Desde que o rock’n’roll surgiu, em meados da década de 50, as mulheres são muito lembradas, principalmente em letras de músicas. Em algumas delas de maneira equivocada, sendo lembradas apenas como objeto de desejo sexual. Muitas mulheres não concordaram com isso e, mesmo em um mundo machista, começaram a compor e soltar suas vozes pelo mundo afora.
Uma das primeiras a aparecer foi a cantora folk Joan Baez, que com seu violão e sua voz doce encantou plateias e levou em frente suas músicas de protestos para jovens da década de 60, cansados das músicas água com açúcar que rolavam naquele tempo. Depois disso, grandes mulheres despontaram no cenário rock’n’roll, mostrando que, além de belas, elas também pensavam, se revoltavam com o mundo a sua volta e tinham, e têm, muita atitude para demonstrar.
Outra mulher que tinha um vozeirão era Grace Slick, vocalista da banda estadunidense de rock psicodélico Jefferson Airplane, que, para muitos, é uma das bandas mais importantes de toda a história do rock e uma das pioneiras do estilo. Outra voz feminina inesquecível é a de Janis Joplin, que é considerada o maior nome feminino do rock. Ela costumava misturar blues e rock, e, devido ao seu timbre vocal, muita gente pensava que Janis era negra. Também neste período quem tinha um grande destaque era a canadense Joni Mitchell. Ela e seu violão retrataram um dos períodos mais importantes da história através de canções, principalmente no estilo folk-rock.
Ainda no final dos anos 60, uma alemã aparecia em um disco da banda Velvet Underground. Nico gravou, junto com os caras, um dos discos mais importantes da história do rock e quebrou diversos tabus. O Brasil também teve sua representante, Rita Lee. Rita apareceu em uma banda totalmente vanguarda, junto com os irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Batista, Os Mutantes. O som era algo totalmente inovador, com um visual bem chamativo. O mais interessante disso é que eles surgiram no auge da ditadura militar, em meio a uma sociedade totalmente machista e conservadora.
A partir da década de 70 as mulheres ganharam ainda mais espaço e destaque. Foi neste período que apareceu a repórter do New Musical Express, Chrissie Hynde, que depois de algum tempo se tornaria guitarrista e vocalista da banda The Pretenders. A loira Deborah Harry, ou Debbie Harry, vocalista da Blondie, começava a dar seus primeiros passos na lendária casa de shows de Nova York, CBGB’s. Sua banda ganhou uma repercussão enorme na época em que o punk rock “engatinhava”. E a poetisa e compositora Patti Smith? Outra mulher fantástica e com vozeirão que deixava muito homem apaixonado. Também é preciso citar a punk Siouxsie Sioux, inglesa que montou sua banda na metade da década de 70, misturando punk com rock gótico, marcou uma época e é lembrada até hoje. Também nesta década outra banda fundamental foi The Runaways, banda formada somente por garotas, entre elas Joan Jett.
Nos anos 80, as mulheres apareceram bastante, principalmente em bandas consideradas new wave. Quem não se lembra do B’52 ou Suzi Quatro? Ou da banda formada só por garotas, The Bangles? O rock “pesado” também tem mulheres, quem não se lembra de Doro Pesch, vocalista da banda alemã Warlock? No Brasil, as mulheres apareceram bem mais nos 80, principalmente nas bandas de rock-pop, como Blitz. Fernanda Abreu era uma das vocalistas, Paula Toller, do Kid Abelha, e as garotas da banda Metrô e as que participavam da Gang 90. E a banda punk Mercenárias?
Depois disso, apareceram bandas legais como Bikini Kill, L7, Seven Year Bitch, esta última mesmo não sendo totalmente feminina, são as mulheres que mandam. Isso sem citar as irmãs Deal, que tocam na The Breeders, antes disso, Kim foi baixista da Pixies. Kim Gordon, baixista do Sonic Youth. Meg White, baterista da White Stripes, a banda que veio da Bahia, Penélope Charmosa, tinha três garotas em sua formação. Há também a banda das estadunidenses da The Donnas. Também vale lembrar a banda Kleiderman, projeto paralelo de Sérgio Britto e Branco Mello, dos Titãs, que tocavam com a baterista Roberta. São tantas mulheres para citar. E ainda não nem citei as mulheres da Belle and Sebastian, da Stereolab e do heavy melódico.
Cada vez mais as mulheres estão montando suas bandas, compondo, indo a mais shows e participando da cena musical. Na atual cena de rock independente, exemplos não faltam. Julia, baixista e tecladista da banda Fire Friend, Daniela, vocalista e guitarrista da banda The Renegades of Punk, de Aracaju, Sergipe. As garotas da banda curitibana Copacabana Club, As Lunettes, banda campineira que era formada por quatro mulheres. Duas delas tocam atualmente na Get Crazy. Algo a ser comemorado é o número de garotas que atualmente frequentam escolas de músicas e montam suas bandas, algo que vi em Bragança no último Grito Rock.
Isso é apenas uma amostra do poder que as mulheres têm no rock. Que as mulheres formem cada vez mais bandas e apareçam cada vez mais aos shows.
Ivan Gomes, 34, editor do blog/zine Canibal Vegetariano e produtor e apresentador do programa A HORA DO CANIBAL, que é transmitido todo sábado, das 10h às 12h, pela rádio web Itatikids.
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