Instalação custaria cerca de R$ 250 milhões, mas usina processaria 99% do lixo, seria autossuficiente e ainda produziria energia elétrica para ser vendida
O empresário Jorge Tomita, a convite do vereador Toninho Monteiro, esteve na sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada na quarta-feira, 2. O participante expôs o projeto de processamento do lixo por meio de usina de plasma, sistema desenvolvido pela empresa Westinghouse.
Essa foi a segunda vez que Jorge participou de sessão na Câmara pelo mesmo motivo. Ele explicou o funcionamento das usinas de plasma, que dissociam molecularmente os resíduos, sem emitir fumaça ou gases.
Na verdade, os resíduos são transformados em gases e geram energia elétrica porque são ricos em monóxido de carbono e hidrogênio. O material que não é processado acaba sendo transformado em brita, que pode ser usada na construção civil.
De acordo com Jorge, a usina é autossuficiente e usa de 20 a 40% da energia gerada para se manter. O restante pode ser comercializado.
O empresário mostrou plantas de usinas instaladas em várias partes do mundo, como no Japão, Índia, Estados Unidos, Inglaterra e Austrália. No Brasil, ainda não há usinas de plasma em construção ou funcionamento e a proposta é fazer com que Bragança Paulista seja a pioneira a utilizar o sistema.
A empresa Westinghouse desenvolve projetos desde 1971, inclusive para a Nasa e a General Motors. Ressaltando as vantagens do sistema de processa-mento do lixo por meio de usinas de plasma, Jorge Tomita apontou a localização de Bragança Paulista como algo positivo para atrair investidores, já que a possível instalação da usina se daria por meio de parcerias público privadas, as chamadas PPPs. A suposta usina bragantina poderia também processar lixo de cidades da região, recebendo pelo serviço prestado.
A instalação de uma usina leva cerca de dois anos, conforme explicou o participante, que destacou que ela poderia processar inclusive os resíduos do aterro sanitário existente.
Alguns vereadores questionaram o empresário sobre o sistema. Um dos pontos abordados foi o custo de instalação e operação da usina. Jorge explicou que o custo estimado de instalação é de R$ 250 milhões e, para operação, é cobrada taxa de acordo com o peso do lixo. Segundo ele, a empresa procura cobrar valor igual ao que já é cobrado para a coleta de lixo e destinação ao aterro até para que o novo sistema seja atrativo.
O empresário também foi indagado sobre a área necessária para instalação da usina, ao que explicou que um terreno de 30 mil m2 seria necessário para uma usina de processamento de 250 toneladas de lixo por dia.
Sobre a possibilidade de processamento de lixo hospitalar na usina, Jorge disse que isso não pode ser feito, mas devido à legislação brasileira e não por causa da tecnologia. Em outros países, ele afirmou que é feito o processamento do lixo hospitalar junto ao lixo comum.
“Temos interesse em instalar uma usina em Bragança porque está no centro geográfico da região”, afirmou Jorge Tomita.
O vereador Toninho Monteiro afirmou que o projeto da Westinghouse é muito importante e defendeu a implantação da usina na cidade. De acordo com ele, uma tonelada de lixo produz 1,3 megawatts de energia. A venda da energia contribuirá, na opinião do vereador, para o desenvolvimento econômico do município. Toninho encerrou afirmando que vai trabalhar para que o projeto se concretize na cidade.
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