A HORA CERTA DE INVESTIGAR

Investigações parlamentares terminam em pizza. Isso já é normal. Agora a moda é que elas já comecem assim. Pelo menos é o que está aparentando o “caso Cachoeira”. As relações escusas dos políticos com o “empresário da vez” só serão investigadas no que tange aos membros do “segundo escalão”. Um acordo entre oposição e situação indica que governadores e deputados influentes serão poupados pelas inquisições da CPI, enquanto que secretários e funcionários de gabinetes (os famosos “comissionados”) pagarão os patos sozinhos. A frase do colega de partido do governador de Goiás diz tudo “Se houver deliberação a respeito do Perillo [governador de Goiás], vamos dar o troco”. Tudo em prol da “boa vizinhança”, pra não sobrar pra todo mundo.

 

E NA TERRA DA LINGUIÇA?

Trazendo a conversa pro nosso mundinho, os nobres edis bragantinos querem investigar o repasse de verba da Prefeitura para a ONG Viva Vila. Até aí, tudo bem, afinal, todas as movimentações do dinheiro público podem e devem ser investigadas. As dúvidas levantadas pelo Tribunal de Contas recaem sobre um total de quase R$ 900 mil, correspondendo aos anos de 2009, 2010 e 2011. A CEI levantada pelo vereador Régis Lemos para investigar o caso é procedente e faz parte das atribuições do Legislativo. O que é estranho, contudo, é o fato dos vereadores quererem investigar esse apontamento do TCE/SP só agora, afinal, ele foi dado há anos. E quem sempre esteve à frente da ONG foi a família Lencini, cujo patriarca, Raul Lencini é o nosso atual secretário de Cultura, que acaba de ter a sua pré-candidatura a prefeito anunciada. Alguma relação com a investigação tardia seria mera coincidência?

 

CAMPANHA POLÍTICA É COISA DE PESSOA JURÍDICA

Por coisas assim é que temos cada vez mais certeza que campanha política é coisa de empresa. Dá pra imaginar que alguém que dispute as eleições “pra ganhar”, fazendo uma campanha “como manda o figurino” político atual, tire o dinheiro do próprio bolso, ou do bolso de familiares e amigos pra gastar no período eleitoral? A conta não fecha. Muitos milhares de reais (que podem chegar à casa do milhão) são gastos pra eleger um vereador numa cidade interiorana como a nossa. Uma eleição majoritária então, nem se fala. É aí que entram os empresários, que também, segundo a sua lógica do lucro, não teriam por que financiar uma campanha que não lhes dê retorno. Fecha-se, assim, o ciclo que faz com que os políticos acabem por defender os interesses de quem os financia, não os nossos. E se fosse proibido fazer campanha com dinheiro de empresas privadas? Que tal um financiamento público de campanhas, com recursos iguais para todos? Sem grandes marqueteiros e publicitários produzindo filmes dignos de prêmios da academia, com sorrisos amistosos e beijos em criancinhas. Quem precisa disso?

 

R$ 105 MIL JOGADOS NO LIXO

Faz cinco meses que um imóvel foi alugado pela Prefeitura para sediar a Secretaria de Saúde. Num verdadeiro papelão de “seu Madruga às avessas”, o prefeito Jango está pagando R$ 21 mil por mês sem usar o imóvel. Opa, não é o prefeito que está pagando! Quem está pagando somos nozes. Na Câmara, o mais preocupado com a devolução do dinheiro para os cofres públicos é o vereador Marcus Valle.

 

VERGONHA BRAGANTINA

Nos últimos dias têm acontecido coisas que desafiam a lógica defendida por sociólogos de botequim de que o que leva uma pessoa a cruzar a fronteira da moral e da legalidade é a falta de oportunidade. Quando assiste a um filme como “Cidade de Deus”, por exemplo, a classe média fica pensando “pobres coitados que não tiveram oportunidade, acabaram na vida do crime”. Assusta muito mais e desafia a nossa percepção de mundo, quando jovens de classe média, com todas as devidas oportunidades que poderiam levá-los onde quisessem profissional e economicamente, cometem delitos ou têm atitudes que ferem descaradamente os preceitos da moral e da legalidade. Notícias de gangues de filhinhos de papai que ateiam fogo em mendigos, ou espancam gays e nordestinos já não nos assustam tanto quanto antes, mas ainda parece coisa que só acontece na Capital. Semana passada a estudante de direito Mayara Petruso, de tradicional família bragantina, foi finalmente condenada a cinco meses de prisão por suas postagens preconceituosas no Twitter, ainda na época das eleições de 2010. “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado”, disse a bragantina, em alusão à eleição da presidenta Dilma e sua esmagadora vitória no Nordeste. É claro que a pena foi convertida em multa e serviços comunitários.

 

SERÁ O FIM DO VOTO SECRETO?

Um projeto de lei que altera a Lei Orgânica da cidade extinguindo o voto secreto no Parlamento da Linguiça foi aprovado em primeiro turno. Se tudo der certo, daqui a pouco vai ser assim: “votou não leu, o pau comeu”.

 

PREFEITO AINDA ESTÁ ESTUDANDO...

Semana passada, escrevi que o prefeito Jango pretendia dar prosseguimento ao caso do Colégio São Luiz e estudava assinar o contrato com a empresa vencedora da licitação para começar as obras. Pois é. Ele ainda está estudando.

 

PRA FINALIZAR

“Quem tem o orgulho de se ter feito, é preciso que o seja.” (Marcel Marien)

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