Por Paulo Botelho
Foi em minha distante adolescência, magro, desengonçado, mudando de voz, a primeira vez que ouvi a expressão “sintaxe da mente”. E veio do médico e filósofo Samuel de Assis Toledo, meu amigo, acompanhada de uma edição antiga, em francês, dos “Diálogos de Platão”. Samuel disse: “Leia, pelo menos umas duas vezes, pois contém uma trilha de sintaxe da mente para você descobrir a essência da vida!”.
Em gramática, a sintaxe trata das funções das palavras na frase e das relações delas entre si. A palavra sintaxe quer dizer ordenação, arrumação, entendimento para compreender, entre outras coisas, o que é básico: a vida, em sua essência, de que falava Samuel ao me “apresentar” a Platão.
Mas, foi Sócrates, o mais completo dos filósofos gregos, a valorizar a linguagem humana como fonte de intercâmbio, de troca, permitindo que a comunicação pudesse transcorrer ao nível do simbólico. E o simbólico exige uma gramática, uma sintaxe, que seja comum a todos e que dê sentido à vida.
Charlie Chaplin mostra, em seus filmes, essa essência. Por meio do personagem Carlitos, ele soube compor, como o compositor Bach, os elementos harmônicos da mais profunda humanidade. Nada mais consolador e comovente que o final do filme “Tempos Modernos”: ao perder o emprego na fábrica e a casa, Carlitos se senta na calçada ao lado da mulher amada e diz: “Aguenta, não desista, nós vamos dar um jeito!”. Quase choro cada vez que revejo essa cena do filme.
Paulo Augusto de Podestá Botelho é consultor de empresas e escritor. www.paulobotelho.com.br
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