1º de MAIO


CANÇÃO DA SAÍDA
Se não tens o que comer
como pretendes defender-te?
É preciso transformar
todo o estado
até que tenhas o que comer
e então serás teu próprio convidado.

Quando não houver trabalho para ti
como terás de defender-te?
É preciso transformar
todo o estado
até que sejas teu próprio empregador
e então haverá trabalho para ti.

Se riem de tua fraqueza
como pretendes defender-te?
Deves unir-te aos fracos.
e marcharem todos unidos
então será uma grande força
e ninguém rirá

BERTOLD BRECHT

No calor sufocante do galpão coberto com Brasilite,
Eles moldam, esmerilham seus patrões,
Com seus portes altivos, e seus narizes pontiagudos empinados.

No barulho ensurdecedor das engrenagens mal ajustadas da História,
Há um silêncio profundo e maldito,
Do operário que cala a máquina do pensamento
E prossegue, num ritmo acelerado, produzindo as cadeias de sua exploração.

O patrão ignora seu drama
E se farta de uísque e antidepressivos, antes de dormir.
O operário exausto, imundo e esfomeado,
Farta-se de feijão com arroz,
Mal beija a mulher, dá a bênção aos filhos,
E dorme tranquilo, depois de perder parte do sono, remoendo o dia e as contas a pagar.

Contudo, a produção não para,
E no dia seguinte, lá estão, patrão e operário,
Um, madrugando na máquina de ponto,
O outro, vistoriado o serviço, assim que chega,
Lá pelas nove,
Quando o operário já demonstra sinais de cansaço e fome.

A produção, contudo, não cessa.

Não imagine o contrário,
Não é o patrão que não cessa de produzir operários,
Mas o operário, que não cessa de produzir patrões.

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