Neste sábado, 16, a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Bragança Paulista completa 50 anos e o Jornal Em Dia conversou com a presidente da entidade, Maria Cândida Toloza Fonseca, que falou sobre a data comemorativa e também sobre o funcionamento da instituição.
Cândida não é de Bragança Paulista, mas já mora no município há cerca de 20 anos, pois seu marido, após ter se aposentado, quis voltar para sua cidade natal. Questionada sobre como se tornou presidente da Apae bragantina, ela explicou que, na verdade, trabalhou a vida toda com especiais. Pedagoga, ela contou que já atuava em São Paulo nessa área. Há aproximadamente 27 anos, Cândida prestou concurso na Prefeitura de Bragança Paulista e escolheu trabalhar na Apae.
Assim, ela iniciou sua trajetória como funcionária, atuando como professora, mas também passou por outras funções, como diretora pedagógica e executiva, estando há seis anos na presidência, como voluntária.
A estrutura da Apae hoje é composta por Diretorias Executiva, Administrativa, Técnica e Pedagógica. A entidade recebe verbas mensais que somam cerca de R$ 110 mil, das áreas da Saúde, Educação e Assistência Social, tanto do município como do estado. A quantia não é suficiente para custear os compromissos que a instituição tem, por isso, a cada mês, eventos são realizados a fim de completar a receita para pagamento das despesas. Outra fonte de arrecadação que contribui muito com a Apae é a solidariedade através do telemarketing.
De acordo com Cândida, atualmente, a Apae tem 187 pessoas em atendimento, nos períodos da manhã ou tarde, mas a lista de espera conta com 150 nomes.
As crianças, jovens e adultos atendidos chegam à entidade por meio de encaminhamento da rede pública de Saúde ou Educação, mas também há casos de familiares que buscam a Apae diretamente. Em qualquer uma das situações, Cândida explica que é feito o atendimento por profissionais da instituição, a fim de fazer o diagnóstico e a triagem, para que eles sejam direcionados aos profissionais que trabalham no local. “Os atendimentos são direcionados conforme as necessidades singulares dos nossos usuários”, destacou.
Quem frequenta a Apae de Bragança tem acompanhamento nas áreas ambulatorial, escolar e de assistência social. Os atendimentos são tanto para as pessoas que têm deficiência intelectual ou outros transtornos como para seus familiares, que recebem orientações sobre cuidados que devem ter, como administrar corretamente os medicamentos prescritos pelos médicos.
A área ambularorial tem o objetivo de habilitar e reabilitar a pessoa com deficiência intelectual na sua capacidade funcional e de desempenho humano, bem como assistir as respectivas famílias. Os assistidos passam por avaliação e recebem atendimentos individualizados da equipe multidisciplinar, que é composta por: neurologista, psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, assistente social e terapeuta ocupacional.
Na área escolar, a intenção é atender as crianças e jovens de seis a 30 anos que necessitam de apoio pervasivo, com deficiência intelectual e/ou múltiplas e autistas, que não puderem ser beneficiados pela inclusão em classes comuns do ensino regular. “Trabalhamos conforme a matriz curricular – Ensino Fundamental/ciclo único e incluímos o currículo funcional”, apontou a presidente.
O objetivo do setor de assistência social é fazer com que os atendidos participem de oficinas ocupacionais. No momento, há três em funcionamento na entidade, sendo duas artesanais e uma voltada ao ramo de padaria.
Cândida relatou que nas oficinas de artesanato estão jovens com idade mais avançada e com déficit intelectual mais acentuado. “Eles realizam atividades manuais, respeitando seus limites e dificuldades. Este programa tem como finalidade principal promover a autonomia, independência e inserção social e garantia de direitos”, explicou.
Já na Padaria Artesanal, que funciona apenas no período da manhã, são desenvolvidas habilidades motoras, com a intenção de promover capacidade e condições de inserção no mercado de trabalho e também na sociedade. “Aqui eles plantam a mandioca, colhem e depois fazem pão de mandioca”, afirmou a presidente, acrescentando que a produção da padaria é vendida para funcionários, familiares e demais interessados.
Orgulhosa, Cândida disse que 33 jovens atendidos na Apae já estão inseridos no mercado de trabalho da cidade. Nesses casos, eles deixam de frequentar a instituição diariamente, mas seguem com acompanhamento ao menos uma vez ao mês.
Ao todo, 57 funcionários trabalham para que todas essas ações aconteçam.
“A Apae é o porto seguro de muitos pais. A gente respeita os pais que escondem os filhos com deficiência, mas vejo que hoje em dia a sociedade está se abrindo mais e a gente vê o retorno deles (dos atendidos na entidade) todos os dias. Apesar da resistência, que ainda existe, acredito que a socialização é o melhor caminho para trabalharmos com pessoas com deficiência intelectual”, defendeu Cândida.
Por fim, a presidente da Apae de Bragança Paulista convidou a população a conhecer o trabalho desenvolvido. “O que eu gostaria é que a sociedade, toda a comunidade de Bragança viesse verificar o nosso trabalho, a nossa casa, o que é feito, o carinho que é dado a essas crianças, o cuidado, a atenção”, insistiu.

Cândida ainda comentou que, apesar de não ter deficientes intelectuais em sua família, escolheria a mesma área se pudesse voltar no tempo. “Acredito que foi uma missão de Deus. A gente deve ter uma missão aqui na terra e sempre fui ligada à área especial, principalmente aos deficientes intelectuais. Fui tocada por Deus. Deus confiou essa parte à minha pessoa para que desenvolvesse isso, foi um chamado de Deus para acolher especiais, que, para mim, são anjos, e trazem muita benção, muita força, muito ânimo, porque você vê a força que eles têm para conseguir um intento, e a gente consegue num minuto. Então, a gente tem que se espelhar nesses jovens, nessas crianças, na vontade de andar, de falar, de comer. Abracei essa causa, abraço até hoje. Faria tudo de novo”, concluiu.
HISTÓRICO
Em 16 de março de 1969, o médico José Parente e dona Orminda, por meio da iniciativa de Maria Teresa Egler Mantoan e demais pais de excepcionais da cidade, fundaram a Apae bragantina.
Aurélio Gimenez Sanches (já falecido), esposo de Graziela de Moraes Costa Sanches, conhecida como Dona Zelinha, fez parte da primeira diretoria.
Com sede primeiramente na Rua Cel. Osório, no Centro, a Apae também ocupou imóvel na Rua Cel. Afonso Ferreira, na Vila Municipal, até conquistar a sede própria, em abril de 1995, na Rua José Acedo Toro, 800, no Jardim Sevilha, onde está instalada atualmente.
A missão da entidade beneficente era e ainda é atender crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual, através de trabalhos terapêutico, assistencial e pedagógico.
EVENTOS
A presidente também mostrou o calendário de eventos que estão programados para ocorrer durante o ano.
Agora em março, haverá celebrações pelo aniversário de 50 anos. Em abril, será realizada a Noite Italiana. Em maio, haverá uma Ação entre Amigos, que se repetirá em novembro. Junho é o mês das festas juninas e a Apae também realizará a sua, com apoio de escolas particulares. Em julho, será feito um almoço com feijoada.
Para agosto, está programada a 19ª edição da Arte da Apae, evento iniciado por Cândida e que geralmente ocorre na Casa da Cultura, que cede o espaço para que os jovens expressem suas habilidades artísticas.
O mês de setembro deve contemplar a participação da Apae no desfile cívico da Independência do Brasil e também a realização de um Chá Beneficente. Já em outubro está programado um almoço denominado Fogo de Chão com porco no rolete. Em dezembro, haverá a confraternização de Natal.
Para saber mais sobre os eventos promovidos pela Apae de Bragança Paulista, contribuir de alguma forma ou agendar visitas à entidade, ligue: (11) 4034-2210.
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