Descoberta de riscos iminentes comprova possibilidade de rompimento a qualquer momento, de acordo com a Administração
Os trabalhos de recuperação do barramento do Lago do Orfeu seguem sendo executados pela Prefeitura. Porém, de acordo com a Secretaria Municipal de Obras, o solo encontrado na barragem evidencia que ela poderia se romper a qualquer momento, colocando em risco a segurança das pessoas e o meio ambiente. “No local, encontramos um tipo de solo conhecido como argila orgânica, um termo técnico da engenharia, que é considerado instável e propenso a problemas estruturais. Na verdade, é um ‘solo podre’, e isso é mais uma comprovação da necessidade do refazimento da barragem”, afirmou o secretário de Obras, Benedito Carvalho Júnior.
Em 2019, a empresa Consenge Consultoria e Projetos de Engenharia Ltda., contratada pela Prefeitura para executar levantamentos e estudos para a implantação de dispositivos de retenção e amortecimento de picos de cheia (piscinões) no Parque Municipal Lago do Orfeu, identificou a necessidade de algumas intervenções no local. A Defesa Civil, à época, atestou o risco de rompimento da barragem.
“Foram feitos estudos de sondagem de solo em quatro pontos da barragem e não há erro nisso. A geotecnia, especialidade da engenharia que estuda o solo, não é uma ciência exata, pois lida com a natureza”, comentou Cláudio Guaraná, diretor da Rual Construções e Comércio Ltda., empresa vencedora da licitação para a execução da nova barragem. “Essa argila orgânica é constantemente encontrada nos rios e córregos e acaba dificultando o trabalho”, completou.
Tanto o diretor da empresa quanto o engenheiro responsável pela obra, Carlos Guaraná, corroboram com a tese do secretário de Obras sobre o risco de rompimento que havia. “É uma barragem que tinha mais de 70 anos. Pela experiência, em mais de 30 anos na área, digo que foi Deus quem segurou aquela barragem. A qualquer momento, ela poderia se romper”, comentou Cláudio.
Segundo o secretário Júnior, os trabalhos estão concentrados na escavação até que se chegue a um solo consistente para que se faça, em seguida, o reaterro. “Neste momento, precisamos remover todo esse solo. Estamos acompanhando diariamente essa obra. E posso afirmar com todas as letras: a remoção da barragem já salvou vidas”, concluiu.
A obra ficou paralisada por quase três anos, por conta de uma ação movida pelo Ministério Público que foi julgada improcedente, com decisão de mérito favorável à Prefeitura. Na época, a ação ministerial foi provocada por dois ex-vereadores e também por alguns moradores dos arredores do Lago do Orfeu que contestavam a obra e o corte de algumas árvores. Com isso, as obras ficaram paralisadas, com risco à população e ocasionando um custo maior aos cofres públicos devido ao aumento do valor dos materiais necessários para a execução da obra.

PROJETO
O projeto consiste na reconstrução da barragem e na implantação de extravasor para atendimento às exigências técnicas do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica). A obra faz parte do Plano Municipal de Combate a Enchentes.
No Memorial Descritivo, foram colocadas as especificações técnicas para a execução da Bacia de Retenção e Amortecimento de Picos de Cheias do Lago do Orfeu. Com a nova barragem, o local ficará mais seguro e também ajudará no combate aos alagamentos na região do Campo do Ferroviários Atlético Clube, na Vila Malva e na região da Praça da Poesia. A Administração Municipal também irá refazer todo o paisagismo no entorno do Lago do Orfeu.
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