Tiro de Guerra colabora com a formação cívica e moral dos jovens

O Jornal Em Dia dá início, nesta edição, a uma série de reportagens sobre projetos e atividades voltadas a adolescentes e jovens em Bragança Paulista.

A intenção é mostrar que há muitos deles envolvidos com ações positivas e, muitas vezes, até promovendo o bem a outras pessoas da comunidade.

Para estrear a série, a reportagem foi até o Tiro de Guerra 02/009 e conversou com o chefe de instrução, Antônio Maria da Silva Alves, que está em Bragança Paulista desde 2010 e serve o Exército há 25 anos.

O subtenente Silva Alves contou que o TG de Bragança recebe, a cada ano, 100 jovens, os quais ficam em instrução de março a novembro. Os atiradores recebem, todos os dias, no período de 6h às 8h, instruções militares básicas e, no contraturno, podem fazer aulas de italiano, inglês, além de cursos no Senai (Serviço Nacional da Indústria) e no Instituto Federal. O objetivo, de acordo com o subtenente, é dar preparo profissional aos atiradores, a fim de que estejam devidamente capacitados quando deixarem o Tiro de Guerra.

No ano passado, a participação dos jovens atingiu a marca de 83, sendo que alguns participaram de mais de um curso. O subtenente Silva Alves observou que muitos atiradores fazem outras atividades, como estudo e trabalho, e não têm tempo de participar dessas aulas extracurriculares, mas que aqueles que têm disponibilidade, costumam participar. Neste ano, 19 dos jovens em instrução fazem curso superior.

O Tiro de Guerra também atua em campanhas de arrecadação de roupas, alimentos e apoia o município em situações de emergência, como na ocorrência de enchentes.

O subtenente Silva Alves explicou que há campanhas fixas, como a arrecadação de agasalhos e o incentivo à doação de sangue. A participação na campanha do agasalho é importante, segundo ele, para que o atirador tenha conhecimento e envolvimento com a comunidade em que ele vive. “Uma grande oportunidade é essa, porque todos saem às ruas com os demais parceiros”, disse.

Já o incentivo à doação de sangue é feito anualmente, desde 2010, em abril, na Semana do Exército. Os atiradores que se apresentam, voluntariamente, para doar, são conduzidos até o Hemonúcleo. “Essa campanha é de interesse nacional e até mundial para a manutenção dos níveis mínimos dos bancos de sangue”, destacou o chefe de instrução do TG 02/009.

Silva Alves contou que o Tiro de Guerra participa, ainda, de arrecadação de alimentos, quando solicitado. Já apoiou, por exemplo, a Escola Estadual Dom José Maurício da Rocha, em 2011, e neste ano, o Colégio Ápicys, na Gincana da Solidariedade, tanto na primeira etapa como na fase final.

Jovens atiradores também colaboraram com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, em anos anteriores, na divulgação do início da coleta seletiva de lixo no município e também na informação sobre destinação correta às lâmpadas fluorescentes.

Além disso, nas enchentes que ocorreram na cidade no final de 2010 e início de 2011, foi feita, pelo Tiro de Guerra, a arrecadação de mais de uma tonelada de alimentos e outras doações para distribuir às famílias atingidas. O subtenente afirmou que, na ocasião, não havia efetivo, mas o banco de dados de atiradores foi acionado e aqueles que quiseram colaborar voluntariamente participaram da arrecadação. “Então, caso seja necessário, estando com efetivo, iremos empregar o efetivo, com atividades de apoio à Defesa Civil. Não estando com o efetivo, aí acionamos o banco de dados e empregamos o voluntariado”, declarou, acrescentando que o TG está sempre disposto a colaborar. “O Tiro de Guerra está sempre aberto a colaborar, com qualquer atividade, desde que seja dentro dos parâmetros da legalidade, ver o que vai ser arrecadado, qual o fim que se destina aquela campanha. A gente submete à apreciação do nosso comando superior, que verifica a viabilidade, mas em quase 100% dos casos temos participado e apoiado as campanhas que ocorrem no município”.

Além dessas atividades, os jovens que participam do Tiro de Guerra desenvolvem ações esportivas. Conforme contou o chefe de instrução, na Semana do Exército, celebrada em abril, são promovidas várias atividades. Os atiradores que se destacam são preparados para uma competição realizada no mês de agosto, durante a Semana do Soldado. Neste ano, participaram dessa competição o Tiro de Guerra de Bragança e o de Itatiba, a Guarda Municipal e a Polícia Militar. Foram aplicadas atividades de atletismo, voleibol, natação e cabo de guerra. O TG bragantino foi tricampeão, vencendo em 2011, 2012 e 2013. No ano de 2010, quando a competição teve início, o Corpo de Bombeiros ganhou.

A parte literária também vem sendo incentivada pelo Tiro de Guerra de Bragança Paulista que, desde 2011, promove na cidade o Concurso Duque de Caxias, voltado especialmente aos alunos do Ensino Médio, mas que, em 2012, também foi aberto a alunos do Ensino Fundamental. Isso é feito com o objetivo de aproximar a comunidade com as coisas do Exército por meio do Tiro de Guerra, segundo o subtenente.

O Jornal Em Dia questionou o chefe de instrução sobre o relacionamento dos atiradores entre si e se ele percebe mudança de comportamento neles ao longo do ano. Ele contou que, no início, é normal a dificuldade de adaptação de horário, à rotina diária do TG, de uso do uniforme, às regras e normas, mas que, a partir do segundo mês, o relacionamento já melhora.

Silva Alves aponta que o apoio da família é essencial para os jovens, por isso, são feitas reuniões com os pais. Isso porque o tempo que os atiradores passam no TG é restrito, apenas duas horas diárias. “Nós temos muito pouco tempo com esses jovens nas mãos para lhes dar toda essa parte de convívio em comunidade. A gente reforça bastante esse aspecto: ele tem que ter um convívio sadio em todos os meios que ele se envolve porque tem o Tiro de Guerra, a escola, o grupo família, o grupo de amigos, cada grupo que ele se envolve ele tem que manter esse relacionamento. E não é na frente de uma máquina que ele vai conseguir ter esse tête-à-tête, sentir as emoções”, opinou o subtenente.

O convívio dos jovens no TG acaba servindo de experiência para o futuro deles na sociedade. “Nós temos regras, temos normas, no início se torna um embate, porque nem todos gostam de cumpri-las, segui-las, mas aos poucos ele vai entendendo que é tudo em beneficio dele mesmo, que aqui é um aprendizado da vida de lá de fora. Qual empresa que quer um funcionário que não cumpre horário de trabalho? Qual empresa que prima por uma boa apresentação, uma empresa que tem o fardamento diário para o funcionário e que o funcionário não queira usá-lo e a empresa aceite? Então, aqui é um laboratório para a vida dele aí fora, o que ele vive aqui em duas horas diárias é tudo o que a sociedade vive hoje”, resumiu.

Ao longo do ano, a transformação de comportamento dos jovens atiradores realmente ocorre, conforme atestou o subtenente Silva Alves. “A gente sente a transformação. No final do ano, é muito gratificante receber um obrigado dos pais, um obrigado até do próprio atirador, pelo que ele passou, pelo que ele aprendeu, e isso ele vai levar para o resto da vida dele. A gente encontra sempre senhores aí hoje, com 40, 50 anos, que dizem, hoje eu entendo porque tinha que ser daquela forma”, contou Silva Alves.

Os jovens que se destacam no ano de instrução ganham o reconhecimento, por meio de certificados e/ou medalha.

De acordo com o subtenente, os atiradores que não faltam e não cometem nenhum ato que desabone sua conduta recebem o Certificado de Honra ao Mérito, reconhecido inclusive no mercado de trabalho, contribuindo na hora das entrevistas de emprego, por exemplo.

Já a Medalha Mérito TG é entregue ao atirador que reúne as qualidades dos que receberam o certificado e foi escolhido pelos próprios colegas. “Os atiradores que não tiveram nenhuma falta e nenhuma falta disciplinar são submetidos à apreciação dos próprios atiradores, que escolhem dentre eles aquele que representa a turma nesse aspecto de destaque do ano instrução. Ele é homenageado na Câmara Municipal e a foto dele vai para o Salão de Honra dos atiradores destaque dos últimos anos. São coisas que perduram por muitos anos”, considerou Silva Alves.

O chefe de instrução também falou sobre as relações familiares. Ele afirmou que, hoje em dia, geralmente, o pai e a mãe estão no mercado de trabalho, o filho vai para a escola e fica grande parte do dia ocioso, não tem outras atividades. “Então, a questão do mercado de trabalho é interessante para todos, com certeza, mas é interessante também que se pense em uma forma de não deixar aquele jovem, aquela criança com tempo ocioso em casa, porque aí acontecem vários problemas, ele acaba sendo adotado por outras atividades, nem sempre tão legais”, disse, enfatizando a importância de os pais se preocuparem em colocar os filhos em atividades extras que venham a preencher ao máximo o tempo deles a fim de que não fiquem com tempo ocioso.

O subtenente destacou, ainda, que Bragança Paulista oferece muitas atividades gratuitas para os jovens e, assim, defendeu que os pais deem crédito ao município, colocando os filhos nessas atividades. “Então, precisaria também que o cidadão bragantino não só conhecesse, mas desse esse crédito ao município e colocasse o filho em atividades extras porque ele não tem dispêndio nenhum e vai ter um retorno muito interessante, porque aí o garoto ou a garota não fica com tempo ocioso, pensando em bobagens ou se envolvendo em coisas não proveitosas para ele”, observou.

Todos os anos, de 800 a 1000 jovens se alistam no Tiro de Guerra. O critério de seleção é especialmente o voluntariado, ou seja, os jovens que demonstram vontade de participar da corporação têm prioridade. O subtenente Silva Alves destaca, entretanto, que às vezes não basta querer, o jovem tem de ter condições de saúde para participar, por isso, é feito exame médico com os alistados.

Ao final, Silva Alves ressaltou que ninguém faz nada sozinho e, assim, agradeceu a todos os parceiros, como a Prefeitura, várias empresas e comércio em geral. “Às vezes você é cheio de ideias, cheio de vontade de fazer, mas não tem quem acredite em você, quem lhe apoie, quem lhe dê subsídio para você levar adiante seus projetos”, disse.

O chefe de instrução do TG bragantino também deixou uma mensagem aos jovens em geral. “Que o jovem sempre busque o melhor para si. E o melhor sempre vai estar em se pautando em bons exemplos. Os bons exemplos, às vezes, devem ser buscados não somente em casa, mas às vezes no convívio com os diversos grupos em que ele está inserido, que ele prime pelos bons exemplos. O ser humano tem discernimento do correto, do que é bom e do que é ruim. Então, que ele siga, realmente, bons exemplos. Não precisa que ele sirva o Exército, que ele esteja no Tiro de Guerra, mas que ele prime por bons exemplos porque com certeza é disso que a sociedade precisa, de bons cidadãos para modificar um pouco o meio que nós estamos vivendo”, concluiu.

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