Pesquisadora apresenta projeto de prevenção de amigdalite bacteriana

A pesquisadora independente Vera Fantinato participou da Primeira Hora da sessão ordinária da Câmara Municipal, na última terça-feira, 27. Acompanhada de membros da sua equipe, ela apresentou projeto pioneiro na prevenção da amigdalite bacteriana.

Conforme explicou Vera, ela iniciou seus estudos em 1985. A participante, então, falou um pouco sobre alimentos funcionais, os quais, além de alimentar, ajudam o organismo a manter ou restabelecer o equilíbrio. Qualquer doença, segundo ela, significa que o organismo está em desequilíbrio.

De acordo com a pesquisadora, a amigdalite bacteriana é a principal causa de doenças em crianças e é combatida com antibióticos. “O problema é que as bactérias estão cada vez mais resistentes aos remédios e os antibióticos não matam só as bactérias causadoras de doenças, matam todas”, apontou.

Assim, usando essas referências, ela se dedicou a pesquisar bactérias que contribuíssem para a prevenção da amigdalite. “Não queremos tratar, queremos prevenir”, avisou.

Vera citou ainda mais um dado que justifica e comprova a importância de seu estudo. A amigdalite de repetição, que é quando a doença volta a atingir o paciente várias vezes ao ano, pode ocasionar outra doença, a febre reumática, que ataca o coração.

Em 2007, a amigdalite bacteriana registrou 10 milhões de casos, 30 mil pessoas desenvolveram a febre reumática e R$ 100 milhões foram gastos em tratamento. Além disso, Vera afirmou que 50% dos casos de transplantes de coração são devido à febre reumática.

O iogurte desenvolvido pela pesquisadora e sua equipe promove o controle biológico, ação que já é utilizada em países desenvolvidos na agricultura e veterinária. Ela citou como exemplo o bacillus thuringiensis, que é empregado para combater pragas que atacam árvores e plantações. A bactéria promove a morte das larvas, mas apenas delas. Se fosse empregado inseticida, além de contaminar outros vegetais e até animais, também haveria o risco de que os alimentos que fossem ser consumidos pelo homem se contaminassem.

Vera então se dedicou a estudar a bactéria streptococcus salivarius, encontrada em grande quantidade na boca. A pesquisadora descobriu que ela combate as bactérias causadoras da amigdalite bacteriana, sem atacar as demais bactérias. Apesar de todos terem essas bactérias na boca, alguns as têm em maior quantidade, por isso, estão menos suscetíveis a ter a amigdalite bacteriana.

Quando Vera iniciou seus estudos, apenas mais um pesquisador, em todo o mundo, desenvolvia pesquisa semelhante. Ela então passou dois anos na Nova Zelândia, acompanhando de perto o trabalho do pesquisador e adquirindo conhecimento. Lá, as bactérias eram misturadas com gelatina, creme dental, picolé e pudim e após dois dias ainda eram encontradas na língua dos jovens que participavam da pesquisa.

Agora, Vera desenvolve no Brasil, por meio de financiamento da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) e apoio do Hospital Israelita Albert Einstein, projeto em que são produzidos iogurtes fermentados a base do probiótico da bactéria streptococcus salivarius. Com isso, o iogurte previne a amigdalite bacteriana.

O laboratório da equipe de Vera estava instalado em São Paulo e, há poucos meses, se mudou para Bragança Paulista. Assim, ela procurou as secretarias municipais de Educação e de Saúde a fim de firmar parceria para que as crianças da rede municipal possam ter acesso ao iogurte, assim como as que são atendidas nos postos de saúde. De acordo com a participante, o trabalho já se iniciou em uma escola da Zona Rural, mas a intenção é expandir, pois os milhares de testes realizados comprovam a eficácia do alimento na prevenção da doença.

Vera Fantinato garantiu que o iogurte não apresenta risco algum para as crianças e ressaltou que diferentemente dos antibióticos, que têm gosto ruim, apresenta sabor agradável.

Apesar de o estudo ser voltado para crianças, Vera disse que pessoas de qualquer idade podem fazer uso do iogurte, que não provoca efeitos colaterais. “Não basta prevenir, tem que ser gostoso”, disse ela, enfatizando que a equipe de brasileiros desenvolveu um produto inédito no mundo e que as pessoas que participam da pesquisa são privilegiadas, pois se trata de um produto que ainda não existe no mercado.

A vereadora Beth Chedid, que apresentou Vera, testemunhou que sua filha teve amigdalite de repetição e, após várias ocorrências, o médico sugeriu cirurgia. Ela fez votos de que o trabalho de Vera e sua equipe realmente se expanda na cidade para o bem-estar das crianças.

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