“Andá com fé eu vou; Que a fé não costuma faiá [...]”, canta Gilberto Gil em sua célebre e ritmada canção de 1982, “Andar com fé”.
No universo da fé, sua compreensão transita do mundo real ao espiritual. Pode ser uma crença ou confiança inabalável em algo ou alguém; uma certeza, uma confiança ou esperança absoluta. Algo de foro íntimo, sustentado ou não por um campo religioso, seja ele qual for, mas capaz de mover céus e terras em prol das necessidades cotidianas. Desejos que brotam do fundo da alma e sustentados pela fé se materializam na vida vivida, seja o que for!
Fé que podemos traduzir no desejo de algo que pode efetivamente ocorrer. Não é algo mágico ou fantasioso, mas sim alguma coisa que poderia acontecer de forma real...
Sendo assim, a esperança, uma fé concreta numa realidade mais justa, humana e solidária – esperança essa baseada no esperançar de Paulo Freire, em que a ação se dá de modo real – seria possível e alcançável, bastasse que o desejo ganhasse força, fosse contagiante e reproduzido por toda uma sociedade.
Não são devaneios de fim de ano, nem palavras soltas para reparar os malfeitos de um ano inteiro. Mas desejos reais capazes de imprimir uma outra realidade, muito distante da que estamos vivendo, na qual imperam o egoísmo, a injustiça e a indiferença.
Confiança de que as coisas podem ser diferentes, desde questões pontuais e precisas, como ser mais gentil e respeitoso no trânsito, por exemplo, mesmo que te empurrem e forcem adentrar na hostilidade cotidiana de um lugar tão violento e criminoso; quanto num campo mais amplo e complexo, como a escolha de representantes políticos – lembremos que em 2026 teremos eleições nacionais – que estejam efetivamente comprometidos e atuantes em pautas que preservem direitos e defendam o campo das políticas públicas. Aliás, como seu deputado e senador se comportou durante o mandato? O que eles fizeram de bom para o país? Veja bem se ele merece o seu voto!
A fé de que o Ano Novo, que brevemente se iniciará, será bom passa por todas e todos nós!
São muitos desejos para o Natal e Ano Novo, tantos que talvez extrapolem o saco do Papai Noel, mas podem ser carregados e sustentados por cada um de nós, de modo a aliviar a carga pesada daqueles que carregam o mundo nas costas e veem suas forças exaurirem num mundo onde a luta parece perdida.
2026 pode ser um ano fundamental para definir, talvez, não só os rumos do país, mas os rumos da própria humanidade. Temos pautas urgentes no Congresso Brasileiro, como a questão ambiental, por exemplo, que requer contar com parlamentares extremamente comprometidos. Do contrário, poderemos estar condenando as futuras gerações a não terem futuro...
Outras demandas urgentes, como a escala 6 por 1, para que as pessoas possam ter uma vida mais digna, para além de só trabalhar e trabalhar; pautas vinculadas à reestatização de serviços públicos essenciais – aqui vale destacar que serviços essenciais, como água e energia elétrica, jamais deveriam ser privatizados, pelo simples fato de compreenderem as necessidades humanas básicas do cotidiano –; pautas ainda que passam pela regulamentação das redes e plataformas digitais no país, o que é fundamental tanto para manter a soberania nacional, quanto para responsabilizar e organizar o universo digital... Tantas e tantas pautas que precisam contar com parlamentares “terrivelmente” comprometidos com seu trato. Longe, muito longe, de picaretas que se escondem atrás de discursos moralistas ou mentirosos como estratégia para causar uma espécie de pânico social e focar suas ações em defesa dos seus próprios interesses.
A fé, como canta a melodia de Gilberto Gil, não costuma “faiá”, mas ela depende de nós. Depende do que desejamos e como materializamos os nossos desejos. Nós não podemos mais “faiá”, não dá!
Um Feliz Natal e excelente 2026 a todas e todos!
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Gisele A. Bovolenta é assistente social e professora na Universidade Federal de São Paulo.
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