Ocupação durou cerca de duas horas e terminou quando ficou acordada uma reunião entre uma comissão dos manifestantes e o presidente da Câmara
Na tarde dessa quarta-feira, 10, a Câmara Municipal de Bragança Paulista realizou nova sessão ordinária. Como já estava previsto, manifestantes participaram da reunião, mas, além disso, eles também ocuparam o prédio por cerca de duas horas, já que não conseguiram dos vereadores um compromisso para a mudança de horário da sessão, além de outras reivindicações.
Após um minuto de silêncio, em memória de José Themístocles Tártari, que faleceu na terça-feira, 9, os trabalhos começaram com algumas proposições verbais dos vereadores e com a participação de Roberto Antônio de Lima na Tribuna Livre. Inscrito pelo vereador José Gabriel Cintra Gonçalves, ele falou sobre os problemas dos moradores da Rua São Pedro. De acordo com Roberto, nessa rua não há cobrança de zona azul e, por isso, muitos motoristas acabam estacionando na via e, muitas vezes, deixando o veículo grande parte do dia no local. Porém, frequentemente, eles param na frente de garagens, impossibilitando a entrada e saída dos moradores com seus carros.
O participante disse, ainda, que há tráfego de veículos pesados na rua e, à noite, os carros descem em alta velocidade da Avenida José Adriano Marrey Júnior e têm de entrar na Rua São Pedro para ter acesso à Avenida Antônio Pires Pimentel, o que ele também qualificou como transtorno aos moradores.
Roberto deixou sugestões aos vereadores, como coibir o estacionamento de carros na frente das garagens e implantar zona azul nessa via. Os moradores estariam liberados dessa obrigação mediante, por exemplo, a exibição de um selo próprio em seus carros, conforme ele sugeriu.
Outras sugestões também foram dadas, como a alteração de mão na Rua São Pedro e em algumas outras vias próximas. Roberto ainda contou que fez um abaixo-assinado apenas com os moradores do trecho que está sofrendo com os problemas apontados e que o documento representa cerca de 150 moradores.
O vereador José Gabriel afirmou que já esteve em reunião com o secretário municipal de Trânsito e Segurança, Marcelo Pupo, e entregou a ele as sugestões de Roberto. Gabriel considerou que a região é tradicional da cidade, mas que mudou muito e, por isso, são necessárias mudanças no trânsito também.
TRIBUNA 2
O segundo participante da Tribuna Livre dessa quarta-feira foi o professor Rodrigo Mendes Rodrigues, que falou em nome dos manifestantes que se faziam presentes na plateia, integrantes do Fórum Popular – Acorda Bragança, Movimento Outra Bragança (MOB) e De Olhos Bem Abertos.
Rodrigo leu uma carta aberta à população, na qual, basicamente, critica os gastos da Câmara com itens, como copos descartáveis, água, biscoito, pão, leite, margarina, flores, convites para solenidades, coquetel e distribuição de panfletos, e reivindica: a mudança de horário da sessão ordinária da Câmara para um horário não comercial; mudança no Regimento Interno da Câmara, para que a Tribuna Livre não tenha a necessidade de inscrição por um vereador; fim do voto secreto; audiência pública sobre o transporte coletivo juntamente ao indicativo de uma auditoria nas planilhas financeiras apresentadas pela empresa Nossa Senhora de Fátima, com a revisão dos contratos; e devolução aos cofres públicos do montante superior a R$ 2 milhões, por parte de antigos vereadores, referente à antiga verba de gabinete.
Conforme Rodrigo ia lendo a carta, na plateia, um e outro manifestante repetia determinada palavra, numa espécie de teatro. Ele terminou sua fala, quase dez minutos após o tempo permitido, pedindo que um vereador os representasse, assumindo o compromisso de levar as reivindicações à pauta da sessão. Porém, ninguém se manifestou.
O presidente do Legislativo, vereador Tião do Fórum, que inscreveu Rodrigo, afirmou que empenharia esforços para atender às solicitações, dentro da legalidade e da possibilidade.
A plateia respondeu: “Só isso?” e também gritou palavras como “vergonha” e “compromisso”.
VOTAÇÃO DOS PROJETOS
Os trabalhos foram suspensos por quase 15 minutos. Então, os vereadores votaram os projetos em pauta.
O projeto de autoria do prefeito Fernão Dias da Silva Leme que acrescenta parágrafo único ao artigo 1º da Lei nº 235, de 12 de novembro de 1955, que denominou a Avenida Major Fernando Valle, foi rejeitado por 15 votos a um. Apenas a vereadora Fabiana Alessandri votou favorável, registrando-se que os vereadores Dito do Ônibus e Quique Brown estavam ausentes e que o presidente não vota nesses casos.
O outro projeto de autoria do prefeito foi aprovado por unanimidade e diz respeito à inclusão de elemento de despesa na Lei Orçamentária Anual para o exercício de 2013.
A moção do vereador Antônio Bugalu, que requer ao Executivo gestões articuladas junto aos órgãos estaduais competentes, visando à instalação de Delegacia da Criança e do Adolescente, foi aprovada, mas com um voto contrário do vereador Juzemildo Albino da Silva.
E o projeto de iniciativa do vereador Marcus Valle, que dispõe sobre acréscimo de dispositivo à Lei nº 2.986, de 12 de dezembro de 1996, que rege a cessão de imóveis pertencentes ao Patrimônio Público Municipal, foi adiado a pedido do autor.
Na plateia, os pouco mais de 30 manifestantes faziam barulho, pediam a mudança de horário da sessão aos gritos e sopravam apitos. A oração da paz, que é lida ao final de cada sessão, quase não pôde ser ouvida, porque os manifestantes não deixaram, gritaram e novamente apitaram.
OCUPAÇÃO DA CÂMARA
Às 17h48, os trabalhos foram encerrados, mas não a manifestação, que ainda duraria mais duas horas.
Muitos vereadores se retiraram de plenário, outros ficaram e tentaram conversar com os presentes, que insistiam em um compromisso de apresentação de um projeto para a mudança de horário da sessão.
A Guarda Municipal, que estava presente no início da sessão, havia ido embora.
Aos poucos, os manifestantes entraram no espaço reservado aos vereadores e foram sentando nas cadeiras dos vereadores, no chão e fixaram a bandeira do MOB à frente do plenário.
A GM foi chamada, então, e permaneceu no local. Líderes do movimento foram questionados sobre as intenções e responderam, a princípio, que ficariam no recinto até que tivessem uma resposta do presidente da Câmara. Havia muitos menores de idade presentes.
O secretário municipal de Segurança, Marcelo Pupo, também esteve presente, acompanhando o desenrolar dos fatos.
As portas do prédio foram fechadas. Reunidos em assembleia, no plenário da Câmara, os manifestantes, já em número reduzido, decidiram ficar no local.
A ex-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) local, Regina Miguel, chegou ao recinto, se apresentando como advogada dos manifestantes. Ela interveio ao presidente Tião do Fórum que recebesse uma comissão de cinco representantes dos manifestantes para conversar sobre as solicitações. Tião e demais vereadores explicaram tudo o que já havia acontecido e também que o Regimento Interno da Câmara tem regras, prazos que não podem ser desrespeitados.
Ao final da conversa, Tião concordou em receber a comissão dos manifestantes. Regina levou até o grupo que se encontrava no plenário a informação. A maioria concordou com a reunião, mas exigiu que a data fosse marcada naquele momento.
Tião e Regina, em comum acordo, marcaram a data de 18 de julho, às 17h, para o encontro, que ocorrerá na própria Câmara.
Era por volta das 19h45 quando isso ficou acertado, os manifestantes comemoraram o acordo e deixaram o local.
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