Carnaval

Impossível não falar, nesta semana, caros leitores, sobre o Carnaval. Sobre o novo modelo implantado pela Administração Fernão Dias/Huguette e que, de modo geral, não agradou.

Na verdade, o novo modelo trouxe várias alterações quanto ao modelo antigo. A primeira foi a terceirização da estrutura da festa, o que resultou em economia significativa para os cofres públicos. Antes, era a Prefeitura que realizava licitação e contratava empresa para a montagem de arquibancadas, cercamento do recinto e, consequentemente, pagava por isso.

A entrada ao recinto nunca foi cobrada. O que se pedia, dos últimos anos para cá, era a doação espontânea de quilos de alimento. Neste ano, iniciou-se a cobrança. Porém, outra alteração promovida foi a oferta de artistas, o que resultou nos valores diferenciados dos ingressos.

É complicado medir se isso causou confusão, se a população sabia que apenas para ver as escolas de samba do Grupo Especial pagaria menos, mas é certo que faltou uma parceria mais sólida com a Liesb (Liga Independente das Escolas de Samba) e com as escolas de samba. Uma parceria que tornasse as quadras das agremiações pontos de venda de ingressos, por exemplo, pois é nesses locais que se concentra grande parte do público que realmente gosta de Carnaval.

O secretário Noy Camilo discordou, mas entendemos que a divulgação da festa também não foi suficiente. Os meios usados neste ano podem até ser diferentes, mas não surtiram efeito, não agregaram público aos desfiles ou aos shows.

E, falando em shows, o local em que o palco foi montado despertou descontentamento muito grande de quem prestigiou o evento. A impressão que se teve era de que a estrutura foi armada pensando-se apenas no público do camarote, o que representa um verdadeiro desrespeito aos demais participantes da festa. Além disso, e se os shows trazidos tivessem atraído público grande? De onde essas pessoas assistiriam às apresentações?

As escolas de samba do Grupo Especial merecem os parabéns porque realizaram o trabalho que sempre fizeram, apesar das adversidades, e mostraram que ao público interessa vê-las desfilar, o que ficou evidente no desfile de terça-feira, quando os portões foram abertos.

Diante disso, há vários desafios para o Carnaval do ano que vem, se é que há a real intenção de fazê-lo prosperar. Decidir sobre a oferta ou não de shows é um deles. Com a baixa procura pelas apresentações deste ano, entendemos que eles são totalmente dispensáveis.

A terceirização ou não da estrutura também pode ser repensada. O lado positivo é que ela evita que dinheiro público seja gasto com isso. Mas, se a Prefeitura arcar com esse custo e cobrar ingressos a preços populares, como os que foram cobrados neste ano para os desfiles das escolas do Grupo Especial, talvez consiga reaver o valor investido e, com a devida publicidade, quem sabe até lucrar.

Outro ponto delicado a ser refletido é sobre os desfiles das escolas do Grupo de Acesso, mirins e da terceira idade, que, historicamente, não levam público à avenida. É uma realidade que os amantes das agremiações procuram contornar atribuindo desculpas como o horário ou dia dos desfiles, mas várias tentativas já foram feitas, por vários secretários municipais que passaram pela Prefeitura, e não houve êxito.

A verdade é que mudanças nem sempre dão certo, mas não há como saber isso se não houver tentativa. A tentativa foi louvável, mas agora é preciso que a administração esteja disposta a ouvir as críticas, avaliá-las, ouvir as sugestões de pessoas envolvidas com o mundo do Carnaval e promover novas mudanças para 2015. Nosso desejo é que elas sejam mais positivas no ano que vem para que tenhamos muito a elogiar.

Uma boa semana a todos!

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