Era preciso apenas crer, diziam. Crer na providência divina, crer no velho ditado que insiste em dizer que “Deus manda o frio conforme o cobertor”, ou seria o contrário? O frio vem, sem consentimento dele, e só então ele trata de amenizá-lo com o cobertor adequado?
Não sei... Mas Maria precisava crer. Nascida numa família humilde, a menina agora via-se tomada pelo espanto de se reconhecer mãe. Mas como? E por que logo ela? O que José pensaria a seu respeito? O que a sociedade da época diria da mulher, que até então, julgava-se tão pura e agora, ostentava uma barriga crescente a olhos vistos...
Não sei como é ser mãe, não tive filhos, talvez não os tenha no futuro. Maria também não sabia, mas sua experiência foi algo que excedeu nossa compreensão humana. Maria não somente carregava um filho no ventre, como tantas outras mulheres fortes e corajosas já fizeram, mas carregava o filho do Altíssimo. Cada vez que sentia o neném mexer-se, devia pensar “É Deus movendo-se dentro de mim”. Dá para imaginar isso?
Talvez o Eterno tenha feito questão de trazer seu filho a esse mundo através de um corpo feminino para reforçar seu apreço pelo sagrado que reside em cada uma de nós.
E há tantas Marias por aí, sobrevivendo ao dia a dia cruel das ruas, esperando que o frio venha mesmo conforme o cobertor. E que ele assim venha, e que o Pai tenha piedade de suas muitas Marias.
Que elas não sejam julgadas e condenadas pelo machismo, que tenham ao seu lado um companheiro que, assim como fez José, não se isente de exercer seu papel de pai. Que seus filhos possam se desenvolver e viver saudáveis e não sejam mortos pela polícia antes sequer de realizarem alguns de seus sonhos pequenos. Que o sonho de toda mãe é só esse mesmo: ver seus filhos fortes e felizes, e só.
Que a maternidade seja um direito e este seja respeitado pelo Estado. Que ser mãe continue sendo uma experiência assombrosa de bonita!
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