Carnaval e Festa do Peão

Duas licitações importantes estão prestes a acontecer em Bragança Paulista, caros leitores. Talvez, nem todos se interessem tanto assim por elas, mas é preciso admitir que esses processos licitatórios que estão por vir giram em torno de dois eventos que movimentam a cidade de forma bastante representativa, seja em termos financeiros ou de público.

Trata-se das concorrências públicas para o Carnaval e para a Festa do Peão, ou deveria dizer, para a Festa do Peão e para o Carnaval, porque, estranhamente, apesar de a Folia de Momo acontecer primeiro, sua licitação ocorrerá após a da Expoagro.

Mas deixando esse detalhe de lado e voltando ao fato de que os dois eventos são de grande porte, é preciso levar em conta alguns pontos.

No ano passado, a Festa do Peão atraiu 180 mil pessoas, em dez dias de evento. Ano após ano, críticas acompanhadas de sugestões são feitas pela população e por seus representantes, os vereadores. Porém, ainda não há nenhum anúncio oficial de que alguma mudança será promovida.

Havia sugestão, por exemplo, de que o evento fosse reduzido, passasse a ter apenas um fim de semana, mas isso já está descartado, haja vista que o edital prevê que a festa ocorra de 4 a 13 de abril.

Um dos problemas é que o evento atrai milhares de visitantes de outros municípios e isso deveria ser algo muito bem-vindo, não fosse o fato de que esses “turistas” não têm um comportamento tão agradável. Todos os anos, há relatos de moradores do entorno do Posto de Monta sobre pessoas urinando em suas calçadas, muros ou portões, barulho excessivo e congestionamento das vias públicas por conta de inúmeros veículos que estacionam em locais próximos à festa. É claro que também há bragantinos responsáveis por atos como esses. Contudo, mais importante do que apontar culpados, o ideal é que haja preocupação efetiva no sentido de evitar e coibir esse tipo de conduta.

Já o Carnaval 2013 atraiu quase 50 mil pessoas ao recinto da Passarela Chico Zamper, em quatro dias, com o diferencial de que se tratava de um evento grátis. Neste ano, há a proposta da terceirização e isso deve pôr em xeque a tradição tão propagada da festa. Pelo fato de haver a obrigatoriedade de um show artístico, que deve ser escolhido dentre opções de renome da música, pode até ocorrer de o público ser bem maior, especialmente na data dessa apresentação.

Mas, provavelmente, não haverá grande público nos desfiles das escolas do Grupo de Acesso, como já vem ocorrendo há alguns anos. É notório que a população enche as arquibancadas e camarotes para assistir aos desfiles das agremiações do Grupo Especial e as escolas do Acesso enfrentam dificuldades até para compor seus integrantes, que dirá a plateia.

É um dado que deve levar os responsáveis a refletir sobre um novo modelo de Carnaval, afinal, vale a pena investir tanto dinheiro público para sequer haver plateia razoável na avenida? Não é a primeira vez que lançamos esse questionamento, mas, agora, que aparentemente há a intenção de promover mudanças, quem sabe ele seja levado em conta.

Não é nossa intenção contribuir ou defender que tradições acabem, mas, muitas delas estão acabando por si mesmas. E, nesses casos, não se pode concordar que verbas públicas financiem eventos só porque um dia foram tradicionais, agregaram público, cultura.

Mas, voltando a falar das licitações, já há muita gente fazendo apostas sobre qual empresa vencerá as duas concorrências. A não ser que outra se preste a concorrer e tentar quebrar a hegemonia da Sâmor na cidade, não haverá muitas novidades. Sâmor, Estrela Som ou outra do grupo são as favoritas. O poder público deve atuar firme no sentido de fiscalizar e cobrar o cumprimento dos contratos.

No mais, aguardemos os acontecimentos.

Uma boa semana a todos!

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