Bragança Paulista contabilizava até a tarde de ontem, 289 casos notificados de Covid-19, sendo 110 confirmados, 155 descartados e 24 casos suspeitos, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde divulgados na sexta-feira, 8. O índice de isolamento social divulgado pelo sistema do governo do estado de São Paulo registrou que o município teve 45% de isolamento social na quinta-feira, 6, uma das piores taxas do estado.
A secretária de Saúde, Marina de Oliveira, alertou a população para que fique em casa o máximo possível. “Com esse índice, nossa cidade poderá ficar comprometida com essa liberação do comércio. Precisamos nos unir para frear a velocidade da transmissão e contribuir para subir a taxa de isolamento no município. Eu sei que grande parte aderiu ao uso de máscaras, mas fiquem em casa e saiam para absolutamente o necessário. Se queremos um futuro de liberação gradativa da economia precisamos colaborar com as medidas preventivas e individuais”, disse.
A Prefeitura comprou 11.500 testes, que são enviados em lotes, e já foram aplicados 2.145 entre testes rápidos e moleculares. Por meio dos testes rápidos, 1.900 pessoas foram testadas, das quais nove foram positivadas para Covid-19, sendo seis profissionais da área da saúde. De acordo com a proporção de pessoas infectadas, estima-se que a transmissibilidade do coronavírus em Bragança Paulista esteja em 4,5%.
Um levantamento estatístico feito pela Secretaria de Estado da Saúde e do Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi-SP) aponta avanço do coronavírus em 38 novas cidades paulistas a cada três dias. A evolução acelerada da contaminação no interior e no litoral ocorre ao mesmo tempo em que caiu a taxa de isolamento social em todas as regiões.
Segundo a análise, o vírus que estava restrito à Região Metropolitana de São Paulo até o meio de março avançou pelo interior e litoral. O levantamento aponta que, em menos de 45 dias, o coronavírus chegou a todas as regiões.
Em 17 de março, apenas nove municípios da Região Metropolitana de São Paulo apresentavam casos e somente a capital registrava óbitos. Os números mais recentes, no entanto, apontam que essa doença se espalhou por todo o território paulista, com casos confirmados em 332 municípios (51,5% dos 645 do estado) e com mortes registradas em 150 deles.
Apesar do número absoluto de infectados ainda se concentrar nesta região, o contágio cresce proporcionalmente a um ritmo quatro vezes mais rápido no interior e litoral do que na Região Metropolitana.
Entre os dias 1º e 30 de abril, a Grande São Paulo passou de 2,7 mil para 24,3 mil casos, um crescimento de 770%. No mesmo período, no interior, os casos subiram de 129 para 4,3 mil, o que representa aumento de 3.302%. Nessa quinta-feira, 7, São Paulo chegou a 39.928 casos em todo o estado, com 3.206 mortes.
FLEXIBILIZAÇÃO DA QUARENTENA
Apesar dos índices no município, na quinta-feira, 7, o prefeito Jesus Chedid encaminhou ao governador João Doria ofício solicitando que a cidade seja incluída na flexibilização da quarentena para retomada da atividade do comércio. No documento, foram listadas todas as medidas para o enfrentamento da pandemia no município, ressaltando que a Prefeitura publicou decretos se antecipando quanto ao fechamento do comércio, proibição de aglomerações e uso de máscaras antecipadamente aos decretos publicados pelo governo do estado.
QUARENTENA É PRORROGADA
Diante do quadro dos municípios paulistas, a possibilidade de flexibilizar a quarentena está suspensa em todo o estado. A prorrogação se deve ao ritmo acelerado de contágio do coronavírus e o aumento crítico no total de infectados e de mortes por Covid-19, com risco iminente de colapso no sistema de saúde.
A média paulista chegou a 47% na última quinta, 7, muito longe da taxa considerada ideal, de 70%, e abaixo do mínimo de 55%, estipulado como nova meta pelas autoridades em saúde.
Na região metropolitana da capital, a taxa de ocupação de leitos para pacientes de coronavírus é de 89,6% em UTI e 74,9% em enfermaria, enquanto os índices estaduais ficam em 70,5% e 51,3%, respectivamente. Para que São Paulo possa sair da quarentena sem colocar o sistema de saúde em risco, os índices de ocupação hospitalar por Covid-19 precisam ficar abaixo de 60%.
PLANO SÃO PAULO
A retomada total das atividades econômicas será norteada pelo Plano São Paulo, que vem sendo construído em diálogo permanente com o setor econômico. O estado já recebeu e analisou contribuições de mais de 150 entidades e 250 empresas, que apresentaram mais de 3 mil diretrizes e propostas. As medidas vão priorizar os setores de acordo com a vulnerabilidade econômica e empregatícia. As áreas de Transportes e Educação terão faseamento diferenciado.
CONSELHO MUNICIPALISTA
O governador ainda anunciou a criação do Conselho Municipalista, que irá pactuar as futuras decisões de flexibilização da quarentena e retomada total da economia em São Paulo. O grupo será composto pelos 16 prefeitos de cidades sede de regiões administrativas do estado e pelo governador João Doria, o vice-governador Rodrigo Garcia e os secretários de estado José Henrique Germman (Saúde), Marco Vinholi (Desenvolvimento Regional), Patrícia Ellen (Desenvolvimento Econômico) e Henrique Meirelles (Fazenda e Planejamento).
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