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SUB-VERSÃO

CALMA

É isso, tenho sido uma aluna rebelde, daquelas a quem o professor orienta muitas e muitas vezes, e ainda assim, não aprende.

Mentira, todos nós aprendemos, mas cada um a seu tempo. Eu particularmente tenho aprendido a respeitar o tempo de cada coisa, a respeitar meu próprio tempo, a tentar não agir de forma tão audaciosa a ponto de pensar que estou no controle das situações. Não, não estou. A maioria delas inclusive se apresenta para mim sob a forma de uma grande surpresa, por vezes não muito agradável, mas sempre novidade, e é isso que a vida é.

Adiantar o horário da aula de pilates das 9 para as 7 da manhã, para poder depois passar no supermercado e aproveitar o último dia de ofertas não foi uma ideia muito boa, assim como tentar apressar o ritmo do nosso dia nunca é.

“Calma, calma...”, repetia o morador de rua na rotatória ao lado do meu acidente. E confesso que, nervosa como fiquei, na hora cheguei a pensar uns impropérios sobre essa sua atitude. Depois, mais calma, consegui reconhecer a validade daquelas palavras.

Minha pressa era tanta, tamanha era minha ansiedade, meus pensamentos avolumando-se dentro da minha cabeça, “pilates, supermercado, casa, escola, horários, metas”, que não consegui parar o carro, assim que o que estava na frente freou. Eu contava com o fato de que ele iria aproveitar a breca, longa por sinal, para atravessar, mas não... Freou bruscamente.

Por sorte, ou não, talvez por interferência do meu Professor, nada aconteceu ao veículo da frente, nem a mim, nem aos seus ocupantes. O prejuízo foi material, um gasto com o qual eu não contava. E quando me pego escrevendo isso, me vem à mente a verdade absoluta de que ando contando muito com as coisas, ando, de novo, querendo pretensiosamente assumir o controle de tudo, absolutamente tudo, quando seria muito mais fácil e agradável seguir o ensinamento do meu Professor que diz: “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã”.

É certeiro, e agora consigo enxergar, quando enfrento fases de muita ansiedade e pretenso controle, algo acontece. Algo que me para por um momento e me faz refletir sobre minhas ações e meu modo de conduzir a vida.

E é sempre como se eu pudesse ouvir o Professor me dizendo: “Calma, calma...” E agora ele faz dupla com aquele senhor estrategicamente alocado naquela rotatória.

Talvez eu tenha aprendido, finalmente, que não estou no controle de todas as situações e é bom que seja assim. Que não preciso acelerar meus pensamentos a ponto de perder-me neles. Que conto com a providência de um Professor incrivelmente sábio, e que sou só uma menina em fase de aprendizado.

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