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Redescobrindo

Bolo caipira da vó Belmira

Em 26 de julho, foi celebrado o Dia dos Avós. Em homenagem às minhas avós, a receita de hoje tem sabor de nostalgia. Com elas, Belmira, mãe da minha mãe, e Nair, mãe do meu pai, aprendi a amar a cozinha, as panelas e o fogão, percebendo que as maiores transformações acontecem dentro desse ambiente num lar; pois é ali que o amor se instala, no preparo das coisas mais simples às mais sofisticadas.

No ano de 2009, escrevi para juntar no livro de receitas que estava editando, sobre minhas lembranças da casa da vó Belmira que, além do fogão à lenha que ela nos deixava ajudar a acender – cortando o jornal em tiras finas, colocando gravetos que catávamos na praça em frente à casa e as lascas dos paus de lenha que ficavam no quintal –; aos domingos à tardinha, em especial, o fogão elétrico era ligado, para o preparo do virado de ovo. E eu, como neta mais velha, tinha uma cadeira para alcançar a panela e ajudar, nos meus quase cinco anos de idade!

E no bolo, que era preparado quase que diariamente para o café da tarde, eu ajudava batendo as claras em neve com aquele batedor em espiral com cabo de madeira, visto que batedeira a vó não tinha naquele tempo. A receita não estava marcada em livro nenhum; consegui fazê-la, certamente com ajuda e intuição da vó, anotei e registrei no meu livro, que foi publicado no ano de 2015, e o gostinho da infância daqueles momentos na casa da vó Belmira, nos cafés da tarde, de cada bocado de bolo quentinho com um pouquinho de manteiga derretendo, ficará para sempre na memória.

Bata 3 claras em neve e depois de bem duras misture as gemas uma a uma.

- Junte 1 xícara (chá) bem cheia de açúcar.

- 1 xícara (chá) generosa, transbordando, de leite de vaca (minha avó usava às vezes leite talhado ou com toda nata, que ficava guardado numa leiteira de louça junto à talha de água); hoje pode substituir, se quiser, por iogurte natural.

- 2 colheres (sopa) de manteiga bem cheias

- 1 pitada de sal

- 1/2 xícara de queijo parmesão ralado (a vó ralava numa maquininha, na hora)

- 2 xícaras (chá) de farinha de trigo

- 1 colher (sopa) de fermento em pó

 Cada ingrediente colocado era bem misturado para depois se colocar o seguinte. Enquanto eu mexia a massa, a vovó untava a assadeira de buraco (que ainda hoje está comigo, de herança), despejava a massa e levava assar. Não tinha cobertura nem nada e nós saboreávamos quentinho.

Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Paulista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.

Até nosso próximo encontro

Para sugestões, críticas e temas para as 
próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br.
 

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