Na última sexta-feira, 20, foi celebrado o Dia da Consciência Negra. Em Bragança Paulista, o único evento em alusão ao tema, com apoio da Prefeitura, foi a entrega de prêmios do XXI Concurso Estudantil da Ases (Associação dos Escritores de Bragança Paulista) que, neste ano, teve como tema o 80º aniversário do Clube 13 de Maio e a influência afro na cultura bragantina.
A surpresa da noite foi o anúncio, por parte da presidente em exercício da Arcab (Associação Recreativa e Cultural Afro-brasileira), Izilda Aparecida de Toledo, de que a entidade está encerrando seu ciclo de atividades.
A Mesa de Honra da cerimônia, realizada no teatro da Escola Estadual Coronel Assis Gonçalves, foi composta pela presidente da Ases, Apparecida Moreira Pereira, da vice-prefeita e secretária municipal de Educação, Huguette Theodoro da Silva, da presidente em exercício da Arcab, Izilda Aparecida de Toledo, de Ivan Montanari Lima, representando a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, do dirigente regional de ensino, Salim Andraus Júnior, e pela homenageada no concurso, professora Helena Faria.
O início da premiação se deu com a leitura do poema “Vista a minha pele”, de Silas Corrêa Leite.
Em seguida, tiveram início os discursos. A presidente da Ases, Apparecida Moreira Pereira, disse que o tema escolhido para o concurso deste ano foi muito apropriado, levando-se em conta tantos casos de ofensa por racismo que têm ocorrido e sido noticiados na grande mídia. Ela observou que é importante ensinar as crianças a questionar o racismo e agradeceu a todos os envolvidos na realização de mais um concurso estudantil.
Izilda Aparecida de Toledo discursou em seguida, destacando sua gratidão pelo apoio recebido. Ela contou um pouco sobre a história do Clube 13 de Maio, fundado em 14 de outubro de 1881, e da Arcab, fundada em 22 de janeiro de 1988, no centenário da Abolição da Escravatura no Brasil. “A escola, na minha visão, é como um espaço de socialização com pessoas de diferentes culturas, valores, características físicas, etc., enfim, um ambiente multicultural. O educar pela e para as relações raciais possibilita não só a problematização da condição do negro, mas também abarca a discussão necessária sobre o papel do negro, não negro, logo, todos, na desconstrução do racismo. Esse é um exercício constante que exige formação, políticas públicas, investimento, fiscalização e, principalmente, o amor para com o entendimento de que a escola é um local estratégico para o combate contra o racismo na nossa sociedade. Um lugar que reconheça e valorize as diferenças e não as transformem em fatores de desigualdade”, declarou.
Izilda demonstrou orgulho pela contribuição que a Arcab deu nos últimos anos na formação de milhares de jovens, por meio de cursinhos pré-vestibulares, e então surpreendeu a todos quando anunciou o fim da entidade. “Encerra-se esta ciclo, outros virão, mas este se encerra aqui”, concluiu.
Já ao fim da cerimônia, Izilda disse ao Jornal Em Dia que a Arcab está encerrando suas atividades e que a partir de agora os assuntos que ela cuidava serão tratados pelo Compir (Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial), recém aprovado pela Câmara Municipal.
A solenidade teve continuidade com o discurso do dirigente regional de ensino, Salim Andraus Júnior, que defendeu que as pessoas façam o bem na cidade em que moram. Ele também considerou que as pessoas dizem que não são preconceituosas, mas praticam a discriminação de todos os tipos diariamente. Salim afirmou, ainda, que a sociedade perdeu a noção de limites e encerrou agradecendo a todos os professores e coordenadores que participaram do concurso.
A vice-prefeita e secretária Huguette disse que os brasileiros não têm o hábito do registro, mencionando que por meio do concurso realizado pela Ases foi possível transmitir a história do Clube 13 de Maio. Ela considerou que todos os brasileiros têm sangue africano, devido à miscigenação, e fez seus elogios à homenageada, professora Helena Faria. “Essa senhora é um exemplo que muitas pessoas que têm a pele branca não são capazes de dar”, afirmou.
A diretora de comunicação da Ases, Henriette Effenberger, leu, então, a biografia da homenageada, que discursou em seguida, agradecendo pela lembrança de sua pessoa.
Nesse momento, jovens da Arcab fizeram uma homenagem a Izilda Toledo, cantando a música “Noite Fria” e, logo após, deu-se início à premiação.
Aluno por aluno, do primeiro ao terceiro lugar e menções honrosas, foram chamados à frente do auditório para receber um exemplar da antologia, que reúne todos os trabalhos vencedores, e um certificado. Os primeiros colocados de cada categoria receberam também um troféu da Ases.
O concurso estudantil da Ases foi aberto à participação de alunos de escolas públicas e particulares, do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental e da 1ª a 3ª série do Ensino Médio. Alunos dos dois primeiros anos do Ensino Fundamental participaram na categoria Desenho e os demais na categoria Textos. O concurso também foi aberto a professores.
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