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Crônicas de um Sol Nascente

Anjos e monstros

Para além da pandemia, um dos assuntos que mais têm me entristecido nos últimos meses é o assassinato do menino Henry Borel: ao que tudo indica, pelas mãos do padrasto, o vereador (e psicopata) Jairinho – recuso-me a tratar de “doutor” esse lixo humano (médico de verdade é quem salva vidas, não quem as tira). Um ato criminoso que – pasmem! – pode ter ocorrido até mesmo com a participação da “mãe” da criança: mais uma das muitas desnaturadas que aparecem por aí “parindo” irresponsavelmente, para depois fazer a criança sofrer (enquanto tantos casais, hetero e homossexuais, desejam adotar um pequeno e não conseguem, com tanta burocracia em seu caminho! Lamentável essa realidade!).

Provavelmente, alguns leitores devem agora estar pensando: “Nossa! O Edweine começou o texto de modo tão agressivo!”. Sim, e vou continuar no mesmo tom, pois se é um tipo para o qual não tenho piedade alguma é aquele que agride física ou psicologicamente uma criança – um ser indefeso, a quem temos a responsabilidade, a obrigação de proteger.

E não vou entrar no aspecto jurídico da questão. Sou advogado, e sei que muitos de meus colegas são especialistas em sapatear diante de um júri, principalmente quando o caso pode lhes trazer fama e (muito) dinheiro. Por essa razão, talvez, jamais fui bom advogado – não tenho, reconheço, nem a lábia nem a insensibilidade de outros causídicos de sucesso. Em outras palavras: não tenho estômago para defender criminosos. Ah, sim, há o princípio da “ampla defesa” a qual todos têm direito... E o que acho de tal princípio no caso do Jairinho e outros da mesma laia? Ao inferno com essas bonitas palavras: um ser que tortura e leva à morte uma criança não tem direito nem a água, muito menos à “ampla defesa”. Jairinho merece é uma “sessão de tortura” das mais insuportáveis – aliás, pelo que sei, ele é um defensor da ditadura: pois é, sendo assim, que seja presenteado com uma tortura à moda daquele período. Ou ao modo asiático! Aqui, no Japão, por exemplo, a pena de morte é por enforcamento – e isso com uma dose adicional de sadismo; uma vez que nem o condenado nem a família são avisados sobre o dia da execução, que pode ocorrer a qualquer momento: já pensou o que é acordar todos os dias com o medo de que aquele pode ser o derradeiro? Pois é: o tal Jairinho e seus comparsas mereciam uma dessas entradas nos “corredores da morte japoneses”. Sofrendo todos os dias: fome, chutes e incertezas. 

Se haveria justiça para Henry por meio da tortura e execução de Jairinho? Provavelmente nada no mundo pode aliviar a dor em nosso peito pela morte de Henry Borel. Não obstante, saber que pelo menos o autor do crime estaria se borrando de medo, todos os dias, com o inevitável enforcamento... ah, seria bom demais.

Sei que minhas palavras hoje foram duras; mas a indignação não me permitiu eufemismos. De modo que desejo concluir o texto também com um pedido direto à sociedade: denunciem toda forma de violência contra as crianças. Evitem mais tragédias! Não permitam, por favor, que mais anjos pereçam nas garras de monstros! Toda criança merece viver... e sem dor.

***
EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quatrocentos concursos literários no Brasil, na Espanha e em Portugal, é autor de nove livros, sendo o mais recente: “Crônicas de um latino sol nascente” (Telucazu Edições, 2020). É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).

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