A história vai se repetir?

As primeiras críticas ao Governo Fernão Dias/Huguette surgiram formalmente, por parte de alguns vereadores, na última sessão ordinária da Câmara Municipal, na terça-feira, 19. Diferentemente dos pedidos de melhorias, desta vez, representantes do Poder Legislativo direcionaram comentários sobre posturas, de alguns secretários, com as quais eles não concordam e cobraram mudança de atitude por parte do prefeito.

Na próxima terça-feira, 26, a administração de Fernão Dias completa dois meses no poder. É pouco tempo se formos analisar que um governo tem quatro anos. Mas, em Bragança Paulista, temos um agravante: a cidade já vem de um quadro crítico da gestão anterior, especialmente no que diz respeito às vias esburacadas. Assim, a população não quer mais esperar e ouvir desculpas, quer ver os problemas resolvidos e, assim, reclama e os seus clamores ganham eco na voz dos vereadores.

Não é sem razão que a população e os vereadores reclamam. Em alguns pontos por onde a operação tapa-buracos do governo atual passou já se pôde constatar que a qualidade é a mesma da gestão do ex-prefeito Jango. É o mesmo que jogar dinheiro público no lixo, já que com as primeiras chuvas os buracos aparecem novamente.

A situação do município, nessa questão, nunca foi segredo para ninguém, especialmente para os candidatos a prefeito que tanto caminharam pela cidade na época da campanha eleitoral. Que o maquinário da Garagem Municipal está deficiente ou que a Secretaria de Serviços não tem material suficiente para todos os reparos necessários, isso também já foi informado. Porém, agora, é necessário encontrar soluções e não ficar lamentando problemas.

A sugestão do vereador Miguel Lopes, de se contratar empresas para as melhorias da zona rural, empregando três frentes de trabalho, é uma boa opção também para a zona urbana. E que se planejem os serviços para o período noturno, nas regiões mais movimentadas, a fim de amenizar os transtornos.

Mas a impressão que se tem é a de que a atual gestão não quer ouvir sugestões, ainda que elas sejam benéficas para a população. Tomara que a impressão esteja equivocada.

Sobre o setor de Saúde, muito criticado por alguns vereadores, por procurarem a secretária e não serem atendidos ou por enviarem seus assessores e esses serem maltratados por funcionários da secretaria, é preciso registrar que se a pasta estivesse funcionando bem, não necessitaria da interferência dos vereadores.

Ora, se os munícipes estão pedindo intervenção dos vereadores para conseguir atendimento na saúde, é porque já tentaram por si mesmos e não tiveram êxito, o que mostra que há falhas. Os vereadores não deveriam precisar fazer esse tipo de interferência, o sistema deveria funcionar adequadamente a ponto de atender a demanda. A realidade não é essa, infelizmente. A saúde é, como apontou o vereador Juzemildo, um problema do país como um todo. Porém, não é sob essa desculpa que vamos nos conformar, a mudança deve começar do menor para atingir o maior, das cidades para o estado e o país.

A realização de mutirões de cirurgias, exames e consultas, por exemplo, poderia resolver grande parte dos problemas.

E também não é admissível o mau atendimento em qualquer setor público que seja, especialmente no da saúde. Não há argumento que justifique tal atitude por parte dos profissionais, sejam eles concursados ou comissionados.

Vale ressaltar que as críticas que se ouviram até agora são construtivas, com o apontamento dos problemas e também de sugestões para melhorar.

Por tudo isso, a população começa a querer perder as esperanças. A história de que no momento certo as coisas se ajeitam não convence mais, porque já se foram sete anos ouvindo promessas e mais promessas de que as questões pendentes se resolveriam e nada. Ainda mais que há muitos funcionários do antigo governo trabalhando para o atual, inclusive pessoas que trabalharam em campanhas de outros candidatos.

É necessário findar os problemas no mais curto período de tempo possível, criar o momento certo, fazê-lo acontecer. A administração deve elencar prioridades e começar a agir, mostrando resultados satisfatórios, para, então, conquistar o respeito da população, sob pena de cair no descrédito e fazer a história se repetir.

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