orgulho do seu trabalho, contudo, concorda que é consenso entre a classe que o trabalho deveria ser mais valorizado no país. “Tem gente que fala que deveríamos ser mais reconhecidos, muita gente não nos enxerga pelo que fazemos”, defende.
Para o coletor, a população pode mudar hábitos na hora de jogar o lixo no lixo e garantir a segurança de trabalho de profissionais como ele, como em casos de garrafas de vidro. “Já cortei as mãos e a perna por pegar lixo mal condicionado, mesmo com luva, há objetos que causam ferimentos. Se as pessoas prestassem atenção nisso, nosso trabalho seria muito facilitado”, afirmou.
Ao final, o gari de carreira fez um pedido. “Peço a Deus que dê saúde a todos para continuar trabalhando e que essa pandemia passe e nada de mal aconteça a ninguém. Parabéns a todos!”, finalizou.

O coletor Valter da Silva, de 49 anos, trabalha na empresa há quatro anos. Ele conta que já teve empregos “mais parados”, mas gosta mesmo da dinâmica do caminhão de coleta. Ele trabalha ombro a ombro com Leonardo, na equipe que faz a coleta dos bairros Toró, Penha, Paturi, Hípica Jaguari e Jardim Vista Alegre.
Ele relatou que, felizmente, a pandemia do coronavírus não chegou aos funcionários da empresa e que todos estão tomando as medidas de precaução. “Esse vírus está matando muita gente, é melhor nos protegermos e, graças a Deus, estamos bem”, informou.
Ao falar da profissão de gari, ele reconheceu a importância desse trabalho e disse que a população poderia ajudar mais colocando o lixo na rua antes do horário de coleta e condicionando-o de forma adequada.
Sobre o Dia do Gari, ele deixou uma mensagem aos colegas. “Dou parabéns aos colegas, porque sei como a gente trabalha. Ainda tem pessoas que não dão valor para a gente, mas não pode ligar para essas coisas porque o que fazemos é importante para a cidade”, afirmou.
Questionado pela reportagem se ele pediria um presente nesta data, Valter disse que apenas agradeceria. “Sou evangélico, da Assembleia de Deus, agradeço a Ele por dar prosperidade à minha vida e guardar minha família querida”, disse.
DESCARTE CORRETO DE LIXO
Segundo o encarregado operacional Paulo Roberto de Lima, a população pode seguir algumas orientações para ajudar no trabalho dos coletores. É importante que se respeite o horário de coleta e o descarte correto de resíduos cortantes, como o vidro. “A cada três meses, temos um acidente de trabalho sério, isso acaba impactando na saúde dos nossos funcionários”, informou o encarregado.
De acordo com ele, o correto é envolver os pedaços do vidro em várias folhas de jornal ou plástico bolha e colocar em uma caixa de papelão; outra opção é cortar uma garrafa pet, colocar os pedaços de vidro dentro dela e fechá-la com a parte superior, lembrando-se de vedá-la bem com fita adesiva, para que não abra no caminho.
Ele chamou atenção para o descarte de agulhas, seringas e outros materiais perfuro-cortantes, que não devem ser condicionados de forma comum. Esse tipo de lixo deve ser descartado de acordo com as orientações da unidade de saúde mais próxima da residência. “Quando encontramos agulhas, vamos até o munícipe e orientamos como proceder de maneira adequada”, declarou.
O resíduo não-orgânico também atrapalha na hora de separar o lixo no aterro, por isso, o correto é evitar descartar óleo, gordura e veneno no lixo doméstico comum. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do estado de São Paulo (Sabesp), um litro de óleo pode prejudicar até 25 mil de litros de água. Para eliminar os efeitos do descarte incorreto, o óleo de cozinha deve ser armazenado em um recipiente com tampa, como uma garrafa pet ou uma embalagem de vidro, para somente depois ser destinado à coleta seletiva.
O município dispõe de coleta de óleo em prédios públicos distribuídos na cidade, sendo responsável pela coleta e destinação correta do material. Informações sobre os pontos de coleta podem ser obtidas na Secretaria Municipal do Meio Ambiente, por meio do número: (11) 4034-6780, das 8h às 18h.
Outra orientação é não encher o lixo até a capacidade máxima, colocando até 2/3 do volume.
DESCARTE DE MÁSCARAS
O descarte de máscara também exige cuidados especiais. Em meio à obrigatorie-dade de uso de máscaras caseiras, há quem utilize ainda as descartáveis, que, se jogadas fora de qualquer jeito, podem colocar em risco a vida de trabalhadores.
Conforme orientação da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, é preciso usar dois saquinhos plásticos – um dentro do outro. Ao retirar a máscara do rosto, o ideal é segurar apenas pelo elástico e lavar as mãos antes e depois. Com a máscara dentro, basta amarrar bem o saquinho e jogá-lo no lixo do banheiro.
Ajudar a descartar o lixo de forma correta é uma forma de promover mais segurança aos profissionais dessa área, além de contribuir para a preservação do meio ambiente. Por isso, é fundamental que a população faça sua parte para que o serviço de coleta de lixo seja eficaz.
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