Foto: Yasmin Godoy/Jornal Em Dia
news-details
Política

Bragança Paulista reúne manifestantes na Greve Geral

Ato contrário à Reforma da Previdência e aos cortes na Educação aconteceu na Praça Raul Leme

Nessa sexta-feira, 14, atos públicos foram registrados em todo o Brasil. Representantes de entidades, sindicatos, partidos políticos, estudantes e sociedade civil participaram de manifestações contra a Reforma da Previdência e os cortes na Educação, propostos pelo governo federal.

No mês passado, professores, trabalhadores da Educação e estudantes já haviam participado de atos em defesa das universidades federais, da pesquisa científica e do investimento na educação básica em todo o Brasil.

Na ocasião, Bragança Paulista registrou manifestação, que teve início no IFSP (Instituto Federal de São Paulo) e foi até a Prefeitura Municipal.

Desta vez, um manifesto unificado aconteceu na Praça Raul Leme, no Centro. O Jornal Em Dia esteve no local para acompanhar o movimento, que foi pacífico e, segundo os organizadores, contou com a participação de representantes de mais de 12 entidades, de forma a unificar as pautas.

“A ideia hoje é realmente apresentar essa unidade nas bandeiras que a gente acredita: a questão da Reforma da Previdência, que há o entendimento de que retira direitos dos trabalhadores e vai manter os benefícios para os de sempre, políticos militares e juízes, e ao mesmo tempo, a questão dos cortes da Educação, que é uma luta que desde o mês passado já tem sido feita. O centro acadêmico do Instituto Federal, os estudantes têm feito, além dos atos de rua, rodas de conversa, debates, e agora a gente está ampliando, tentando trazer o máximo de movimentos, desde sindicato de movimento pela moradia, movimento feminista e outros”, comentou Tales Machado de Carvalho, ativista, militante do Psol (Partido Socialismo e Liberdade) e um dos articuladores do protesto.

Entre os sindicalistas, estava Carlos Alberto Martins de Oliveira, presidente do Sindicato dos Servidores e Trabalhadores Municipais de Bragança Paulista e Região. “O Sismub se posiciona de forma muito direta contra essas mudanças, a começar pela Reforma da Previdência, que reflete diretamente nas costas do trabalhador, do servidor municipal. Isso porque um dos artigos da proposta da reforma, o artigo 142, prevê que os servidores estatutários municipais e da União não poderão acumular cargos, proventos, se aposentados. Significa dizer que se essa reforma for aprovada, os servidores que estão aposentados e continuam na ativa serão demitidos. E só a Educação reflete 60% do quadro de servidores”, declarou.

Válter Jesus Brajão, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Bragança e Região, também opinou sobre a Reforma da Previdência. “Todo mundo sabe que precisa ser feita uma reforma, mas realmente retirando privilégio e não retirando dinheiro dos pobres para dar pros ricos, como está desenhada essa proposta do governo, que foi um pouco amenizada, mas mesmo assim, vai afetar principalmente os trabalhadores de um a dois salários mínimos. As Forças Armadas representam 1% de todos os aposentados do país e custam 15% de todo o faturamento da Previdência, nesse ponto, o governo deveria trabalhar forte para tirar os privilégios, assim como no Judiciário e no Legislativo, que têm muita gordura pra ser queimada, em vez de querer tirar justamente dos trabalhadores mais pobres”, falou.

Alunos do campus do IFSP Bragança Paulista estiveram presentes para representar a pauta da Educação. Eles expuseram alguns de seus trabalhos em um sarau e prêmios que o instituto recebeu.

Victor Hugo de Castro, que cursa Licenciatura em Matemática, falou com a reportagem sobre o posicionamento dos estudantes. “A gente acredita que o investimento na Educação hoje é muito pouco, temos poucas bolsas, pouco incentivo e a gente está lutando contra isso, a gente tem que ter mais investimentos, e com esses pronunciamentos do governo de que vai ter corte na Educação, a gente não se sente feliz, porque muitas pessoas que estão lá dependem de auxílio, de bolsa de extensão, e com esses cortes, essas bolsas vão acabar diminuindo e vai diminuir a excelência do Instituto Federal. Por isso, a gente vai continuar lutando, defendendo as nossas causas, defendendo a educação pública de qualidade, porque os institutos federais são algumas das melhores escolas do país, são grandes exemplos e de grande valor para a sociedade. A rede pública está muito precarizada e a gente tem que lutar pela melhoria dela”.

Apesar da Greve Geral ter tido maior adesão em grandes capitais, os participantes acreditam que a ação seja positiva para fortalecer a discussão em torno dessas causas. “Nós entendemos que quando você tem esse tipo de ataque, a única maneira de reação é fortalecer o movimento, então, hoje é mais uma resposta e é verdade que só com os estudantes lutando sozinhos não vamos derrotar, por isso que nós acreditamos na unidade. Bragança é uma cidade menor, então, a gente não consegue fazer as paralisações como nos grandes centros, mas mesmo assim, a gente acha que é importante reunir um número considerável de pessoas e tentar, cada vez mais discutir com as pessoas, para estar pressionando o governo”, falou Tales, que acrescentou que, além da Reforma da Previdência e da Educação, outras pautas são defendidas. “Corte em outras áreas sociais, como o fim do Minha Casa Minha Vida, a privatização do Banco do Brasil e dos Correios; a questão das liberdades democráticas contra qualquer tipo de perseguição, seja com professores, estudantes ou sindicatos; e o outro ponto já estamos levantando desde o ano passado: quem matou Marielle, quem matou o Ânderson? Vamos levar essa questão para todos os movimentos enquanto esse crime não for desvendado”, completou.

No decorrer do ato, houve diversos pronunciamentos de líderes de entidades, ativistas, militantes, professores e estudantes. Também houve apresentação de maracatu e uma passeata em volta da praça, em que os manifestantes entoavam frases como: “Eu não abro mão da Previdência e da Educação”; “Vazou, vazou, vazou, a ‘farsa-jato’ do Moro vazou”, “Tira a tesoura da mão e investe em Educação”.

Segundo Tales, agora, as entidades retornam às suas bases e ficam atentas ao calendário do movimento nacional para organizar as próximas ações.

Confira alguns vídeos do manifesto que o Jornal Em Dia registrou:

 

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image