Se você não desistiu no título, pensando tratar-se de um erro de digitação, saiba que esta crônica é para exaltar o Brasil – e, em especial, a telenovela brasileira. Sim, senhoras e senhores, elas chegaram ao Japão, e por meio de um de nossos maiores sucessos – “Avenida Brasil” (ou, em japonês, “Abeni-da Burajiru”); que, diga-se de passagem, é uma prova incontestável de que temos um talento acima da média mundial quando o assunto é teledramaturgia. Ou, pelo menos, tínhamos. Pois confesso que, desde que eu vim para o Japão (no ano de 2001), não pude acompanhar nenhuma novela de nosso país. E não porque não o quisesse, mas sim por absoluta falta de oportunidade. Afinal de contas, como podem perceber, adoro novelas! E isso desde criança. Foi uma novela, aliás, que me despertou, pelo título, o interesse pelo país que hoje é o meu lar. Refiro-me a “Kananga do Japão”, dirigida pela genial Tizuka Yamasaki, e escrita, entre outros grandes autores, por uma poeta com quem, anos mais tarde, eu viria a fazer amizade por meio das redes sociais: a talentosíssima, em verso e prosa, Leila Míccolis. Em 1989, eu, então com quatorze anos de idade, acompanhava todas as noites o desenrolar do romance entre Alex e Dora (além de fascinar-me com a história da “Intentona Comunista”); um interesse que, por sua vez, levou-me também a pesquisar a respeito do país mencionado no título – sem imaginar, na época, que seria para este mesmo país que a vida me levaria.
Mas, voltando ao tema de minha paixão por telenovelas, essa era tamanha a ponto de despertar-me o desejo de um dia tornar-me um autor no gênero. Cheguei mesmo a fazer um curso, de curta duração, quando uma profissional da Rede Globo foi até Manaus para ministrá-lo. Infelizmente, tratou-se apenas de uma pequena introdução ao fascinante mundo da teledramaturgia. Mas foi uma experiência tão boa que, confesso, deu-me uma esperança que mantenho até hoje: a de, algum dia, ver meu nome nos créditos de uma telenovela.
Esse desejo, por diversos motivos, estava adormecido. Até semanas atrás, quando vi, por acaso, em um canal local – Lala TV – que o sucesso brasileiro estrearia. E afirmo: estou adorando a “Abeni-da Burajiru”. Novela muito bem escrita, com interpretações maravilhosas, principalmente, claro, com o show de Adriana Esteves. Tudo, enfim, tão bom que cheguei até mesmo a recomendar o entretenimento para alguns de meus alunos japoneses: e há uma senhora que, inclusive, ficou tão entusiasmada com o que viu que decidiu gravar todos os capítulos...
Só um detalhe me incomoda: a novela, no Japão, está sendo transmitida... em espanhol! Talvez porque tenha sido vendida por meio do México ou da Argentina, que costumam exportar também (maravilhosas) novelas para a Terra do Sol Nascente.
Mas tudo bem: seja qual for o idioma em que sejam dublados, os vilões e as vilãs das telenovelas brasileiras sempre serão donos de bordões inesquecíveis! E toca pro inferno, motorista!
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