Quem é que vai ao cinema hoje em dia? Eu, eu vou, porque ir ao cinema, mais do que um ato de aparente retrocesso – haja vista todas as plataformas de streaming disponíveis por aí –, é uma prática social, e uma das que me apetecem muito.
Ir ao cinema é ritualístico. Ficar em casa de pijamas em frente à TV, nem tanto. Cada um com seus rituais particulares. Eu prefiro a rua, as gentes todas, a fila, o cheiro da pipoca, que é bem diferente do que exala daquela que fazemos em casa. A propósito, detesto pipoca de micro-ondas, gosto mesmo é daquela feita na panela, na pipoqueira.
E foi numa dessas muitas idas ao cinema, durante essa semana de Carnaval, que a vida, ou Ele, ou ambos, porque andam de mãos dadas e é Ele quem a arquiteta para meu bem, me fizeram um lembrete.
Lembrete esse muito claro, que é pra eu não ficar com dúvida. Logo eu que ando tão cheia de dúvidas...
Levei um chocolatinho na bolsa, comi uma pasta. O calor era tanto, que nem o ar-condicionado da sala de cinema foi capaz de sustentá-lo em seu original estado sólido. Sorvi-o feito criança, lambi o papel, o caramelo grudado, enquanto também me deleitava com a história de Bob Marley na tela.
Doce, que ser humano doce... Intenso feito o chocolate “dark” que eu devorava feito criança, mas ainda assim, doce.
Terminada a sessão, saí um tanto mais feliz do que quando entrei, minha alma aquietou-se um pouco da agitação em que se encontrava. Talvez porque tenha me lembrado de que Jah está no comando de tudo e que pré-ocupações são desnecessárias e um tanto quanto infantis.
“Don’t worry about a thing, ‘cause every little thing is gonna be all right...”
Passei no banheiro antes de ir embora, fui direto, só parei para olhar no espelho na saída, quando fui lavar as mãos, e para minha surpresa e risos, estava com a boca toda suja de chocolate.
Eu ri, saí rindo... Havia andado um bom pedaço naquele estado. As pessoas teriam notado? Confesso que essa preocupação boba só passou bem depois pela minha cabeça. E se tivessem? E ri novamente.
A vida, a vida é o chocolate quase líquido que sorvemos da embalagem. A vida é o agora, e por isso minha pressa em sorvê-la também, cada gota dela, vivendo o momento presente, lambuzando-me com sua doçura, ainda que momentânea; desfazendo-me da prisão que a pré-ocupação tenta me impor.
A vida é o riso depois da “vergonha”. Voltei para casa feliz aquela noite, mais uma noite comum de cinema, mais uma oportunidade que o Altíssimo encontrou de falar com sua Aninha.
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