Estou lendo o livro “Capitu vem para o jantar” (2016), que tem como objetivo principal passar aos leitores receitas que aparecem nos enredos dos livros de literatura nacional e internacional, escolhidas a dedo pela autora Denise Godinho. A escritora explica que tudo começou quando, ao reler a obra de Machado de Assis Dom Casmurro, se deparou com a cocada que aparecia na trama e, talvez, por estar faminta e sem ideia do que comer naquela noite de sexta-feira, resolveu fazer uma cocada mais moderna e rápida, de colher, para se deliciar lendo. Este foi o mote de um trabalho que nem ela imaginava realizar, visto que aprendeu a cozinhar nesta empreitada. Denise descobriu depois, aprofundando as pesquisas, como era a cocada da época do autor (de cortar), doce que ele adorava, percebeu que ainda não existia leite condensado (como na que preparou) e toda uma realidade econômica, social e histórica daquela época. A partir daí, criou um blog e uma página no Instagram que virou este livro, cuja leitura indico para todos que gostam de receitas e de literatura. É muito bom!
Num dos capítulos da leitura, a autora comenta o livro “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, no qual a personagem principal, Macabéa, almoça cachorro-quente e coca-cola diariamente. Depois de uma espécie de resenha do livro, a autora coloca uma receita de cachorro-quente que ela pesquisou e testou. Aí me veio a ideia da sugestão de receita para hoje: o cachorro-quente à bragantina.
Fazendo um link com minha leitura atual, trago hoje a primeira receita publicada, quando debutei como colunista, do então jornal Cidade de Bragança, que funcionou de 20 de setembro de 2005 até o ano de 2011. É o cachorro-quente à bragantina. A receita abaixo foi transcrita como foi publicada originalmente n’O Lyrio, o primeiro jornal fundado por meu avô, José de Oliveira, quando ele ainda trabalhava na Indústria Têxtil Santa Basilissa e nem imaginava ser um marco na história jornalística de Bragança Paulista. Este cachorro-quente faz parte da tradicional culinária bragantina há 78 anos, de acordo com a data em que foi publicado n’O Lyrio; e é pouquíssimo conhecido. Experimente!
CACHORRO-QUENTE À BRAGANTINA

(Jornal “O Lyrio” de 14 de novembro de 1943)
Tome salsichas, escalde-as. Dê-lhes ligeiros talhos com a ponta da faca e frite-as na manteiga.

Retire-as da panela e aí mesmo junte um pouco de óleo, um alho socado, frite-o e retire.
Junte cebola (picada ou em rodelas), tomates picados e pimentão em tiras. Refogue bem, pingue um pouco d’água e sal a gosto.

Ferva mais, junte as salsichas e sirva com pão (francês combina melhor).
Observações da colunista:
- Para 5 pães, usei: 10 salsichas, 4 cebolas, 1 pimentão pequeno e 2 tomates.

- Este lanche não utiliza os condimentos industrializados aos quais estamos mal-acostumados. Mas se gostar de um toque picante, a mostarda acompanha muito bem.
SERVIÇO

Livro: “Capitu vem para o Jantar” – a delícia de cozinhar as receitas da literatura
De Denise Godinho – Verus editora – 2016
Instagram: @capituvemparajantar (Denise Godinho)
Até nosso próximo encontro!
Para sugestões, críticas e temas para as próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br.

Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Paulista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
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