Senador italiano anuncia tentativa de intercâmbio entre empresas italianas e brasileiras

No final da sessão ordinária de terça-feira, 2, realizada pela Câmara, os vereadores receberam a visita do senador italiano Fausto Guilherme Longo.

Fausto fez uso da palavra por alguns minutos e contou um pouco sobre as atividades políticas na Itália.

Conforme explanou o senador, ele foi eleito como representante da América do Sul, que tem 60 milhões de ítalo-descendentes. Só no Brasil, são 30 milhões e, na cidade de São Paulo, quatro milhões. Quando se candidatou, Fausto disse que era mais para preencher vaga. Natural de Amparo-SP, ele não imaginava que fosse eleito, mas foi, e não sabia sequer falar italiano.

A partir de então, o senador começou a aprender a malícia da política italiana, que conta com alguns componentes próprios, como a Igreja e a máfia. A Igreja, de acordo com Fausto, tem interesses nas decisões políticas porque detém 30% das terras italianas. Já a máfia atua não como nos filmes, exibindo armas, mas de forma organizada.

Fausto disse que um dos motivos que o fez voltar à cidade e à região foi para agradecer os votos recebidos. A diferença de votos que o elegeu foi praticamente a mesma que recebeu na região, contou.

O senador comentou que, assim como no Brasil, após eleito, nem sempre é possível realizar todos os desejos que carregou durante a campanha, o que de certa maneira é frustrante. Apesar disso, ele enfatizou que seu gabinete na Itália é uma extensão da região e que a afinidade entre os povos brasileiro e italiano é muito importante.

Falando sobre o funcionamento do Senado e da Câmara na Itália, Fausto disse que lá há projetos que estão tramitando há 35 anos. “Não é como no Brasil que vai, vota e já volta”, comparou.

Fausto disse também que o Senado já aprovou e agora segue para a Câmara italiana votar um projeto que extingue o Senado da forma atual, em que há 320 senadores. A intenção é criar um novo Senado, com apenas 95 senadores, que seriam os governadores, presidentes de Assembleias Legislativas e prefeitos das capitais. Como todos eles já têm seus salários, o Senado não arcaria com esses custos, o que resultará em economia de €$ 16 milhões por mês, contou Fausto. “A população vai ter que ter mais consciência na hora de votar. O objetivo é tentar reconduzir a Itália no caminho do desenvolvimento mais útil”, disse o senador.

Fausto também mencionou que diferentemente do Brasil, que tangenciou a crise, a Itália mergulhou nela e, com isso, houve muitas consequências negativas. A taxa de desemprego, por exemplo, foi a 18% e, entre os jovens recém-formados é de 43,9%. No Brasil, o índice é de 4%.

A taxa de evasão escolar italiana, de 18%, ainda é muito alta para um país europeu, considerou Fausto, que contou ainda que há cinco milhões de pessoas na faixa da pobreza na Itália. “A realidade é que a Itália impõe uma dose de sacrifício muito grande, muito difícil a seu povo”, avaliou.

Apesar das dificuldades, Fausto considera que o primeiro-ministro Matteo Renzi vem fazendo um bom trabalho.

O senador disse, então, que vem focando seu trabalho em três metas. A primeira é lutar para que o consulado italiano no Brasil atenda os ítalo-descendentes com mais dignidade. “Quero que o Consulado da Itália no Brasil tome vergonha na cara e trate bem os ítalo-descendentes, não como cidadãos de segunda categoria”, declarou.

A segunda meta é instalar na cidade de São Paulo um hospital ítalo-brasileiro. De acordo com Fausto, a Prefeitura paulistana já doou o terreno e engenheiros também já doaram os projetos. Quando concretizado, o hospital deverá contar com 300 leitos.

E o terceiro objetivo é promover intercâmbio entre empresas italianas e brasileiras. Fausto disse que as empresas italianas contam com altas tecnologias, mas, devido à crise, cogitam deixar a Itália. Em vez disso, o intercâmbio oferecerá oportunidade de negócios a elas no Brasil. E a região de Bragança Paulista, pela localização privilegiada, tende a ser um grande polo de indústrias internacionais, opinou o senador italiano.

Fausto encerrou seu discurso afirmando que quer ser um soldado a mais para trazer emprego e renda e garantir boa relação entre o povo italiano e brasileiro.

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