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Saúde

Dia do Médico: “Não há muito o que comemorar diante dos desafios da saúde pública”, diz Dr. Mauro Moreira

Em seu primeiro mandato como vereador, o médico ortopedista conta como concilia seu ofício com a vida pública, analisa a descredibilização de sua profissão e o cenário da saúde no município

Por Joel R. Castilho

No dia 18 de outubro, comemora-se o Dia do Médico e o Dia de São Lucas, padroeiro da medicina, que exercia a profissão e tinha vocação pela pintura. Em homenagem a esses profissionais indispensáveis à sociedade, o Jornal Em Dia Bragança conversou com o médico e vereador Mauro Antônio Moreira, que vem se destacando pela sua atuação na Câmara Municipal, especialmente quando o assunto é saúde pública.

Dr. Mauro foi eleito vereador nas eleições de 2024 pelo Partido Rede, obtendo 1.243 votos, para um mandato no quadriênio 2024/2028. Natural de Penápolis, no interior de São Paulo, ele reside em Bragança Paulista desde 1978. Nascido em 2 de outubro de 1955, o médico tem 70 anos de idade, 44 de profissão e, além da medicina, é apaixonado por futebol, tendo prestado serviços a clubes como Bragantino, Penapolense, São Bernardo, Pinheiros e Atibaia, entre outros.

Sua formação profissional é ampla e inclui graduação na Universidade São Francisco, em 1981, especializações em Ortopedia, Medicina do Esporte e Cirurgia de Joelho, além de mestrado em Educação. Atualmente, ele integra o corpo clínico da Santa Casa local e é diretor-médico do Centro de Reabilitação em Ortopedia e Traumatologia (CROT) na cidade.

Dr. Mauro relembra que a vocação pela medicina surgiu ainda na infância, inspirado por um médico que atendia seu pai. “Eu tinha 4 ou 5 anos, e esse médico era importante para meu pai e minha mãe. Ele era tratado com carinho e tratava meu pai também com carinho. Penso que isso me inspirou. Sou o primeiro médico e o primeiro a cursar universidade na minha família – atualmente, somos 12 médicos”, conta, relembrando que o primeiro contato com a Ortopedia ocorreu quando estava no 4º ano da universidade.

DESAFIOS DA SAÚDE PÚBLICA

Em Bragança Paulista, onde tem vasta experiência, Dr. Mauro avalia a estrutura da saúde pública como insuficiente. “Faltam leitos, falta planejamento, falta diálogo com os profissionais de saúde. Espero que a gestão das UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) e Samu (Serviços de Atendimento Móvel de Urgência) com a nossa Santa Casa tenha sucesso”, diz.

Entre os principais desafios enfrentados pelos profissionais de saúde na cidade, ele destaca a demanda reprimida para cirurgias, consultas com especialistas e por exames. “Esperar com problema de saúde é sofrimento”, fala. Para ele, é fundamental que haja a definição e o cumprimento de protocolos em todos os níveis de atenção, a implantação de programas de prevenção primária e secundária e o aumento da resolutividade das Unidades Básicas de Saúde.

Para garantir um atendimento mais ágil e humanizado, ele ressalta que são necessárias diversas frentes de trabalho, incluindo planejamento e gestão participativa, e a valorização das equipes da Atenção Primária, especialmente dos agentes comunitários de saúde (ACS), criando planos de carreira e fixando esses profissionais na região de atuação. “Humanizar a atenção exige mudança de paradigma: os agentes públicos precisam sempre se colocar no lugar do outro para sentir o que o outro sente e dizer sempre: o outro sou eu”, defende.

Quanto ao funcionamento do SUS em Bragança e no país, ele reforça a necessidade de expansão e qualificação. “É necessário ampliar a rede de atendimento com especialistas, atualização com educação médica permanente para os profissionais da rede, exigir contratos de convênios entre o Executivo e prestadores de serviço com cláusulas de resultado, ampliar a cobertura da ESF (Estratégia de Saúde da Família) para perto de 100% e a construção de um hospital exclusivo para atender o SUS”, enumera.

MEDICINA E POLÍTICA: DEDICAÇÃO À CIDADE

Conciliar o trabalho como médico e a atuação como vereador é um desafio, mas Dr. Mauro considera esta fase de sua vida uma oportunidade de dedicar-se à população de Bragança Paulista. “Desacelerei um pouco a medicina e acelerei a vida política. Meu propósito de vida é dedicar esta fase da minha vida às pessoas da cidade que escolhi para criar e educar meus filhos, mostrar que tem gente boa na política e inspirar pessoas para a política necessária, cuidar do que pertence ao povo e propor um projeto de cidade que sonhamos, a educação pública que sonhamos, o SUS que sonhamos. Juntos podemos pensar a cidade que queremos para os que viverão aqui daqui a 50 anos, com sustentabilidade. Desejamos uma sociedade igualitária nas oportunidades, inclusiva, diversa e acessível, onde todas as pessoas possam viver melhor e com respeito às diferenças”, pondera.

Na Câmara Municipal, Dr. Mauro coordena e participa de projetos voltados à saúde, como a Frente Parlamentar da Saúde, formada por outros dez vereadores comprometidos com o SUS. “A Frente Parlamentar tem como objetivos discutir e propor políticas públicas para a saúde e a construção de um hospital para o SUS em nossa cidade. Temos a oportunidade de, junto com a Associação Médica pelo SUS, Associação dos Psicólogos, OAB, Associação dos Arquitetos e Engenheiros, Associação dos Cirurgiões Dentistas, dentre outros atores sociais, pensar coletivamente e propor políticas para termos o SUS que sonhamos e queremos”, cita.

Ele também integra o grupo de trabalho que discute a saúde mental no município, em parceria com a Associação dos Psicólogos e Instituto Viva Democracia, realizando diagnóstico situacional para propor soluções após ouvir a sociedade e os profissionais da área. Ainda criou, em parceria com o Instituto Viva Democracia e a Unicamp, um programa de formação de gestores e agentes políticos para atuar no serviço público, a Escola de Governo, coordenada por Paulo Miotta e lançada em outubro de 2025.

É PRECISO RESGATAR A CREDIBILIDADE DA PROFISSÃO

Apesar de se orgulhar de sua profissão, Dr. Mauro destaca que o Dia dos Médicos não é apenas um momento de celebração, mas principalmente de reflexão. “Representa muita preocupação e quase nada a comemorar! Não existe categoria ou classe médica como está na imaginação das pessoas. A medicina está mercantilizada, a pseudociência é o suporte para ganho financeiro, os médicos não têm formação científica suficiente para cuidar das pessoas, usam de tecnologia avançada sem critérios técnicos e científicos; há a perda da confiança, falta de empatia, falta de compromisso, médicos de internet, curas milagrosas... Parece que alguns médicos jogaram a ciência médica no lixo”, argumenta.

De acordo com o profissional, a fragilização da relação médico-paciente e a descredibilização da profissão ocorrem em virtude do excesso de escolas médicas e da falta de professores de medicina, a quem chama de “mestres”. “Ser médico é diferente, pois cuidamos do bem mais precioso do ser humano: a saúde – e, uma vez doentes, estamos fragilizados. Muitos esqueceram que estudamos para diminuir o sofrimento das pessoas, para cuidar e amparar aqueles que adoecem, e não para vender serviços de saúde ou vender ilusão com terapias sem comprovação de segurança e eficácia, como soroterapias, ozonioterapias, hemoterapias e outras charlatanices”.

Em sua mensagem aos colegas de profissão neta data simbólica, o especialista alerta: “Estudem medicina, abracem a ciência médica. Ganhar dinheiro é consequência e não objetivo. Tenham compromisso com os pacientes, cuidem deles como gostaria que cuidassem de você ou de alguém que você ama”, conclui.

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