Desde março deste ano, funciona na Vila Davi a UPA (Unidade de Pronto-atendimento) Dr. Valdir Camargo. Com a inauguração dessa unidade, foi desativado o atendimento de emergência no Bom Jesus, localizado na Hípica Jaguari.
O argumento utilizado pela Administração para justificar o fechamento de uma unidade e abertura de outra é que a UPA Bom Jesus não estava regulamentada perante o Ministério da Saúde e, assim, o município tinha de arcar com todas as suas despesas. Já a nova UPA, que foi construída na gestão do ex-prefeito João Afonso Sólis (Jango), poderia contar com os recursos do governo federal, pois foi planejada nos moldes aceitos pelo ministério.
O atendimento realizado na UPA da Vila Davi, porém, não é o mesmo que era oferecido na UPA Bom Jesus. Um exemplo disso é que antes havia plantão de profissionais especialistas para atender pacientes com problemas mentais e, agora, não há. No mês de agosto, a Prefeitura explicou que o atendimento às emergências médicas em psiquiatria é de responsabilidade hospitalar.
Assim, anunciou que eventuais urgências de psiquiatria poderiam ser atendidas na UPA ou na Santa Casa, onde os pacientes poderiam ficar em observação por no máximo 24 horas para então serem liberados ou encaminhados ao serviço de saúde mais apropriado, como o Husf (Hospital Universitário São Francisco), que dispõe de 20 leitos a pacientes de saúde mental.
Preocupada mais em atender as especificações do Ministério da Saúde, a fim de receber os recursos de custeio da UPA, do que atender a população, a Administração afirmou, ainda, que a reestruturação da Atenção à Saúde Mental no município segue os critérios do Ministério da Saúde para UPA 24h, que deve atender urgências e emergências apenas nas áreas de Clínica Médica e Pediatria.
Ocorre que o atendimento dessas especialidades também vem motivando queixas da população. No início deste mês, uma paciente procurou a UPA Dr. Valdir Camargo e teve o diagnóstico de que estava com dores musculares. No dia seguinte, ao procurar a Santa Casa de Misericórdia, descobriu que havia tido um infarto.
O fato aconteceu no dia 4 de setembro. A dona de casa procurou a UPA de madrugada, pois não conseguia dormir com dores no peito, que se espalhavam pelo braço.
Na Unidade de Pronto-atendimento, ela foi atendida pelo médico de plantão, que disse se tratar de dores musculares. Ela conta que tomou uma injeção e levou para casa a receita com a prescrição de Piroxicam, um anti-inflamatório e analgésico.
Mas as dores no peito continuaram e, na sexta-feira, 5, a dona de casa resolveu procurar novo atendimento, desta vez, na Santa Casa de Misericórdia. Lá, o médico de plantão solicitou exames de sangue e eletrocardiograma. A paciente ficou o dia todo na ala de emergência do hospital e, à noite, recebeu a notícia de que havia tido um infarto.
“O susto foi grande, mas graças a Deus tive tempo de procurar uma segunda opinião, um segundo atendimento. Na UPA, nem desconfiaram que podia ser infarto”, contou a mulher, que tem 53 anos.
A paciente foi, então, encaminhada para o Husf, onde, na segunda-feira, 8, passou pelos procedimentos de cateterismo e angioplastia. Ela recebeu alta na terça-feira, 9.
Vale registrar que a UPA de Bragança Paulista é administrada, assim como a Atenção Básica e o Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência), pela OS (Organização Social) ABBC (Associação Brasileira de Beneficência Comunitária).
HABILITAÇÃO
Nessa sexta-feira, 12, a Administração divulgou nota informando que a partir deste mês, a UPA Dr. Valdir Camargo está apta a receber verba federal, pois, também nessa data, representantes do Ministério da Saúde realizaram vistoria no local.
A analista técnica Larissa Gonçalves e o arquiteto Júlio César Passos Goulart avaliaram a estrutura de todos os setores, incluindo materiais, medicamentos, quantidade de leitos, acessibilidade do local e condições de trabalho dos funcionários. No final da vistoria, os profissionais realizaram uma checagem de todas as exigências do ministério e preencheram um questionário fazendo questionamentos à coordenadora administrativa da unidade.
A Prefeitura informou que a habilitação resultará em repasse mensal de R$ 250 mil para custeio da UPA e que os valores correspondentes aos meses de março a agosto serão depositados de forma retroativa. Não informou, porém, quando esses recursos serão depositados.
Outro dado divulgado pela Administração é que o repasse mensal poderá dobrar, se o município comprovar que 50% de seu território está atendido pelo Programa Saúde da Família (PSF).
De acordo com as informações enviadas à imprensa, a UPA conta com 210 funcionários. A Clínica Médica e a Pediatria possuem três profissionais no período da manhã, três à tarde e dois à noite cada uma. Também há plantão de dentista 24 horas.
De março até agora, foram realizados aproximadamente 72 mil atendimentos, com espera média de 45 minutos.
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