A escola de samba é a grande campeã do Carnaval de São Paulo
Quem conhece os irmãos Carlos Henrique, 31, e Ítalo, 27, sabe que a ligação deles com a música vai muito além de talento: a família Pires tem suas raízes no samba e no pagode, um amor que vem do pai, Carlos, que nos anos 90 integrava um grupo bastante conhecido em Bragança, o Sedução.
Embora Carlos tenha abandonado os planos após a morte de seu pai, tudo mudou quando viu que Ítalo, com apenas 7 anos, havia desenvolvido um “ouvido para a música” e que Carlos Henrique, aos 11, já cantava muito bem. O resultado não poderia ser outro: o homem logo criou o conjunto que, anos depois, receberia o nome de “Banda Pires”, hoje grande conhecida por animar eventos em Bragança e região.
MANCHA VERDE
O primeiro contato com a Mancha Verde aconteceu em meados de 2012, quando os irmãos participaram de um evento da escola de samba do coração, a bragantina Nove de Julho. Fredy Vianna, o intérprete oficial da agremiação paulista, estava presente e fez o convite para que Carlos Henrique, ou “Carlinhos” como é conhecido, integrasse a ala musical da Mancha.

Foto: arquivo pessoal
O convite foi recusado pelo rapaz que, na época, não tinha tempo para os ensaios, mas despertou a curiosidade de Ítalo que, quatro anos depois fez seu primeiro desfile em São Paulo. “Ele é mais apaixonado por Carnaval que todo mundo lá em casa”, explica Carlinhos.
Depois disso, a família toda acabou envolvida com a Mancha Verde, sempre fazendo algumas participações e visitas periódicas à quadra, mas Vianna ainda não havia desistido de convocar Carlinhos.
“Em 2020, o Fredy Vianna me fez um convite. Ele me mandou uma mensagem pelo Instagram falando: ‘cara eu preciso de você comigo e não aceito um não como resposta’; falei: ‘puxa, agora vai ser a hora’. Aí eu coloquei na balança, ‘dá pra fazer?’”
E dava! O problema é que, embora a escola estivesse pronta, desde o samba-enredo até as alegorias, o Carnaval de 2021 não aconteceu.

Foto: arquivo pessoal
CAMPEÃ
Com o tema “Planeta Água”, inspirado na canção de Guilherme Arantes, e um desfile considerado excelente, a Mancha Verde se tornou bicampeã do Carnaval de São Paulo. A escola pisou no Sambódromo do Anhembi na madrugada de sábado, 23, e embora o susto com uma alegoria logo no início, a agremiação conseguiu contornar a situação.
Carlinhos fez sua estreia no Carnaval paulista como intérprete de base, cantando o samba-enredo ao lado de Vianna. Ítalo também integrou a ala musical, desta vez, no violão.
“A água foi pra lavar a alma, né? Pra levar tudo de ruim embora. Mas o que ela [a escola] fez em especial mesmo foi o brilho, a grandiosidade. Inclusive, quando nós estávamos presentes no ensaio, o presidente falou: ‘olha, pode se preparar que esse vai ser um dos carnavais mais bonitos que a Mancha irá fazer, melhor que aquele primeiro título de 2019’. Muita vontade de fazer acontecer, entendeu?”.
Na última terça-feira, 26, apesar da apuração acirrada com a Mocidade Alegre, os jurados deram a vitória para a Mancha Verde. O evento marcou o retorno desse, que é um dos maiores eventos culturais do mundo.
“Carnaval é cultura. O Carnaval emprega muitas pessoas… emprega gente pra fazer fantasia, um serralheiro, um decorador de alegorias, intérpretes, harmonias, emprega um casal de mestre-sala e porta-bandeira. Tem gente que não valoriza, acha que é jogar dinheiro fora. Não, não é nada disso”, conclui Carlinhos.
0 Comentários