Desperdício de dinheiro público...

Não é de hoje que observamos que nossos governantes não dispensam a devida atenção à Educação. Seja no âmbito municipal, estadual ou federal, há falhas gritantes que urgem serem corrigidas.

Bragança Paulista foi sacudida, nessa semana, pelo caso do descarte de livros pela Secretaria Municipal de Educação. E aqui, cabe destacar, o problema não é apenas o descaso com a Educação, como também o total desprezo com o dinheiro público, com o patrimônio público.

Esses livros descartados, enviados para a reciclagem pela Prefeitura de Bragança foram comprados pelo governo federal, ou seja, com dinheiro público. A primeira pergunta que fica é por que eles não foram destinados às escolas para onde deveriam ir, no caso, E.M. Professora Haidee Marçal Serbin, E. M. Padre Donato Vaglio e E. M. Francisco Murilo Pinto?

O prefeito Jango disse que duas escolas estão desativadas e que a terceira foi roubada no ano passado. Bem, se há escolas desativadas para as quais foram enviados livros, cabe questionar se não havia outras unidades precisando do material. Se não havia, na cidade, nenhuma escola precisando desses livros, será que comunicar o MEC (Ministério da Educação) ou outro órgão competente sobre a sobra de livros não seria mais prudente do que reciclá-los?

Porém, o prefeito se equivocou ao dizer que duas escolas estão desativadas. A E.M. Professora Haidee Marçal Serbin até pode estar desativada, mas funcionava no mesmo prédio da E.M. Maria Erci Ramos Valle, na região da Henedina Cortez, pelo menos até o ano de 2010. Isso porque seu prédio de origem é o que está emprestado à Fatec, no mesmo bairro. Mas, a E. M. Padre Donato Vaglio está regularmente funcionando em prédio alugado, onde está instalada a Escola Técnica Madre Paulina. Estariam os alunos dessa escola sendo privados de ter contato com livros didáticos?

Bom, quanto à E. M. Francisco Murilo Pinto ter sofrido roubo, pode até proceder essa informação. O que precisa ser explicado, e muito bem, é como os livros, outrora roubados, como o prefeito afirmou, foram parar no mesmo depósito daqueles das outras escolas e acabaram todos sendo levados pelo mesmo funcionário da Secretaria Municipal da Educação à empresa de reciclagem?

História mal contada. Fato é que esses livros, ainda com o agravante de estarem em plena validade, jamais poderiam ser reciclados. Será que não há, nesse país tão grande, nenhum município que precisasse desses exemplares?

Nota-se que não há mesmo nenhum respeito com a Educação, nem sequer por parte de pessoas ligadas a ela, haja vista que foi a própria Secretaria Municipal de Educação, conforme as informações que se tem até o momento, que ordenou o descarte. E frise-se que também havia livros de séries de responsabilidade das escolas estaduais.

O mesmo descaso que se observa em relação à Educação pode ser notado quando o assunto é o patrimônio público. É como se o dinheiro público não fosse de ninguém. Ninguém fiscaliza e quando fiscaliza e denuncia, raríssimas vezes se vê justiça sendo feita, responsáveis sendo punidos, tudo acaba em pizza, como se costuma dizer. Ninguém reclama, ninguém faz nada para que a situação mude. E assim, se ela não mudasse, talvez as coisas não piorassem, somente ficassem como estão. Mas o pior é que elas mudam e vão piorando a cada dia. Um novo escândalo, uma nova descoberta sobre atos ilícitos ou imorais...

É preciso dar um basta nisso, povo! O dinheiro público tem dono, sim! Cada uma das pessoas que vivem neste país e pagam seus impostos é dona dos chamados cofres públicos. O problema é que está havendo má administração desse dinheiro, em várias esferas. As falhas que citamos no início desse editorial abrangem não somente a Educação, mas também as várias outras áreas públicas. Falhas essas que dependem de cada um de nós para serem sanadas. É preciso sair da inércia, efetivamente fazer algo para que fatos como o descarte de livros didáticos novos não se tornem comuns, banais em nosso cotidiano. Uma das coisas mais úteis que se pode começar a fazer para tentar reverter esse quadro de total desdém com a coisa pública é votar consciente.

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