Por Joel R. Castilho
Há datas que jamais se apagam da memória de um povo. Para Bragança Paulista, 26 de agosto de 1990 é uma delas. Foi nesse domingo que o Clube Atlético Bragantino viveu o maior momento de sua história: a conquista inédita do Campeonato Paulista da Primeira Divisão, após superar o Grêmio Esportivo Novorizontino na célebre “Final Caipira”.
A caminhada até aquela glória foi marcada por quedas e renascimentos. Em 1965, o clube levantava um título importante, mas no ano seguinte sofria o rebaixamento e, ao longo das décadas seguintes, conviveu com dificuldades financeiras e até cogitou fechar as portas, ficando temporadas sem disputar competições oficiais. Em 1979, ao conquistar a 3ª Divisão do Campeonato Paulista, o Bragantino ganhou sobrevida, mantendo viva a chama do futebol profissional na cidade.

O ponto de virada começou em 1988, com a chegada de Jesus Abi Chedid à presidência. Inspirado no irmão Nabi Abi Chedid, Jesus estruturou uma gestão moderna, baseada em organização, arrojo e responsabilidade financeira. Em novembro daquele ano, o Bragantino venceu o Ituano por 1 a 0 em Bragança Paulista e conquistou o acesso à Divisão Principal. Pouco depois, superou o Catanduvense e sagrou-se campeão da Divisão Intermediária. No ano seguinte, 1989, o Massa Bruta deu mais um passo gigantesco: venceu o Campeonato Brasileiro - Módulo Amarelo, garantindo presença na elite do futebol nacional. Estava então pavimentado o caminho para o ano mágico de 1990.
A reconstrução do clube se confunde com a dedicação da família Chedid. Jesus Chedid trouxe visão empresarial, clareza de objetivos e equilíbrio financeiro. Seu irmão, Nabi, eterno patrono, vibrava no alambrado como qualquer torcedor, oferecendo experiência e respaldo político. O sobrinho, Marco Antônio (Marquinho) Chedid, também participou da diretoria, contribuindo para a modernização do clube. Como registrou o Bragança Jornal, “foi a família Chedid que tirou o clube da situação de desespero em que se encontrava para transformá-lo no campeão paulista e vice-campeão brasileiro”.
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Foto: Acervo Gazeta Press
Sob o comando do jovem técnico Vanderlei Luxemburgo, o C. A. Bragantino fez campanha sólida no Paulistão de 1990, eliminando gigantes como o Corinthians e Santos, que estavam no mesmo grupo, e garantindo vaga na decisão. O torneio contou com 24 clubes e três fases, e o Braga disputou 37 jogos, com 18 vitórias, 12 empates e 7 derrotas. O ataque marcou 43 gols e a defesa sofreu 22, fechando a competição com um saldo de 21 gols positivos e 65% de aproveitamento.
A final contra o Novorizontino ficou para sempre conhecida como “Final Caipira”, símbolo da força do futebol do interior. O primeiro jogo, em Novo Horizonte, disputado no dia 22 de agosto, terminou empatado em 1 a 1. O gol do Braga foi marcado por Gil Baiano.
A decisão, no lendário Estádio Marcelo Stéfani, em Bragança Paulista, também terminou empatada em 1 a 1 no tempo normal. A partida foi para a prorrogação, mas o placar não se alterou. Como tinha a melhor campanha, o Massa Bruta jogava por dois resultados iguais e, diante de um Marcelão lotado, conquistou o título inédito. O herói daquela tarde foi o atacante Tiba, autor do gol que garantiu o empate e fez explodir de alegria a cidade e toda Região Bragantina.
O título foi ainda mais simbólico porque, em 1990, a Federação Paulista de Futebol criou o troféu Palácio dos Bandeirantes – uma réplica da sede do governo do estado, moldada em bronze, com 48 quilos, 1,20m de largura e 43 cm de altura – que passaria a ser entregue aos campeões paulistas. O Bragantino, de Luxemburgo, Mauro Silva, Gil Baiano e cia, foi o primeiro clube a erguer a taça histórica.
E não era só dentro de campo que o time chamava atenção. Por ser a “terra da linguiça”, o Bragantino ficou conhecido naquele Paulistão como a “Linguiça Mecânica”, uma brincadeira com a Holanda de 1974, pelo futebol eficiente, dinâmico e coletivo que encantava o interior e desafiava os grandes da capital.
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O clima em Bragança foi de pura euforia. A imprensa da época descreveu ruas tomadas por buzinaços, bandeiras nas janelas, torcedores abraçados em praças e avenidas. “Nunca, nunca, nunca Bragança Paulista viveu momentos de euforia igual”, registrou o Bragança Jornal. O título uniu gerações e classes sociais em torno do Alvinegro das Pedras, transformando a vitória em um momento de identidade coletiva e orgulho local.
Mais do que um título, a conquista representou a afirmação do futebol do interior paulista, que mostrou força, qualidade e paixão para desafiar os grandes da capital. Segundo um relato publicado também pelo Bragança Jornal da época, o Bragantino tornou-se “garoto propaganda mais cobiçado do Brasil”, levando também o nome de Bragança Paulista para todo o país.
No ano seguinte, a força daquele projeto construído com sucesso pela família Chedid se confirmaria com o vice-campeonato brasileiro de 1991, sob o comando do técnico Carlos Alberto Parreira.
Foto: Arquivo
Hoje, 35 anos depois, o Estádio Marcelo Stéfani, palco da conquista épica, está prestes a ser demolido e dar lugar à moderna Arena Red Bull, símbolo de um novo ciclo para o clube. Mas nenhuma transformação apagará a lembrança de 1990: a conquista do Paulistão permanece viva como o maior orgulho da cidade, um feito que transcendeu o esporte e se tornou parte da identidade bragantina.
O dia 26 de agosto de 1990 não foi apenas a data em que o C. A. Bragantino se tornou campeão paulista, foi o dia em que Bragança Paulista parou, se uniu e escreveu, em preto e branco, a página mais gloriosa de sua história.
- Marcelo Martelotte (Marcelo)
- Wagner Paulino Miranda (Wagner)
- Gildazio Pereira de Matos (Gil Baiano)
- Luiz Carlos de Oliveira Preto (Pintado)
- Gilberto Ribeiro de Carvalho (Biro-Biro)
- João Batista Pereira (João Batista)
- Antônio Carlos Ribeiro Junior (Junior)
- Antônio Nei Pandolfo (Ney)
- Carlos Augusto Da Silva (Carlos Augusto)
- Mauro da Silva (Mauro Silva)
- Bento do Amaral Sabino Junior (Ivair)
- João dos Santos Ferreira (João Santos)
- José Aparecido de Souza (Souza)
- Robert José da Silva (Robert)
- João Inário Dias Neto (Dias)
- Waldemar Aureliano Oliveira Filho (Mazinho)
- Valmir Francisco da Silva (Valmir)
- Arione Ferreira Guedes (Tiba)
- Mario Carlos Moraes Soares (Mario)
- Silvio Cezar Ferreira Costa (Silvio)
- Franklin Spencer Miguel Bittencourt (Franklin)
- Milton Antônio Nunes (Zico)
- Marcos Aurélio Zoppelari (Marco Aurélio)
- Treinador: Wanderley Luxemburgo da Silva
- Aux. Físico: Walmir Cruz
- Secretário de Futebol: Antônio Edgar Siqueira
- Preparador Físico: Luiz Carlos Pereira Prima
- Massagista: Sandoval Moraes Neto
- Massagista: Leonardo Ramos Ferreira (Leo)
- Prep. de Goleiros: Marco Antônio Guedes da Costa
- Supervisor: Gercino Soares da Silva (Boca)
- Roupeiro: José Antonio de Paula
- Fisioterapeuta: Luiz Alberto Rosam
- Roupeiro: Luiz Antonio da Silva (Luizão)
- Dr. Marco Aurélio Almeida Cunha
- Dr. Luiz Gustavo Vasconcellos Diniz
- Dr. Rodinei Pereira Leme
- Patrono: Nabi Abi Chedid
- Presidente: Jesus Abi Abi Chedid
- 1º Vice: Mauro Baúna Del Royo
- 2º Vice: Dr. Percival Bernardi Reginatto
- Secretário Geral: Dr. Roberto Costa Claro
- 1º Secretário: Paulo José Rosica Acedo
- 1º Tesoureiro: Edilson Rodrigues Costa
- 2º Tesoureiro: Levi Suppione
- Diretor Executivo: Marco Antonio Abi Chedid
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