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Redescobrindo

Bolo granulado

Há tempos percebi que os bolos especiais – de aniversário, das festas e casamentos –, marcaram episódios doces em minha infância; e comentar sobre eles é uma maneira de matar a saudade de um tempo valioso de aprendizado e sabores.

Em outros momentos, contarei outras histórias que alegram meu coração sobre o tema. Hoje, é de quando experimentei o bolo granulado, de aparência bem diferente para ser um bolo de casamento, a começar pela cor da massa e do recheio.

Talvez o bolo granulado tenha ficado em minha memória afetiva por ter sido a oportunidade de, por conta de um casamento, em meados dos anos 1970, quando nós, crianças, não pudemos ir, e foi quando dormi com meus irmãos, pela primeira vez, na casa de minha avó Belmira. O casamento foi da então cabeleireira da nossa família, a Taeko (toda vez que ela cortava meu cabelo e da minha irmã, fazia, depois, um penteado usando laquê – o spray fixador de cabelos de antigamente).

Voltando à lembrança do bolo... de manhã, quando minha mãe veio nos buscar, trouxe um prato com um farto pedaço do bolo do casamento, de cobertura amanteigada de um tom claro de chocolate e a massa toda pintadinha de marrom. Me lembro que logo depois a receita já estava conosco, pois foi feito por uma prima de minha mãe, e sempre que tínhamos alguma reunião especial preparávamos esta receita.

Fazendo um cálculo bem por cima, o bolo granulado já é uma receita que existe conosco há uns 55 anos, inventada muito antes do hoje conhecido bolo formigueiro que o leitor pode conhecer; mas nada se compara a este que é molhadinho e a gente sente na boca, em cada bocado, o granulado de um ingrediente especial. 

Para o dia a dia, tenho feito o bolo sem o recheio/cobertura, mas querendo um bolo diferente, faça completinho, pois será sucesso garantido. A receita rende um bolo para a assadeira grande, de 41x28 cm, e você pode fazer a metade da receita para uma fôrma menor, como a de furo central.

Medida – o copo é de 200ml
- 4 ovos (claras em neve)
- 100 gramas de manteiga (equivale a 3 colheres cheias)
- 100 gramas de margarina (idem)
- 1 1/2 copo de açúcar
- 100 gramas de coco desidratado sem açúcar
- 2 copos de farinha de trigo
- 1 copo de água
- 1 copo de chocolate granulado
- 1 colher (sopa) de fermento em pó

Bata muito bem as gemas com o açúcar, depois a manteiga e a margarina. Junte o coco e a farinha de trigo e bata colocando devagar a água. Adicione delicadamente as claras em neve, o fermento e, por último, o chocolate granulado.

Coloque em assadeira grande (41x28 cm) ou em duas iguais menores, untadas com óleo e farinha de trigo, e leve ao forno pré-aquecido até assar, por cerca de 35 minutos.

Recheio/cobertura: 

(Para usar como recheio e cobertura, duplicar a margarina, o açúcar e o café, mantendo o restante dos ingredientes na medida indicada, e se ficar muito claro, aumente um pouco o chocolate em pó ou Nescau sem escurecê-lo demais). 

- 3 colheres (sopa) de margarina
- 7 colheres (sopa) de açúcar
- 1 gema
- 1 colher (sopa) de rum ou conhaque
- 1 colher (sopa) de café pronto
- 3 colheres (sopa) de Nescau (se usar chocolate em pó, diminuir a medida pela metade)

Misture com colher os ingredientes até formar uma pasta.
Utilize no bolo já frio para não derreter.

Até nosso próximo encontro

Para sugestões, críticas e temas para as próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br

Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Paulista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.

 

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