Não é de hoje que venho te observando, meu querido Francisco. Não é de hoje que noto a sabedoria de sua escolha refletida em sua proximidade com o meu muito amado outro Francisco. Ah... Você são tão parecidos! Não foi à toa que o escolhi outrora para reformar minha igreja, e o escolho agora para a mesma urgente tarefa.
Nossa igreja, Francisco, depende de sua compaixão, de sua humanidade, de cada um de seus atos de bondade e igual alegria.
Por isso, Francisco, escrevo-lhe para dizer-lhe, ou melhor, confirmar-lhe que era eu aquele dia. Você me reconheceu, não foi? Era mesmo eu, sou sempre eu, visitando-lhe sob a face daqueles a quem mais amo, ou a quem mais amamos, não é mesmo?
Você conseguiu enxergar-me na espontaneidade daquele garoto, não? Por que é isso o que sou: A espontaneidade do amor.
Viu como ele literalmente saltava de alegria por vê-lo? Pois é assim que me sinto. Meu corpo todo sente-se percorrido por um “frenesi”, uma energia tão intensa, uma felicidade tão genuína ao vê-lo representando fielmente aquilo que sou!
Ainda bem que seu colega, constrangido diante de minha empolgação, cedeu-me lugar a seu lado. Queria mesmo era te abarcar, Francisco, agradecer-lhe pela ousadia de ter aceitado meu convite de ser inteiramente meu.
Há tanta vida em ti, Francisco! Mais vida que em um La Bombonera lotado. Há um entusiasmo tão corajoso em ti, Francisco, como aquele que só nasce naqueles que escolheram o pesado caminho da bondade.
Há uma leveza em seu sorriso, Francisco, leveza essa de que só são capazes os verdadeiramente misericordiosos. Há tanto de mim em ti, Francisco, como você nem supõe...
Por isso é que não o deixo, Francisco. Por isso é que o fortaleço, Francisco. Por isso é que o acompanhei em sua caminhada na Praça de São Pedro, enquanto os olhos de todo o mundo o julgavam solitário e um vírus mortal assolava milhões de filhos meus. Estava contigo, Francisco. Ainda estou.
Obrigado, meu amigo querido, permita-me chamá-lo assim... Obrigado pela santa ousadia de sua obediência e de seu amor.
Ah, e não se preocupe, que vez por outra apareço para lembra-lhe de que nunca te deixei, seja sob a forma de uma criança, um doente, um mendigo, que eu sou tudo e todos eles, você bem o sabe. Sou tudo quanto você corajosamente ama!
Obrigado, Francisco!
Segue o link para o vídeo que inspirou esse texto: https://www.youtube.com/watch?v=KGM8oi0gmww
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