A proibição da distribuição de sacolas plásticas fabricadas a base de petróleo nos estabelecimentos comerciais, como mercados, que vem sendo experimentada seja por meio de leis ou de campanhas educativas no estado de São Paulo, nos leva a algumas discussões necessárias.
Analisando a situação em Bragança Paulista, constatamos que o ônus das medidas proibitivas recaiu diretamente sobre o consumidor, pois é ele quem deve agora levar sua sacola de casa ou adquirir uma opção reutilizável para acomodar suas compras. E, apenas isso, não fará com que ele consuma menos, como pregam alguns ambientalistas, não.
Fato é que desde que as discussões sobre o tema começaram na cidade, não se viu nenhuma campanha efetiva de conscientização da população, o que poderia surtir melhor efeito. Apenas algumas faixas e cartazes, nada além disso.
O município também fez muito pouco, para não dizer quase nada, quanto à questão da reciclagem na cidade, que nem tem coleta seletiva ainda. Ou seja, a municipalidade cobra dos cidadãos uma postura ecologicamente correta, mas ela mesma não faz a sua parte.
A lei que ora vigora em Bragança também é discutível porque não compete ao município legislar sobre o tema, assim como decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo em outras duas cidades paulistas.
Pensar em alternativas que agridam menos o meio ambiente é louvável, mas outras mudanças de hábito também são tão ou até mais urgentes e necessárias que o uso das sacolas plásticas.
É necessário dialogar, por exemplo, sobre o fato de que ainda não temos na cidade o esgoto tratado, portanto, nossas águas continuam sendo poluídas, vários de nossos cursos d’água foram assoreados por isso, além de atentar para a situação da impermeabilização de solo, que cada vez toma proporções imensuráveis.
Assim, julgamos importante que o poder público pare de empurrar responsabilidades aos cidadãos e arregace as mangas para fazer ações que lhe competem, como: campanhas educativas nas escolas municipais e com toda a sociedade; coleta seletiva, que poderia se iniciar pelas repartições públicas; cobrar ações mais ágeis da Sabesp quanto ao desassoreamento de lagos; e estudar alternativas para o asfalto nas vias públicas, pois atualmente já existem opções mais sustentáveis para a pavimentação das ruas.
São discussões necessárias e que não podem realmente ficar apenas em diálogos e defesas de posições. Mas também não se pode colocar o peso maior de um lado que de outro. A balança tem de estar em equilíbrio.
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