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Conselho Tutelar realiza eleição neste domingo

Três candidatas concorrem a duas vagas: de titular, para completar o atual colegiado, e de suplência

Neste domingo, 16, das 8h às 17h, acontece a eleição do Conselho Tutelar de Bragança Paulista. O pleito será realizado na E. M. Professor Orlando Pinto de Oliveira, localizada na Rua Eusébio Savaio, 96, no Lavapés. 

Com três candidatas, esta eleição tem duas finalidades: eleger a titular que completará o atual colegiado, na vaga que foi de Marisa Lima, conselheira que faleceu em março do ano passado, vítima de Covid-19, e eleger a suplente para cobrir os períodos de vacância de todos os conselheiros. 

“A candidata mais votada assume a vaga deixada pela nossa querida Marisa, a partir de 10 de fevereiro. A eleita já passa a ser conselheira titular porque o colegiado é formado por cinco pessoas e estamos com ele incompleto. Ela fica conosco até o fim do mandato, que termina em 10 de janeiro de 2024. A segunda candidata mais votada ocupa a vaga de suplência, para cobrir as vacâncias referente aos períodos de aquisição de férias dos demais conselheiros. Considerando a possibilidade da segunda colocada não querer cobrir essas férias, a terceira candidata é convocada para a vaga”, explica Simone Migliorelli Marques, coordenadora do Conselho Tutelar. No momento, além dela, são conselheiros tutelares do município, Vanessa Gonçalves Alvarenga, Julius Salomão Lins Oliveira e Solange Sousa Morale.

A eleição para eleger as novas conselheiras tutelares não é obrigatória. Por isso, Simone aproveita a conversa com o Jornal Em Dia para fazer um pedido especial à população: “É importante que as pessoas compareçam para escolher, mais uma vez, as representantes para esse órgão que é de extrema importância para as nossas crianças e nossos adolescentes, principalmente neste momento que a gente vem passando, de pandemia, de ensino remoto. O Conselho Tutelar, junto à toda rede de garantias de direitos, continua buscando, no meio desse turbilhão, manter e zelar pelo cumprimento dos direitos de nossas crianças e adolescentes”. 

LEGADO

De acordo com Simone, no último dia 10, completou-se dois anos do mandato do atual colegiado. E esse é o primeiro dos mais de 20 anos de militância de Marisa Lima que ela não concluiu. 

“De todas as eleições para o Conselho Tutelar que a Marisa participou, em apenas uma ela não ficou em primeiro lugar, foi quando ficou suplente da irmã dela, Magali. Mas a Magali não assumiu e a Marisa acabou assumindo a vaga de titular e, desde então, ela nunca mais participou de uma eleição e ficou para trás. De todos os processos que ela participou, ela sempre veio como primeira colocada e, por isso, ela sempre presidiu as primeiras reuniões dos colegiados eleitos, inclusive deste. Por várias vezes, ela esteve como coordenadora. Agora, infelizmente, bem próximo de quando completamos dois anos de mandato e no dia da eleição, também completamos dez meses sem Marisa. Ela faleceu vítima da Covid-19 em 16 de março de 2021, em uma data muita próxima de completar seus 50 anos de idade, em que ela planejava uma grande festa. Ela dizia que tudo o que ela queria era fazer uma boa festa, mas sabia que não poderia por causa da pandemia, mas certamente ela iria fazer alguma coisa virtual, porque ela gostava muito de aniversariar”, conta Simone. 

A vaga deixada por Marisa ficou aberta até agora, de acordo com Simone, pela dificuldade de se fazer uma eleição presencial em período atípico. “Foram anos in-comuns e que fugiram do nosso controle. Foi algo que não tínhamos como controlar. O próprio CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes) não tinha como fazer a eleição presencial fugindo dos protocolos de segurança. A Marisa falava muito disso, da importância de ter o colegiado completo. Claro que, sem ela, pra mim sempre vai ser incompleto”, fala Simone. 

Marisa Lima começou sua história no Conselho Tutelar de Bragança Paulista no final de 2001. Em um relato pessoal que publicou em 2019, e apresentado por Simone ao Jornal em Dia, ela diz: “todas as pessoas tiveram papéis importantíssimos lá [no Conselho Tutelar]. Choramos, rimos, adoecemos, valorizamos a vida em comparação às de outras pessoas. Fiz excelentes amigos e algumas pessoas também se chatearam comigo e eu tenho certeza disso. Aprendi muito e sempre quis me tornar uma pessoa melhor e espero em Deus que isso aconteça”. Em outra parte do texto, ela diz: “Fiz mais de 500 acolhimentos e isso não me orgulha, mas muitas crianças e adolescentes deixaram de sofrer pelas minhas mãos. Fui ameaçada de morte na porta da minha casa, mas Deus sempre me livrou do mal e atendia as minhas súplicas. (...) Vou para o meu sexto processo de escolha e é como se fosse o primeiro, meu estômago gela ainda, pois é sempre um desafio e a luta não é fácil, mas persevero e sigo adiante”.  

“Ela deixou um legado, deixou muito aprendizados, ensinamen-tos, sobre o trabalho, sobre o compromisso e, principalmente, sobre a paixão de estar servindo o município por meio da infância e da adolescência. Pensar em tudo o que houve mexe muito com a gente, mas eu acredito que é preciso sempre estar falando, sempre estar citando. E, no que depender de mim, não vou deixar de falar, nunca. Porque gratidão e honra a gente leva por toda uma vida”, conclui Simone.

O Jornal Em Dia conversou com as três candidatas e pediu para que respondessem à seguinte pergunta: “No caso de ser eleita, como você acredita que seu trabalho pode acrescentar ao Conselho Tutelar de Bragança Paulista?”. Confira as respostas e conheça um pouco mais sobre cada uma delas. 

1 - Indaiá Maria da Silva

“Sou pedagoga, mãe de três filhos e trabalho na área da Educação há 26 anos, pois acredito no desenvolvimento integral das crianças e venho contribuindo na transformação de vidas, multiplicando meus conhecimentos e sou grata pelo trabalho desenvolvido. Mas chega um momento em nossas vidas em que queremos mais desafios, contribuir, lutar, reivindicar e ir de encontro ao que nós acreditamos. Então, eu quero e vou lutar pelos direitos das crianças e adolescentes de nosso município, encaminhá-las para a rede de proteção, orientá-las sobre o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), auxiliar para que família, poder público, sociedade, enfim, todo o sistema de garantia de direitos se fortaleça”. 

Indaiá tem 46 anos, é formada em pedagogia pela USF (Universidade São Francisco), trabalha na Prefeitura de Bragança Paulista há 26 anos, dos quais 20  foram dedicados à Educação Infantil e seis à Educação Inclusiva. Durante esse período, teve a oportunidade de fazer vários cursos na área de desenvolvimento infantil, inclusão e alfabetização.

2 - Netânia G. Belém de Carvalho

“Caso seja eleita, tenho certeza que posso contribuir ao colegiado em exercício, pois tenho experiência e conhecimento da dinâmica interna e externa do Conselho Tutelar, os quais são realizados atendimentos internos com orientações e encaminhamentos, solicitações de atendimentos com toda a rede de garantia de direitos, bem como atendimentos externos, que são ocorrências, palestras, reuniões e plantões. Tenho um compromisso com a infância, adolescência e a família, e com o cumprimento dessa missão em zelar pelos direitos dos mesmos,  atuando em defesa e proteção dos direitos de nossas crianças”.

Netânia tem 35 anos, é casada, mãe, formada em Pedagogia desde 2012.  Cursa a segunda graduação, em Serviço Social. Iniciou em trabalhos voluntários com crianças e adolescentes em igrejas e afins, aos 18 anos. Ao ingressar na faculdade de Pedagogia desenvolveu projetos no programa escola da família com crianças e adolescentes do território escolar. Já atuou como conselheira tutelar por dois mandatos, sendo o último com término em janeiro de 2020. No Conselho Tutelar, fez inúmeras capacitações referente ao ECA e sistema de garantias de direitos. Participou de simpósios estaduais e nacionais. 

3 - Verônica Cristina Oliveira Godoy

“Acredito que posso contribuir como conselheira tutelar, por ter trabalhado com adolescentes na Fundação Casa de Atibaia por sete meses, no próprio Conselho Tutelar por quatro meses no ano de 2019, por ser mãe, avó e gostar muito desse público-alvo. Fui mãe aos 14 anos de idade e sei bem a realidade de uma adolescente quando essa não tem o apoio da família no caso de gravidez na adolescência. Meu trabalho no Conselho, bem como todos os outros conselheiros, é baseado no ECA, trabalhamos embasados na lei e com muita vontade de ajudar, pois isso faz toda a diferença, não simplesmente achar que é mais um caso. Não, cada caso é único e merece toda nossa atenção e disposição. Gosto muito de trabalhar com pessoas, atender, encaminhar e ajudar de alguma forma. Por esse motivo estou concorrendo à vaga”.

Verônica é casada e mãe de três filhos. É formada em Serviço Social pela Unip (Universidade Paulista). Trabalhou como assistente social na Fundação Casa de Atibaia e no Conselho Tutelar. Trabalhou no Bairro Green Park quando a Fundação Comunidade da Graça atuava ali, com famílias e crianças, em trabalho social. 

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