Fotos: Arquivo pessoal
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Nadador de Bragança cruza a travessia “Do Leme ao Pontal”, no Rio de Janeiro

Ricardo Ortiz teve de superar diversas adversidades para concluir a maior e mais bela maratona em águas abertas do Brasil 

O nadador Ricardo Ortiz, de 36 anos, realizou, na madrugada de 28 de junho, um projeto pessoal bastante desafiador: cruzar a travessia “Do Leme ao Pontal”, no Rio de Janeiro, organizada pela Leme to Pontal Swimming Association (LPSA) e considerada a maior e mais bela do Brasil, com 36 km. Residente em Bragança Paulista, ele começou a nadar por volta de meia-noite de sexta-feira, 28, e chegou à costa do Rio de Janeiro no sábado, 29, de manhã. Ele levou 11h06 nadando em águas abertas e se tornou o 16º nadador na categoria sem neoprene (roupa especial para provas aquáticas) e o 24º no ranking geral a concluir a prova.

Ricardo é apaixonado por esportes. Também maratonista, iniciou cedo na natação, modalidade que pratica há cerca de 24 anos. Já pertenceu a uma equipe de Bragança Paulista, em que nadava em piscinas, mas, depois, a ambição se tornou maior: nadar em águas abertas. De lá para cá, acumulou no currículo quatro provas 14 bis, maratona aquática em que os competidores vão de Bertioga a Guarujá. Ele agora se prepara para sua 5ª competição, que acontece no mês de novembro.

Apesar das conquistas, Ricardo ainda não vive profissionalmente do esporte. Ele é segurança patrimonial em Bragança e conta que precisou de auxílio para arrecadar cerca de R$ 5 mil para custear a inscrição e o deslocamento. “Tudo começou há um ano e meio. Quando eu comecei com o projeto, resolvi fazer camisetas e ir atrás de patrocinadores de Bragança. Consegui vender mais de 100 e, um mês antes da travessia, eu já estava com o dinheiro e resolvi depositá-lo para a organização da prova”, conta. Fisicamente, o atleta não se preparou muito: ele não teve tempo de praticar no mar, realizou dois treinos de 12 km em piscina da Prefeitura Municipal e um de 18 km na represa de Nazaré Paulista, somando menos de um mês de treinamento.

Nadar em mar aberto, como se imagina, não é tarefa fácil, por isso, ele contou com o apoio de um familiar, que o auxiliou com a hidratação durante todo o desafio, além da presença da filha e da namorada.

Apesar do mar revolto e da escuridão da noite, ele relata que a parte mais difícil foi o fato de sua filha ter ficado doente durante o percurso. “Comecei a chorar e a orar a Deus, mas ela aguentou firme. Eu nadava e via o Cristo Redentor iluminado e orava pra concluir a travessia, em nenhum momento pensei em desistir”, relembra, ressaltando a importância de estar bem preparado psicologicamente para o desafio. “A principal dificuldade é ter psicológico para ficar muito tempo no mar nadando, trabalho muito isso nos treinos”, completa.

A beleza das praias cariocas foi um dos fatores de inspiração do atleta e o que deu fôlego para resistir até o final. “A beleza da travessia, como diz a música do Tim Maia, ‘do Leme ao Pontal, definitivamente, não há nada igual’, é incomparável. Você acaba passando por todas as praias do Rio - Ipanema, Copacabana, Leblon, São Conrado, Recreio dos Bandeirantes, Reserva, morro do Joá-, é muito bonito”, descreve.

Por sua participação na prova, recebeu troféu, certificado e agora tem seu nome catalogado entre os nadadores que concluíram a maratona com êxito. Satisfeito e orgulhoso com o resultado, Ricardo agora se prepara para um novo desafio: a Travessia do Canal da Mancha. “É um projeto para daqui a dois ou três anos, quero fazer a Travessia do Canal da Mancha, a mais perigosa e desafiadora, que tem águas muito frias”, diz. Para cumprir mais essa prova, ele espera contar novamente com o apoio de patrocinadores, já que os custos são estimados em cerca de R$ 40 mil. As adversidades, porém, não o amedrontam, e essa é a dica que ele deixa para outros talentos do esporte como ele. “A mensagem é que eles nunca desistam, sempre corram atrás, porque uma hora o sonho deles vai se realizar, assim como o meu se realizou. Estou sempre buscando novas metas, sempre procurando os maiores desafios, tanto na vida pessoal como no esporte”, finaliza.

 

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