Em 5 de junho, comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente, instituído em 1972 durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, organizado pela ONU (Organização das Nações Unidas). A data foi escolhida para coincidir com a da realização dessa conferência e o objetivo principal é chamar a atenção de todas as esferas da população para os problemas am-bientais e para a importância da preservação dos recursos naturais que, por muito tempo, foram considerados inesgotáveis.
A partir dali, teve início uma mudança no modo de se ver e tratar as questões ambientais ao redor do mundo. Também foram estabelecidos princípios para orientar a política am-biental em todo o planeta.
Hoje, quase 50 anos depois, sabe-se que sim, os recursos não são inesgotáveis. E que quando se fala em “chamar a atenção de todas as esferas da população”, isso inclui todas as pessoas, sem exceção. Não é um problema apenas “deles”, do Poder Público, de ambientalistas ou de biólogos. É um problema de cada indivíduo, que vai desde o simples fechar da torneira ao escovar os dentes à decisão de não cortar uma árvore no quintal.
O Jornal Em Dia conversou com Teresa Montero Otondo, que é colaboradora do Coletivo Socioambiental, membro da Associação Bragança Mais e co-fundadora da Associação de Cafeicultores de Bragança Paulista. Ela enfatiza que não tem formação na área ambiental, que começou a se dedicar à natureza e ao meio ambiente depois de aposen-tada. Mas é justamente esse exemplo de “pessoa comum” que precisa ser considerado, de que é possível que cada um faça o que lhe cabe em prol do todo, que é o planeta.
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“Todas as coisas que eu faço são no sentido de desenvolver ferramentas e atividades para envolver as pessoas na questão ambiental, porque eu acredito que nós somos responsáveis pela terra que nos abriga e que ela vai muito bem obrigada, se a gente deixar”.
Teresa, junto com os grupos dos quais faz parte, trouxe a ideia para Bragança de formar o movimento de observação de aves urbanas para levar o contato com a natureza para as praças, que é onde a população da cidade pode, mais acessivelmente, ter a experiência e conhecimento prático de convivência com a natureza. “Tem muita coisa que podemos fazer para entender a nossa relação com a natureza, que tem que ser uma relação simbiótica, que agrega e não que exclui ou isola. Não se põe uma árvore em um cercadinho, ela tem que estar livre, assim como nós somos livres”, explica.
Quando se fala em natureza e em meio ambiente, se pensa no ser humano apenas como o agente transformador e não como algo que também faz parte da natureza e, portanto, precisa ser preservado da mesma forma. Quando se fala em saneamento básico, se fala em preservação do solo, mas também do ser humano, que vai usufruir da água. Quando se fala em preservação das matas e de alimentos livres de agrotóxicos, também se fala em preservação do ser humano. Assim como há 49 anos, foi preciso criar mecanismos de preservação para que a situação não estivesse ainda pior do que está hoje, é preciso fazer algo hoje para que os humanos das gerações futuras possam viver em um lugar mais saudável e acolhedor.
“O meu foco é o ser humano, em contato, em convivência, em união com a natureza e ela está aqui. Vamos começar pela praça, pelo quintal. Todas as atividades em relação ao Meio Ambiente passam por aí, pela atuação do ser humano consciente de que ele é simplesmente um hóspede dessa Terra, porque o planeta vai muito bem sem a nossa presença. É uma obrigação dar um retorno a esse elemento vivo que nos abriga e nos dá de comer”.

Falar em observação de aves como ação de preservação do Meio Ambiente causa um certo estranhamento. Teresa conta que a Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, estuda o movimento das aves pelo mundo e reúne em uma espécie de mapa. “Se o pardal, um passarinho comum, de repente some é porque alguma coisa aconteceu, há alguma novidade no Meio Ambiente local. Se aparece uma ave que não é de costume estar na região é porque algo aconteceu”. Vide a proliferação de maritacas na região urbana, já há alguns anos, que aumentou na mesma proporção que os condomínios ao redor da cidade.
“A natureza não é estática, ela reage e ela interage. E ela precisa ser diversa. Estamos vendo que a monocultura talvez não seja uma boa ideia. A diversidade é mais sadia”, analisa. Nas regiões urbanas a observação de aves acontece normalmente nas praças, que é o lugar mais acessível. “É preciso trabalhar o conceito de praça como o pulmão verde, como nosso elo com a terra e o céu, com a árvore, a chuva e o ar. Hoje os urbanistas estão descobrindo isso, que se a gente não se der conta de que é amiga, vai ser muito problemático para as cidades, mais do que está. A partir de uma árvore a gente põe em questão todo o nosso modo de vida”.

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