A pressa da vida
atropela minha poesia
E é por isso que eu destoo dos relógios,
é por isso que os odeio.
Se eu digo: É hora de dedicar-me a um amigo.
Eles dizem: Não, há tanto para fazer ainda...
Se eu digo: É hora de exercitar a delícia do ócio!
Eles me acusam: Preguiçosa!
Se eu digo: É hora de partir.
Eles dizem: Fica.
Se eu digo: É hora de amar.
Eles dizem: Já é tarde.
E ainda supõem me enganar assim...
Ah, coitados! Esses servos das convenções...
Meu tempo eu crio, uso, divido como e com quem me apetece.
Eu não uso algemas!
A vida se esvai com o tempo. E nós passamos por ele, sem sequer notá-lo. Essa convenção nos aprisiona a ponto de nos negarmos diariamente a usá-la a nosso favor.
E sempre haverá passarelas e incidentes pra nos mostrar o quão fugaz é a vida, que somos feitos de instantes, e que tudo o que pretensiosamente ousamos dizer conhecer não passa de mistério.
Tragédias assim dão audiência e oferecem assunto pra programas enfadonhos, e isso não é nenhuma novidade, a dor sempre atraiu o ser humano. Mas tragédias assim também me fazem pensar em como tenho usufruído disso que chamamos vida, daquilo que tenho me negado, das prioridades que tenho assumido e da imutável certeza de que nem tudo está sob meu controle, e talvez, amanhã ou daqui a alguns dias eu já não esteja mais aqui.
E não, isso não é pessimismo ou uma tendência à morbidez, é a grata constatação de que o momento que vivemos agora é único e que a vida é Graça!
Então, chego à conclusão óbvia de que é preciso gozar o momento presente como a dádiva que ele verdadeiramente é, sem quaisquer economias de tempo ou dedicação, ou perdão ou amor.
0 Comentários