PÁSCOA

Naquela sexta-feira, havia trevas e um Deus assassinado, ineficaz, perdedor.

Fora necessário um sinal para indicá-lo aos seus algozes, tão parecido era com os homens comuns.

Tão profundamente humano, que só poderia mesmo ser divino.

O Deus que se propõe Ser Humano, que se permite deixar-se moer pelas mãos também humanas daqueles que o odiavam.

Ele se mostra perto dos demônios que habitam nossa alma, porque teve ele mesmo sua alma invadida pela angústia e pela dor da separação de si mesmo.

Não é um Deus que se esconde no longínquo, mas aquele que habita na nudez de nosso ser.

Ele experimenta a dor de Sermos.

Através de sua fraqueza e vulnerabilidade experimentamos o escandaloso amor de Aba.

A cruz é escândalo para aqueles que, orgulhosos, anseiam por um Deus próspero e triunfante.

A cruz é a máxima do amor de um pai que não cessa de reconciliar-se com seus filhos.

A cruz não é a morte, mas o fim dela.

E o domingo deveria ser, portanto, dia de profunda, extravagante alegria!

Ele ressuscitou! Essa realidade absurdamente linda deveria impactar-nos mais do que costuma....

Há quem o chame de profeta, filósofo, pacifista, revolucionário, eu prefiro chamá-lo AMOR.

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