Desespero Tropical é uma pesquisa desenvolvida pela artista Bia Raposo desde 2016, composta por desenhos e pinturas de mãos-plantas que se entrelaçam e se distanciam, simbolizando tanto afinidade e solidariedade quanto estranhamento e indiferença. A partir de 2019, o artista Alexandre Beraldo passou a colaborar com o projeto, integrando à pintura elementos como raízes, plantas parasitas e outros organismos, que sugerem ciclos de relações simbióticas e exploratórias.
Em 2025, o Desespero Tropical manteve sua abordagem sobre essas relações metafóricas, indicando ciclos predatórios e levantando questões ambientais e sociais. Nesta edição, o projeto incorporou novas mídias, como projeção mapeada, audiodescrição, placa tátil e relevo, que complementam os elementos plásticos do mural.
A proposta oferece uma narrativa visual potente, que convida à reflexão sobre a emergência climática, a exploração dos recursos naturais e humanos, além de implementar um projeto piloto de acessibilidade para pessoas com deficiência visual e auditiva.
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Bia Raposo e Alexandre Beraldo
Em abril, os artistas Bia Raposo e Alexandre Beraldo realizaram a pintura de um mural na Escola Estadual Professor Luiz Alegretti. A obra seguiu os princípios visuais e conceituais do Desespero Tropical, ampliando o diálogo com o espaço público e a comunidade escolar.

No dia 16 de maio, o mural foi transformado por uma projeção mapeada, também conhecida como video mapping, técnica que permite projetar imagens e vídeos sobre superfícies irregulares, como paredes e edifícios, convertendo-as em telas dinâmicas. O termo “mapeada” indica que a luz incide sobre áreas determinadas da superfície.
No projeto Desespero Tropical, os artistas Alexandre Beraldo e Angelo Lanche desenvolveram efeitos visuais e animações que alteraram as cores e o formato do mural, utilizando um projetor a laser.
“Imagina só: linhas e cores em formato de luz, contornando, animando o desenho e ultrapassando os limites da pintura!”
A atividade reuniu mais de 300 pessoas da comunidade escolar, que se reuniram para apreciar a obra, celebrar os 40 anos da Escola Alegretti, homenagear Marisa de Fátima — diretora da escola há 28 anos — e prestigiar os músicos da Fanfarra Alegretti.

O projeto contou com a assessoria de Mariana Farcetta e adotou diversas medidas para ampliar a acessibilidade:
Instalação de uma placa com QR Code, que direciona para uma áudio transcriação da obra.
Instalação de uma placa em relevo com o desenho do mural, permitindo a exploração tátil da pintura por pessoas com deficiência visual.
Divulgação de um convite sonoro nas redes sociais, incentivando a visitação da obra a céu aberto.
Realização de uma visita guiada com tradução em Libras, proporcionando uma experiência mais aprofundada ao público com deficiência auditiva.

O Desespero Tropical promoveu uma visita guiada que reuniu diversos estudantes, com recursos específicos de acessibilidade:
Para pessoas com deficiência visual: audiodescrição criativa e exploração tátil do mural.
Para pessoas com deficiência auditiva: debate com tradução em Libras.
O encontro foi marcado por muita interação e trocas entre adolescentes e professores. Participaram 30 visitantes de diversas cidades da região bragantina, como Socorro, Piracaia e Atibaia. Entre eles, estavam 8 professoras de Libras, 11 estudantes com deficiência auditiva e um estudante com deficiência visual.
O evento valorizou a diversidade presente em cada corpo, língua e forma de se comunicar, fortalecendo um espaço de convivência acessível, plural e criativo.
“Nesta última ação do semestre, a equipe não poderia estar mais realizada com tantos ensinamentos que recebemos e outras tantas perguntas que ficaram para futuras investigações.”
- Idealização, artes visuais e coordenação geral: Bia Raposo
- Artes visuais, animação e design: Alexandre Beraldo
- Vídeo projeções: Angelo Lanche
- Consultoria em acessibilidade em artes visuais: Mariana Farcetta
- Consultoria em audiodescrição: Bárbara Delgado
- Consultoria em acessibilidade: Coletivo Desvio Padrão
- Roteiro: Mariana Farcetta e Thaís Ortega
- Sonorização: Mafe Carmo, Rádio a Granel e Enrique Menezes
- Locução: Isadora Títto
- Placa tátil: Sergio Brandel
- Fotografia: Renata Theodoro
- Articulação da visita com acessibilidade: Gabriela Alves Pereira e Alexandra Reis
- Equipe de Libras: Taty Holzmann, Ana Silvia Paiva e Airam
- Apoio: Marisa de Fátima, Cibele de Carvalho e Valmir Moreto
- Músicos da Fanfarra Alegretti: Erik, Pietro, Isabelly, Adryan, Walison e Luis Gustavo
Vale ressaltar que este Projeto é realizado por meio do Edital de chamamento público no 15/2024 de Cultura de Bragança Paulista, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura
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