Secretaria de Saúde e Vigilância Sanitária interditam Hospital da Unimed

A secretária municipal de Saúde, Estela Gianesella, anunciou que desde o meio-dia dessa quarta-feira, 2, o Hospital Mantiqueira (antigo Unimed) está totalmente interditado por questões estruturais e funcionais.

Na terça-feira, 1º, Estela esteve presente com funcionários da Vigilância Sanitária no hospital para realizar uma fiscalização, por conta de uma denúncia acerca das irregularidades do local. A situação estava muito preocupante, segundo ela, em diversos pontos.

Na questão estrutural, havia falta de equipamentos e aparelhos em situação de conservação inadequada. Insumos de base também estavam insuficientes, desde materiais médicos e de enfermagem até de limpeza.

Estela destacou problemas relacionados a recursos humanos e o fato de a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar só ter sido restituída há poucos dias.

Diante dessas irregularidades, a Vigilância Sanitária constatou um alto risco à população que frequenta o local e, em conjunto com a Prefeitura, foi tomada a decisão de interditar totalmente o hospital. Estela contou que um laudo comunicando a decisão foi entregue na quarta-feira, ao meio-dia, a dois funcionários do estabelecimento, já que o presidente não se encontrava.

Segundo o vereador José Gabriel Cintra Gonçalves, há três pacientes internados na UTI do hospital e por volta de 11 leitos ocupados na enfermaria. O hospital já opera há mais de um ano com 25 leitos dos 75 que possui e seis dos 12 leitos da UTI.

A empresa terá um período de 48 horas para realizar a transferência dos pacientes que estão internados e a Prefeitura irá acompanhar esse procedimento.

Estela frisou que continua sendo obrigação do plano de saúde dar todo o atendimento necessário aos filiados, desde pronto-atendimento à internação e exames. Ela aconselha que a população atendida pelo convênio recorra aos seus direitos junto aos escritórios da Unimed, o presidente da empresa e a promotoria pública, que já foi comunicada.

Também já foram comunicadas a Agência Nacional de Saúde Complementar, os hospitais da cidade, a UPA, o Samu, a Câmara Municipal e outros serviços de saúde da rede pública.

Até o pronunciamento da secretária de Saúde, por volta das 18h da tarde de quarta-feira, nenhum responsável pelo hospital havia se manifestado formalmente. “Esperamos ansiosamente uma resposta da diretoria porque a população precisa de esclarecimento do plano e de atendimento adequado”, afirmou Estela.

A Unimed havia sido transferida por CNPJ para a Mantiqueira Serviços de Saúde Sociedade Cooperativa. A secretária Estela disse que vistorias já haviam sido feitas para resolver questões pontuais de denúncias, mas a visita de terça-feira constatou que as irregularidades cresceram muito. Ela espera que o hospital possa se adequar para voltar a funcionar sem riscos.

 

ATRASO DE TICKET ALIMENTAÇÃO É MOTIVO DE GREVE

 

Na manhã de terça-feira, 1º, alguns funcionários do Hospital Mantiqueira (antiga Unimed) fizeram greve em frente ao local. O vereador José Gabriel Cintra Gonçalves contou, durante a sessão da Câmara Municipal ocorrida no mesmo dia, que esteve no hospital e soube que o motivo era a falta de pagamento do ticket alimentação de julho.

Há um acordo com o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Sinsaúde) de Campinas de que o ticket deveria ser pago até o dia 30 de setembro. Durante a sessão dos vereadores, Gabriel entregou uma cópia à imprensa da contranotificação da Mantiqueira Serviços de Saúde Sociedade Cooperativa, estabelecendo o acordo, no último dia 27 de agosto.

No ofício, a empresa confirma que está passando por dificuldades financeiras, “motivo pelo qual vem atrasando o pagamento dos salários e vales alimentação/refeição de seus colaboradores”. Mas lista prazos máximos para realizar o pagamento de cada mês.

A empresa também informa no documento que está se reestruturando e que “recentemente formalizou contrato de prestação de serviços com as empresas Amil e Nosamed, sendo certo, ainda, que está prestes a fechar contrato com as empresas Sulamerica e Bradesco, o que certamente contribuirá para pagamento das pendências com seus funcionários”.

O protesto dos funcionários terminou às 13h, quando o valor do ticket foi depositado e o trabalho foi normalizado. Há possibilidade de ocorrer nova greve na próxima semana, caso o pagamento do salário de setembro não ocorra até a data limite, que é 9 de outubro.

IRREGULARIDADES NO HOSPITAL

O vereador Gabriel conversou com os funcionários e com Francisco Freire, responsável pelo hospital. Ele constatou que faltam materiais, medicamentos e médicos para o trabalho. No laboratório, por exemplo, não há material para a realização dos exames e as prateleiras do almoxarifado estão vazias.

Outra irregularidade, apontada pelo vereador, foi a falta de alvará de funcionamento, além do fato de os servidores estarem sofrendo repressão por reclamar da precariedade das condições de trabalho.

Segundo Gabriel, Francisco Freire reconheceu as dificuldades, mas argumentou que os problemas relacionados aos médicos são de responsabilidade do convênio da Unimed, que tem como responsável seu irmão, José Jozefran Berto Freire.

A secretária municipal de Saúde, Estela Gianesella, e um representante da Vigilância Sanitária vistoriaram o hospital na terça-feira e também constataram diversas irregularidades, autuando o responsável.

O plano de saúde Unimed tem atualmente 20 mil usuários. Há dois anos, esse número era o dobro. A situação está cada vez mais crítica. “Ninguém quer difamar a Unimed e, sim, falar a verdade”, disse Gabriel.

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