Vereadores criticam setor de Saúde e cobram providências

Na tarde de terça-feira, 16, os vereadores de Bragança Paulista se reuniram durante a 24ª Sessão Ordinária. Um dos assuntos mais comentados foi a situação do setor de Saúde do município, sobre o qual os vereadores teceram várias críticas, especialmente quanto à demora na marcação de exames e de consultas.

O vereador José Gabriel Cintra Gonçalves, primeiramente, fez um pedido de informação ao Executivo a fim de saber quantos carros há disponível para a Central de Ambulâncias, quantos deles têm maca e quantos têm apenas bancos. Ele também perguntou quantas das ambulâncias estão em funcionamento e quantas estão em manutenção.

Já o vereador Miguel Lopes pediu informações sobre alguns exames e cirurgias que estão demorando a serem marcados. Ele disse que tinha os nomes dos pacientes e que iria incluí-los no pedido de informação, porém, não os citou. O vereador ainda questionou o Executivo sobre o prazo para a entrega da UPA (Unidade de Pronto-atendimento) da Vila Davi.

O assunto prosseguiu quando o vereador José Gabriel subiu à Tribuna e disse ficar muito chateado com a burocracia e demora que certos processos levam na Prefeitura. O vereador mencionou processo para a compra de exames pela Secretaria Municipal de Saúde que, segundo ele, levou cinco meses apenas para estudo do processo licitatório. Gabriel disse entender que o setor de licitações da Prefeitura é complicado e que isso ocorre há muito tempo, mas opinou que certas coisas têm de ser tratadas como prioridade, e que a Saúde é uma delas. “Sabemos que não é de hoje o transtorno do departamento de licitação. Sabemos que o prefeito Fernão Dias está se desdobrando para resolver e melhorar aquilo lá. É um departamento cheio de leis, problemático. Mas trata-se de exames, algo muito importante”, declarou.

A vereadora Rita Valle afirmou que a secretária de Saúde está muito aflita com a situação e que está de mãos amarradas por conta da burocracia do processo licitatório.

Nesse instante, o vereador Miguel opinou que a secretária não parece estar tão preocupada. Ele disse que o prefeito realmente vem se desdobrando para resolver os problemas, mas acredita que seu secretariado tem que ajudar. Miguel até considerou que se o problema fosse buraco em vias públicas, poderia esperar, mas que em casos de exames, cirurgias, diagnóstico de doenças, não se pode esperar cinco meses.

Gabriel disse que conversou com o secretário responsável pelo setor de licitações, o qual lhe disse que de duas mil solicitações para abertura de licitação, 200 estão em andamento.

O líder do prefeito, vereador Juzemildo Albino da Silva, corrigiu Gabriel, esclarecendo que 1.800 casos já foram resolvidos e apenas 200 ainda estão em andamento.

Gabriel fez questão de deixar registrada sua indignação pela demora nos processos licitatórios.

Em seguida, ele voltou a falar da Central de Ambulâncias. De acordo com ele, não há gás nem água nesse departamento, por isso, os funcionários estão tendo de esquentar suas marmitas em um fogareiro e levar água de casa. “A Estela vai me desculpar, mas isso é falta de administração”, disse Gabriel, esclarecendo que não estava falando do prefeito.

O vereador também falou que o chefe da Central de Ambulâncias tem colocado dificuldades para a população e apelou para que a secretária Estela Gianesella tome providências. Ele observou que o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) está fazendo um ótimo trabalho na cidade, mas somente este órgão não comporta a demanda.

Ainda no setor de Saúde, Gabriel pediu atenção para a UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila Aparecida. Ele explicou que lá os pacientes saíam de suas consultas e já agendavam os exames solicitados, imediatamente. Agora, porém, quando saem das consultas, as solicitações de exames são encaminhadas à Secretaria de Saúde e, depois, os pacientes têm de pegar as solicitações nesse local. “Estão querendo retroagir o serviço. Não entendo o porquê dessa burocracia que a secretária está colocando”, criticou.

Gabriel também reclamou do mau atendimento da Uni-med. Ele contou que há conveniados marcando exames pelo SUS (Sistema Único de Saúde) porque a Unimed tem marcado procedimentos em outras cidades.

O vereador Miguel Lopes também abordou problemas da área da Saúde durante sua manifestação na Tribuna. Ele disse que não culparia tanto o encarregado da Central de Ambulâncias porque ninguém faz milagres, lembrando que o deputado estadual Edmir Chedid teria prometido enviar 13 ambulâncias à cidade. “Temos problemas com a falta de ambulâncias. Tem promessas aí, não sei se estou enganado, mas o Edmir Chedid ia mandar 13 ambulâncias. Já pensou que maravilha. Está em tempo, pode até mandar ainda”, disse.

Miguel alertou à Prefeitura que, por causa de o ano que vem ser ano eleitoral, os recursos das esferas estadual e federal só poderão ser encaminhados até maio de 2014.

O vereador afirmou ainda que há coisas terríveis acontecendo no setor de Saúde e que precisam ser resolvidas. Ele, então, pediu ao prefeito Fernão Dias da Silva Leme que converse com a secretária de Saúde para que sejam elencadas prioridades. “Há coisas muito sérias que não podemos deixar passar”, opinou.

A vereadora Rita Valle, que atua há muitos anos no setor, considerou que a reunião marcada entre a Secretaria de Saúde e o ouvidor da pasta, para esta quinta-feira, 18, deverá esclarecer muitas questões. Ela considerou que a participação dos vereadores nesse encontro é importante, mas que, se não for possível, pediu ao ouvidor Luiz Carlos Leme, que estava presente na plateia, o envio de um relatório sobre os assuntos tratados.

Rita disse que o município tem gestão plena na saúde e que, por isso, algumas competências são do setor próprio de Saúde. Porém, há procedimentos que dependem de regulação da Diretoria Regional de Saúde. Segundo ela, seria importante uma definição e esclarecimento sobre de quem é a competência para certos procedimentos, pois há casos de pacientes de Bragança tendo de ser deslocados para outros municípios para a realização de exames ou cirurgias que são feitas na cidade.

A vereadora considerou que falta informação e que seria interessante a elaboração de uma cartilha sobre os serviços de saúde. Ela ainda elogiou o PAD (Programa de Atendimento Domiciliar), afirmando que o serviço funciona muito bem.

Rita Valle também falou sobre o Husf (Hospital Universitário São Francisco), que recentemente teve sua recepção inaugurada, assim como alguns leitos para tratamento de dependentes químicos. De acordo com ela, passando a porta da recepção e dos leitos, “o SUS continua o mesmo”.

Rita aproveitou e pediu a colaboração de todos para a doação de sangue ao Hemonúcleo que funciona no Husf. Ela contou que o estoque de sangue está quase zerado. A doação pode ser feita de segunda-feira a sábado, das 7h30 às 13h.

O vereador Jorge Luís Martin também falou sobre isso. Ele disse que o Dia do Bombeiro passou despercebido, mas que a Campanha Bombeiro Sangue Bom está sendo realizada, com o objetivo de abastecer o estoque do Hemonúcleo.

A vereadora Fabiana Alessandri também apontou problemas na área de Saúde. Ela contou que esteve na UBS Madre Paulina, localizada no Jardim Fraternidade, e que recebeu reclamações de munícipes e funcionários. A unidade foi reformada há pouco tempo, mas, segundo os pedidos que ouviu, é necessário que a reforma seja terminada, pois o local não conta com sala de inalação, por exemplo. Também é necessário realizar consertos de buracos na entrada da UBS e no estacionamento e adquirir equipamentos, como computadores e impressoras.

Fabiana ainda solicitou a contratação de clínico geral para a UBS da Santa Luzia, onde o atendimento está sendo feito por enfermeiras. A vereadora disse que já se reuniu com o prefeito solicitando a medida e ouviu dele que concurso público seria realizado. “Estamos aguardando que isso realmente aconteça”, disse.

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