Dando uma geral na dispensa, encontrei escondidinho um pacote de canjica. O mês de maio era para ter um certo clima de inverno e, na minha opinião, é o momento de saborear essas gostosuras caipiras, esperando as festas juninas.
Resolvi preparar, lembrando que a canjica de milho (gosto da branca, não do milho amarelo) necessita de um cuidado no seu preparo; é difícil de amolecer e requer que fique de molho em água de véspera e, mesmo assim, necessita de mais um bom tempo cozinhando na panela de pressão para finalizar seu preparo.
Como acontece no arroz doce, esse primeiro cozimento é só com água, pois, além de acelerar o cozimento, economiza ingredientes que são mais caros, como leite e açúcar.
Canjica é um dos preparos que gosto de servir nos encontros de caminhantes quando passam pelo sítio e ali têm uma parada para visitar nossa capela e descansar um pouco. É aquele alimento que aquece o corpo e dá sensação de abraço em cada colherada da canjica morninha.
Reserve a receita e experimente fazer. Esta nova geração pouco terá oportunidade de experimentar essas comidinhas mais antigas do povo simples e das casas de avó de antigamente.
CANJICA

- 250 g de canjica (meio pacote ou 1 xícara e meia – chá)
- 3 litros de água
- 2 paus de canela
- 2 cravos da índia (cuide de não colocar mais, pois seu sabor é muito forte após ferver)
- Meio litro de leite de vaca em temperatura ambiente ou morno
- 1 embalagem (395g) de leite condensado
Num pirex fundo, deixe de molho nos 3 litros de água a canjica (o ideal é colocar à noite para preparar dia seguinte ou deixar de um dia para outro).
No dia seguinte, coloque na panela de pressão a canjica e toda a água do molho, junte a canela e o cravo. Tampe a panela e leve ferver. Abrindo a pressão, baixe a chama do fogão e deixe cerca de 45 minutos na pressão e desligue, esperando esfriar normalmente com a panela tampada.
Ao abrir, com a colher de pau, mexa e junte o leite de vaca e o leite condensado e deixe ferver até engrossar um pouco, cerca de 5 minutos. Prove o açúcar e, se achar necessário, acrescente algumas colheres de açúcar refinado. Mantenha um pouco mais no fogo para que o açúcar se misture.
Para servir, pode colocar paçoquinha esfarelada ou amendoim torrado e moído por cima, acrescentar um pouco mais de leite frio ou quente na sua porção ou somente purinha, sem agregar nada. Pode comer gelada (aí não ficará cremosa) ou esquentar sua porção no micro-ondas, para evitar reaquecer tudo cada vez que for saborear.
Mantenha em geladeira após estar completamente fria.

Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Pau- lista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
Até nosso próximo encontro
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