CHURRASQUINHO?

Apontamentos do Ministério Público indicam diversos gastos irregulares por parte dos vereadores na legislação passada. Gastos estes que vão da pamonha à churrascaria. Se eles vão ter de devolver o dinheiro, vai ficar pra Justiça decidir, agora, o povo não pretende deixar barato não. Na última sessão da Câmara, entre outras manifestações, rolou um “churrasquinho popular”, bem mais econômico do que aqueles que nosso dinheiro acabou bancando pra eles.

 

NÃO ESTAVA COMBINADO

É claro que o churrasquinho não estava combinado com os nossos parlamentares, até porque nós também não fomos convidados para o deles. O que também não estava “ensaiado” com os vereadores foram as perguntas contundentes e os gritos de “por quê?” proferidos em massa pelo povo que ocupava o plenário enquanto  Guto Ninni La Salvia questionava o “golpe da caneta” que pretende, por mera decisão da Mesa Diretora da Câmara, aumentar o número de vereadores para dezenove na próxima legislação.

 

NÓS DEVEMOS DECIDIR

A cidade é nossa, não deles. Vereadores, prefeito, vice-prefeito, secretários e afins, estão sendo muito bem pagos para nos servir, daí o nome: servidores públicos. Eles devem representar, acima de tudo, os nossos interesses. Dessa forma, se é de interesse do povo que se mantenham onze vereadores, ou que se aumente para quinze, como alguns defendem, é assim que deveria ser. Imaginemos até que, no final de um grande debate entre os diversos segmentos da sociedade bragantina, chegássemos a um consenso sobre os dezenove vereadores, por que não? O que não podemos admitir é mais essa falta de respeito e, por meio de uma decisão arbitrária como essa, que o custo da máquina pública, que já não é baixo, aumente ainda mais. 

 

11 VEREADORES E UM SEGREDO

O projeto de lei que colocaria fim à votação secreta na Câmara Municipal não foi aprovado. Os nobres vereadores, com isso, perderam uma grande oportunidade de ao menos demonstrar um pouco mais de transparência nas aprovações ou rejeições dos projetos de lei.

 

E A CICLOVIA?

Já faz bastante tempo que o vereador Marcus Valle vem trazendo essa discussão à tona: a construção de uma ciclovia. Tal projeto facilitaria muito o acesso e daria mais segurança pra muita gente em nossa cidade que utiliza a “magrela” como meio de transporte. Numa época em que devemos pensar cada vez mais no desenvolvimento sustentável pra nossa cidade, uma ciclovia, apesar de nossa topografia não ser muito lá favorável, nos cairia muito bem. Poderia ajudar, inclusive, a atenuar o problema do trânsito, se tivéssemos um projeto bem pensado, discutido e elaborado. O problema é que iniciativas como essa acabam por nem sair do papel. Faz tempo que não converso com o Marcus a esse respeito e não sei dizer se a discussão já passou formalmente pela Câmara nesta legislatura. O problema é que em ano de eleição, todos estão mais preocupados em garantir o seu lugarzinho à sombra.

 

CIRCULANDO IDEIAS SUSTENTÁVEIS

Falando em sombra, ontem, na ex e eterna “pista de skate” do Lago, por iniciativa da Escola Viverde, aconteceu o evento “Circulando ideias sustentáveis”. Debaixo de um belo sol, a molecada teve a oportunidade de mostrar e discutir ideias que podem fazer com que a nossa vida fique mais “verde”, por assim dizer. Entre outras coisas, eles estavam passando um abaixo-assinado cobrando do Poder Público a construção de uma ciclovia. Foi aí que contei pra eles que essa é uma ideia que já partiu de um vereador de nossa cidade, mas que, infelizmente, ainda não saiu do papel. Mesmo assim, os encorajei a continuar coletando as assinaturas e cobrando. Quem sabe pelas crianças...

 

FIM DO MAIO CULTURAL – ATRAÇÕES BRAGANTINAS

Semana passada escrevi sobre o Maio Cultural que, infelizmente, já chegou ao seu final. É claro que o evento como sempre agregou muito valor à nossa Cultura, mas, como tudo na vida e no Poder Público, pode ficar melhor. A secretaria ainda precisa acertar o tom quando o assunto é a divulgação dos nossos eventos. O material, por razões diversas, demora muito a ficar pronto e acaba sempre feito meio que “às pressas”, o que dificulta sua posterior distribuição. Outra coisa que citei foram as atrações bragantinas. Em eventos como esse certamente devemos valorizar os nossos talentos. Acompanhei, por exemplo, uma belíssima apresentação de Samba de Raiz do grupo Fina Estampa na Praça. Infelizmente, não pude ver os meus amigos do Demozi Trio na noite do encerramento, que devem ter mandado muito bem. Outros artistas também deram grande valor ao Maio Cultural, como o Rafinha Schimidt, o Fabiano Pires e outros parceiros, mas ainda é verdade que precisamos de outro tipo de evento para dar mais “rodagem” a outros artistas da nossa terra que ainda não estariam prontos para encarar um festival dessa importância.  

 

PREOCUPAÇÕES COM O FESTIVAL DE INVERNO

Vem aí o Festival de Inverno e outras coisas me preocupam. Não acho interessante contratar bandas covers (que tocam somente músicas de autoria de outras bandas) para tocar nesse tipo de evento, a não ser que tivéssemos talvez uma noite ou semana específica pra isso. Pra ver uma banda fazer um “tributo ao Pink Floyd”, ou executar com perfeição a discografia do Led Zeppelin, qualquer um pode ir a um bar onde se toca esse tipo de som, existem vários assim por aí. O Festival de Inverno, a meu ver, deve ter um caráter mais cultural. Dessa forma, deve-se valorizar bandas e artistas com outras características, seja compondo suas próprias canções ou mesmo fazendo leituras novas e diferenciadas sobre a obra de artistas já consagrados. Existem muitos artistas (novos ou não) que podem não ter muito espaço nos grandes veículos da mídia, mas que fazem um belíssimo trabalho autoral. Outra coisa que deve ser mais bem pensada é a adequação do caráter do artista ao local que vai se apresentar. Lembro-me do show da Jane Duboc que foi um sucesso na Casa de Cultura, mas, ao mesmo tempo, assisti a um show do Lô Borges (um ícone da nossa música popular) com meia dúzia de gatos pingados no Lago.

 

ESPAÇO PRAS MÚSICAS NOVAS

Ainda nessa linha, penso que uma das principais funções de uma Secretaria Municipal de Cultura é dar subsídios para o desenvolvimento da arte em suas mais diversas formas. Um evento que abrisse espaço para bandas e artistas (bragantinos ou não) novos tocarem suas próprias composições, além de não custar muito caro, daria uma superforça para quem está a fim de mostrar o seu trabalho e acaba desistindo, porque não encontra espaço nos barzinhos que, por razões comerciais, muitas vezes, preferem apostar em outras propostas. Nada contra os artistas covers, pelo contrário, eu mesmo já toquei muita música dos outros por aí (e ainda toco), seja por diversão ou mesmo pra abrir mais espaços pra tocar. Mas também sei o quanto é mais difícil conseguir um lugar pra tocar quando você fala que seu repertório é composto basicamente por canções de sua autoria. Sem músicas novas, sem artistas novos, sem arte nova.

 

PRA FINALIZAR

“Quando descobri que o máximo que podiam fazer era prender o meu corpo, percebi a extensão da minha liberdade” (Henry David Thoreau)

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image