Ação ou acomodação?

E, enfim, mais 51 casas do Bragança F2 foram entregues. Nessas horas há quem fale “antes tarde do que nunca”, mas não se pode amenizar com essa frase a falta de prioridade e de compromisso com o povo que essas moradias representaram para dois governantes que comandaram a Prefeitura nas últimas três legislaturas.

O sonho de ter a casa própria parecia tão próximo de se concretizar quando, em 2002, as famílias tiveram seus nomes sorteados. Ledo engano, as moradias não existiam, a não ser no papel, e só agora estão sendo concluídas.

Quanto essas famílias gastaram de aluguel durante todo esse tempo? Quantos presentes ou bens de primeira necessidade deixaram de comprar para si ou para seus filhos para poder arcar com o aluguel? Ou quanto gastaram com passagens de ônibus ou gasolina para irem à Prefeitura buscar informações de suas casas, como mencionou o prefeito Fernão Dias na entrega das chaves?

A questão é que os eleitores elegem seus governantes por meio do voto. Mas o que eles fazem ou deixam de fazer após eleitos não necessariamente reflete a vontade popular. Muitas vezes, a população não concorda com os atos do prefeito ou dos vereadores, mas também não tem muita coisa a fazer, a não ser reclamar e tentar se fazer ouvida por meio da imprensa e, agora, das redes sociais.

Deu certo com a Árvore de Natal, que não caiu no gosto popular e foi retirada às pressas devido à pressão de parte da população.

Interessante que não houve tanto barulho quando árvores verdadeiras foram cortadas sorrateiramente, na calada da noite, no mesmo lugar, para dar espaço à rotatória e a um túnel de comércio de mercadorias de procedência duvidosa hoje existentes. E olha que elas eram centenárias e que o fato aconteceu no mandato do mesmo prefeito que sorteou as casas imaginárias do Bragança F2. O único comentário a se fazer é que na época não existiam redes sociais.

Então, será que uma mobilização tão eloquente poderia salvar o prédio do Carrozzo? Ou alguns lagos urbanos, como o da Hípica Jaguari? Ou melhorar a Segurança, a Saúde, a Educação?

É muito provável que sim. E então por que a população não se manifesta sobre esses e outros assuntos, que até são de maior relevância para a história da cidade, para o nosso cotidiano?

São reflexões importantes que deveriam ocupar os pensamentos dos bragantinos, já que a mobilização popular historicamente conquistou direitos memoráveis.

Mas, assim como os governantes eleitos, é nossa a responsabilidade de fazer ou não fazer, de cobrar melhorias ou ser omissos, de agir ou cruzar os braços. A decisão cabe a cada um de nós.

Uma boa semana a todos!

 

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