Sabemos que o consumo de salsicha é, hoje em dia, questionável, por se tratar de um alimento ultraprocessado. Comer salsicha regularmente não é considerado saudável, especialmente as salsichas industriais, que são ricas em gorduras, sódio, corante e aditivos. O consumo excessivo pode aumentar o risco de problemas crônicos, como doenças cardíacas, hipertensão e alguns tipos de câncer.
Essa informação nos remete àquelas pessoas que têm o hábito alimentar de consumir cachorro-quente ou a própria salsicha como componente do cardápio de modo contínuo.
Mesmo assim, com as ressalvas necessárias e contrariando os que não apreciam esse embutido, hoje me arrisco a trazer esta receita, primeiro por ser bastante antiga na culinária bragantina, encontrada num jornal de nossa cidade chamado O Lyrio, do ano de 1943 – idealizado e dirigido pelo meu avô materno José de Oliveira (que depois fundou o Bragança Jornal) – e segundo, por ser uma versão bem diferente e deliciosa de se preparar a salsicha.
Até agora, nenhuma lanchonete ou as barracas de festas tradicionais populares (as juninas estão começando!) resolveram testar a primeira versão desse lanche, o “Cachorro-quente à bragantina”. Quem sabe agora pode se tornar famoso? Ele é mais saudável se comparados aos lanches de salsicha vendidos atualmente.
As quantias são a gosto de quem vai preparar, mas aconselho fazer ao menos duas unidades por pessoa, pois certamente agradará. Para facilitar, coloco aqui uma quantia base:
- 5 pães do tipo francês
- 10 salsichas de sua preferência escaldadas na água fervente por alguns minutos
- 2 colheres (sopa) de manteiga ou o quanto baste
- 2 dentes de alho sem casca somente “machucados” (não amasse totalmente, pois ao final poderá retirar)
- 2 tomates grandes sem pele picadinhos (ou uma lata)
- 2 cebolas grandes em rodelas finas
- 1 pimentão verde em tirinhas finas
Comece preparando os tomates, as cebolas e o pimentão e reserve enquanto ferve a água para colocar as salsichas.
Na água fervente, coloque as salsichas para aferventar por alguns minutos e as retire da água. Após esfriar um pouco, dê ligeiros talhos usando a ponta da faca (como se fosse riscar a pele da salsicha com a faca) na direção vertical.
Numa panela grande, coloque a manteiga, os dentes de alho e vá dando uma fritada nas salsichas de modo que fiquem envolvidas na manteiga e vá retirando e reservando num prato.
Na mesma panela, sem lavar, se preciso ponha um pouquinho de manteiga, frite as cebolas fatiadas, junte depois o pimentão e os tomates, e refogue bem. Prove o sal, se quiser coloque pimenta ou até 2 colheres de mostarda, e pingue um pouco de água. Depois de ferver esse refogado, vá juntando as salsichas reservadas, mexendo para envolvê-las no molho e aquecê-las. Coloque em cada pão duas unidades de salsicha e sirva.
Se gostar, pode incrementar com mais mostarda e catchup (este não existia em 1943).

Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Pau- lista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
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