Caros leitores, na última terça-feira, 10, completamos mil edições. Nossa trajetória começou em 2003, quando foi publicada a primeira edição do Jornal Em Dia, que seguiu como periódico semanal até março de 2007. Então, nos tornamos um veículo de publicação bissemanal e, em dezembro de 2007 nos estabelecemos como jornal trissemanal.
Nesses nove anos, noticiamos fatos de várias áreas, mas, especialmente, nos dedicamos a noticiar o cenário político bragantino como nenhum outro veículo antes fez. Com imparcialidade.
Passamos a acompanhar as sessões ordinárias, extraordinárias e solenes da Câmara Municipal, com o objetivo de manter a população informada sobre os acontecimentos do Legislativo, as posições dos vereadores sobre os temas em discussão e também de dar o merecido destaque aos cidadãos que são homenageados. E isso não se deu após assinarmos o contrato que faz do Jornal Em Dia, desde dezembro de 2008, o órgão oficial da Câmara para publicação dos Atos Oficiais, como alguns imaginam. Essa conduta temos desde nossa fundação porque acreditamos ser importante que a população tenha informações dos acontecimentos do Legislativo bragantino.
Na esfera do Executivo, acompanhamos o término do mandato de Jesus Chedid e Amauri Sodré, entre 2003 e 2004, e o início do segundo mandato consecutivo, em 2005, quando Jesus e Amauri foram cassados e Jango assumiu a Prefeitura, por ter ficado em segundo lugar nas Eleições 2004.
Portanto, em 2012, será a terceira eleição municipal que o Jornal Em Dia acompanha. Testemunhamos, assim, muitas promessas de candidatos e, levando em consideração o prefeito Jango, cabem algumas considerações, já que ele governa o município há quase sete anos.
Vimos Jango prometer ser a mudança e, com isso, conquistar a confiança de grande parte do eleitorado bragantino. Tanto é que ele alcançou o segundo lugar na eleição de 2004, deixando José de Lima, ex-prefeito e conhecido líder da política local, em terceiro.
Como candidato, Jango prometeu e não cumpriu, dentre outras coisas, implantar o Diário Oficial; criar listas tríplices para o comando em secretarias prioritárias, como a Saúde e a Educação; retirar os radares da cidade; criar administrações regionais, descentralizando o poder e resolvendo com mais rapidez problemas corriqueiros dos bairros, como buracos e bueiros entupidos; reformar e ampliar a rodoviária antiga, transformando-a em um edifício multifuncional, com três andares de estacionamento; reformar e ampliar o Fórum, obra que teve início, porém, devido a problemas com empreiteiras, está paralisada; construir pista de skate, um parque aquático na zona norte, ciclovia e uma Via Perimetral, a qual, inclusive, foi prometida também pelo então governador José Serra; recapear 50% da malha viária de Bragança Paulista; reduzir o número de comissionados; e retirar as famílias que vivem na antiga indústria da Austin.
Nesse tempo, também vimos cidades da região alcançarem benefícios que Bragança Paulista não alcançou. O prefeito afirma, por exemplo, que o município, apenas em seu mandato, teve dezenas de indústrias instaladas aqui. Entretanto, nos anúncios de jornais, nas agências de emprego, as contratações, as vagas são sempre para indústrias da região, como Extrema e Amparo, especialmente. O cidadão que mora em Bragança e fica desempregado, muitas vezes, acaba tendo de optar por trabalhar em outra cidade, para não ficar sem renda.
Além disso, perdemos a instalação de órgãos importantes na cidade, como a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), a Polícia Ambiental e o AME (Ambulatório Médico de Especialidades), que foram todos para a vizinha Atibaia.
Enfim, assistimos à inabilidade política, à falta de experiência e de planejamento marcarem a administração Jango/Joca e Jango/Gonza. Porém, até agora, algo que não podíamos acusar o prefeito era de falta de democracia. É, não podíamos, verbo no passado.
Nessa sexta-feira, 13, enquanto o jornalista Filipe Granado esperava para acompanhar entrevista que Jango daria no Gabinete da Prefeitura à reportagem do CQC, assim como outros membros da imprensa local, uma assessora informou que, seguindo ordens do prefeito Jango e do secretário Luiz Roberto Benedito Torricelli, a equipe do Jornal Em Dia não era bem-vinda à Prefeitura e não poderia entrar.
Acatamos a ordem, mas optamos por registrar o fato porque se trata de uma afronta à democracia e à liberdade de imprensa, uma total falta de respeito. Ora, em tempos da Lei de Acesso a Informação, em que se cobra que os municípios implantem portais da transparência, a fim de possibilitar aos cidadãos acesso rápido a dados como número e nome de servidores comissionados, bem como seus respectivos salários, é inconcebível que uma equipe de reportagem seja barrada de acompanhar um evento na própria Prefeitura, que é um local público.
Queremos acreditar que a ordem do prefeito Jango e de seu secretário não tenha sido uma pretensa retaliação ao jornal devido à reportagem que estampamos na edição de quinta-feira e que dizia respeito ao flagrante de máquinas e funcionários da Prefeitura em propriedade particular. Afinal, não foi este veículo de imprensa que ordenou que as máquinas e funcionários públicos ficassem dentro da fazenda no exato momento em que estivemos no local. Recebemos uma denúncia, como tantas outras que nos chegam e, ao checar, constatamos a informação.
Então, qual a razão de impedir nossa entrada? Será que este órgão de imprensa representa algum perigo ao governo Jango?
Certamente, pessoas que se sentam em sua grande mesa no gabinete, o cumprimentam diariamente, apertando sua mão e o abraçando, representam. O Jornal Em Dia não. Nós apenas noticiamos fatos e não influenciamos acontecimentos, não temos esse poder.
Aproveitamos a ocasião e registramos que seguiremos rumo às próximas mil edições com a mesma conduta, procurando bem informar a população, independentemente se somos bem-vindos ou não a reuniões, eventos e cerimônias. Não mudamos nossa forma de trabalho a partir da postura de políticos, de governos. Ainda que o mundo viva uma época de severa inversão de valores, não nos curvamos ao que não julgamos ser digno, honesto e respeitável. E assim temos traçado nossa história da qual temos profundo orgulho.
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