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Crônicas de um Sol Nascente

Brazilian day

Minha esposa anuncia o que acaba de ver na internet:

― Vai haver Brazilian Day na cidade de Ota...

E complementa:

― E tem show dos “Mamonas Assassinas”.

Paro então o que estou fazendo e olho, assustado, pensando estar vivendo uma realidade paralela.

― Como?! Se eles faleceram há tanto tempo...

E aí ela me esclarece que o anúncio em japonês também menciona que se trata de um revival feito por atores que interpretaram os “Mamonas” em um filme recente. “Ah, bom”, respondo, aliviado.

De modo que, no domingo seguinte, lá vai a família Yamada Loureiro ao festival “Brazilian Day”, devidadamente equipada com o uniforme do Vasco da Gama para celebrar as raízes. Explico, aliás, a escolha do figurino: era para irmos com a amarelinha brasileira, mas, com essa polêmica do novo uniforme, a gente fica até sem saber o que vestir na hora de celebrar a nacionalidade...

E, a propósito do tema “nacionalidade”, a ida ao Brazilian Day tinha um significado adicional para mim: seria a primeira vez que eu colocaria o Endi em contato com a cultura brasileira, digamos, em maior escala.

Pois, sim, o meu pequeno é completamente japonês. E, quando digo isso, significa que ele tem nacionalidade, passaporte e idioma japoneses: ou seja, é um japonês legítimo; sendo sua única conexão com o Brasil a existência deste paizão aqui. Por isso, para mim, é tão importante quando aparecem oportunidades como esta: de mostrar um pouco de meu país para que Endi o conheça.

O que, de fato, aconteceu logo na entrada do festival, por meio de um maravilhoso show de capoeira que deixou os olhinhos do meu filho ainda mais brilhantes. E ele até batia palminhas acompanhando o ritmo da música que embalava os capoeiristas, que, vale frisar, davam um verdadeiro show.

Depois da capoeira, porém, o meu filho perdeu o entusiasmo. Isso porque as atrações do Brazilian Day, infelizmente, pareciam não pensar muito na presença das crianças – com exceção de uma barraquinha que pintava o rosto dos miúdos (o meu escolheu ser pintado de “Batman”).

De modo que, com pouco mais de uma hora, a família de “batmans vascaínos” desistiu do Brazilian Day, voltando para casa mais cedo (e, no final das contas, a longa viagem de trem foi o que realmente divertiu o pequeno).

Quanto aos “Mamonas Assassinas”? Não vimos. E até me benzo só de imaginar que alguém realmente os tenha visto...

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EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quinhentos concursos literários no Brasil, no Japão, na Espanha e em Portugal. Em 2024, seu livro obteve o Primeiro Lugar no Prêmio João do Rio (para “Livro de Crônicas”) da UBE-RJ. Também em 2024, foi o roteirista vencedor do “WriteMovies Script Pitch Contest”, nos Estados Unidos. É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).

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